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| Curso Superior de Música em JF - parte II | Música | ![]() |
Conforme anunciado no texto anterior sigo hoje falando sobre questões que a meu
entender são interessantes quando se pensa em um curso superior de música.
A grande maioria dos cursos superiores de música hoje no Brasil sofre de mal que não é proveniente deles mesmo, mas resultado de uma combinação de fatores que afetam a educação em geral no país. Recebem jovens com má formação de base, sem capacidade adequada de correlações de saberes, às vezes, muito bons instrumentistas, porém pouco afeitos às outras áreas do saber que se conectam diretamente à atividade musical, o que faz do instrumentista um verdadeiro intérprete.
A situação se agrava quando se trata de regentes que, por necessidade de ofício, devem ter uma formação muito ampla. Um conhecimento prévio especialmente de humanidade é uma necessidade para um estudante que se aventura no mundo da música.
Como são fatores externos e anteriores ao curso de música propriamente dito, como então colocar isso com preocupação na constituição de um curso? Aqui vejo como um outro curso de música em um universo já bem grande pode fazer o seu diferencial. Dar espaço em seu curriculum para a formação mais ampla do estudante é uma necessidade nestes tempos. Dar ao estudante chance de saber que nem só tocar um instrumento tecnicamente bem o faz tornar-se um bom músico é a grande chave que não se pode descuidar.
Outro aspecto que há que ser vigilante é com relação aos preconceitos tradicionais entre os músicos. É necessário um curso que considere a música como música e sem aquela velha e ridícula diferenciação entre o tal do "erudito" e do "popular". É sadio preocupar-se em formar o músico e o caminho, ou repertório, a que ele vai se dedicar e aprofundar deve vir por extensão.
Lembrando do que falei no texto anterior sobre a questão da possibilidade de emprego para o músico hoje no Brasil, não devemos esquecer que é neste ambiente "popular" é que o mercado se mostra mais promissor, portanto para lá também devemos pensar em músicos com boa formação, sob risco de seguirmos lamentando os rumos tomados pela música popular brasileira.
Em outras palavras, creio ser muito necessária uma discussão acerca do que se pretende com um novo curso de música. Qual tipo de profissional quer se formar-? Apenas mais um instrumentista que lamenta sua condição de músico erudito no Brasil ou algum que produz verdadeiramente música? Um intérprete digno deste nome, que faz a diferença enquanto músico, ou apenas mais um desempregado?
Não nos perguntaram nada, apenas anunciaram a criação do curso de música na universidade, mas como já foi dita que ela é a "Nossa Universidade Pública", tomei a liberdade de externar minhas reflexões sobre esta novidade, isso porque quero muito ver um curso verdadeiro de música funcionando.
E que cheguemos a ouvir uma orquestra da universidade, como já foi tentado em um passado bem recente.
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