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| O Coral dos Meninos Cantores da Academia | Música | ![]() |
Um dos mais antigos coros de Meninos Cantores do Brasil, o coral Mater
Verbi dos Meninos Cantores da Academia, foi fundado em 1953 pelo Pe. José
Maria Wisniewski, missionário da Congregação do Verbo Divino. O religioso,
muito dentro do espírito de sua congregação, que desde que chegou ao Brasil
marcou profundamente a música sacra brasileira, vislumbrou na tradição
centenária dos meninos cantores uma excelente forma de evangelizar e formar
para a música.
Desde sua fundação, o coral foi sempre presença marcante e ativa na vida religiosa e social de Juiz de Fora, inclusive representando a cidade em diversos eventos no Brasil e no Exterior. Gravou LP's e CD's, ganhou prêmios em concursos de canto coral e cantou um repertório representativo da formação coral. Nestes mais de 50 anos de existência o coral, além de tudo, levou formação musical para uma quantidade imensa de crianças, que se não se tornaram músicos ativos, ao menos tiveram uma qualitativa compreensão do que é música e de como apreciá-la com valor.
Além de regente e professor, o Pe. José Maria também compôs. Suas obras são um bom exemplo de passagem de dois universos litúrgicos: o antes e o depois do Concílio Vaticano II.
Podemos criticar o coral em muitos aspectos. Nas últimas vezes que o ouvi, a técnica vocal estava deveras descuidada, com um metálico exagerado nas vozes, tentando com isso compensar a necessidade de fortíssimos cada vez mais exagerados na dinâmica. Parecia que desconheciam um piano. E como acontece muito amiúde, confundiam agógica com dinâmica. Forte se tornou sinônimo de Acelerado. Talvez um pouco mais de tranqüilidade do regente poderia atenuar esta ansiedade musical que o coral estava demonstrando.
No final do ano passado, o coral sofreu uma abrupta modificação com a demissão de seu regente, que, como já disse acima, embora criticável, era profundamente dedicado a este coral e a quem os cantores devotavam respeito e consideração. A demissão ocorreu pouco tempo antes do Natal, período em que o coral fazia um bonito concerto aberto nos pátios da Academia do Comércio. Não houve o concerto oficial, mas um concerto protesto por parte dos cantores. À demissão do regente seguiu-se à contratação de outro, conhecido do público juizforano, em virtude de sua profícua atuação na atividade coral da cidade.
O coral, embora patrimônio público da cidade e da música no Brasil (poucos grupos musicais brasileiros tem história longa e produtiva como o Mater Verbi), é vinculado ao colégio Academia do Comércio. O colégio pode dispor e redispor seus funcionários como bem entende, mas não parece educado para com a cidade não dar nenhuma satisfação sobre os rumos que pretende dar ao coral depois de tanto tempo atuando na música sacra. A única manifestação pública do colégio foi uma nota desautorizando o uso do nome do coral no Concerto protesto organizado pelos cantores no final do ano passado.
Eu pergunto ao colégio. Onde está o coral Mater Verbi? Ou melhor, como está o coral? Quando irá se apresentar novamente? O colégio continuará mantendo uma estrutura digna para o funcionamento do coral ou vai apenas permitir mais um coralzinho de abrir e fechar eventos? Será que veremos outro desrespeito à memória dos grandes missionários que tanto zelaram pela música sacra brasileira? O coral tinha um caráter litúrgico essencial. Em quais liturgias o coral canta atualmente?
Termino lamentando não ter ouvido mais falar neste coral desde janeiro até hoje, junho de 2007.
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