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Característicamente ligeiro e humorístico, o Teatro de Revista, mesmo tendo
sido importado da França, ganhou espaço e projeção no Brasil, tornando-se em
fins do século XIX e na primeira metade do século XX uma das mais populares e
produtivas formas de teatro musical no país.
Ao que parece, a primeira peça neste estilo encenada em solos brasileiros foi a comédia "As surpresas do Sr. José da Piedade", de Justino de Figueiredo Novaes, apresentada em 1859 no Rio de Janeiro. No entanto, foi necessário ainda mais de uma década até que o gênero se estabelecesse e ganhasse público cativo, compositores cuidadosos e intérpretes hábeis.
Bem no modelo francês de crítica social o Teatro de Revista funcionava como um tipo de crônica da sociedade, levando para o palco conflitos, hipocrisias e embaraços da vida urbana.
Gênero bastante híbrido, o Teatro de Revista conseguia combinar dramaticidade e lirismo sem perder o humor. Próximo deste modelo francês, conseguiu, contudo, muito prontamente inculturar-se no Brasil e manter-se produtivo até o surgimento do Rádio e posteriormente, seu golpe final, a televisão.
Comparativamente poderíamos dizer que o Teatro de Revista está para a cena e a música brasileira como o "Musical" para o mesmo ambiente nos Estados Unidos da América.
Como exemplo, já do século XX, podemos citar o famoso "A noiva do condutor" de Noel Rosa, que ironiza a hipocrisia burguesa de então e brinca com o bacharelismo social, tudo isso com muito humor e música de excelente qualidade.
Curioso notar que antes do Teatro de Revista, os jesuítas na colonização já haviam empregado formas de teatro musicado com vistas a catequizar, um pouco seguindo os modelos de autos medievais.
Talvez herdeiras diretas do Teatro de Revista estão as "Chanchadas" produzidas pela Atlântida Empresa cinematográfica do Brasil, que por mais de 15 anos enriqueceu a cultural musical brasileira e legou nomes como Oscarito e Grande Othelo.
Depois de um lapso de produção desta forma de Cena musicada, reencontramos a forma do drama em música já com Chico Buarque que até hoje já nos deixou: a música para "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto (1966), a adaptação para "Os Saltimbancos", de Luiz Enriquez e Sergio Bardotti (1977), a música para "Gota d'água", de Paulo Pontes (1977), a "Ópera do Malandro", sob inspiração de Brecht e Weill (1979), "O Grande Circo Místico" (1983), música para "O Corsário do Rei", de Augusto Boal (1985), "Dança da Meia Lua" (1988) e a música para a peça "Cambaio", de Adriana e João Falcão (2001).
O Gênero não está tão morto assim, especialmente quando alguém do calibre de Chico Buarque o segue produzindo. Mas onde haverá outros? Não é possível que só de TQs vivam os homens!!
Parafraseando Chico Buarque na trilha do Filme "Os Saltimbancos Trapalhões": "Olha o público cansado de esperar, o espetáculo não pode parar".
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