As sete 'maravilhas' de JF Literatura

A relação abaixo foi elaborada num consenso entre cidadãos de diversas áreas profissionais, durante uma reunião, cujo tom era o bom-humor e a descontração. Eles seguiam a tendência de se eleger os monumentos mais bonitos mundo afora e das cidades, como o Rio de Janeiro. A diferença é que esta rumava na contramão da beleza, no sentido de apontar monumentos e obras que marcam a cidade, de forma negativa, sob o ponto de vista estético.

Eu fazia parte do grupo e, como presidente da ONG Viva JF, criada para denunciar e combater especialmente a poluição visual e sonora da cidade, decidi torná-la pública, convocando tantos quantos queiram participar dela, com novas sugestões ou referendando as eleitas.

Num primeiro momento, essas considerações e a lista foram enviadas, por e-mail, a mais de 200 pessoas, solicitando que, cada uma, votasse em seus favoritos e divulgasse a promoção ao seu círculo de correspondência, para que tivesse a mais ampla repercussão. E teve: a Tribuna de Minas deu-lhe uma página na edição de 22 de agosto e deve voltar ao assunto, assim que a Viva JF computar os votos até o dia 10 de agosto.

Até aqui, os mais votados para completar a relação estão sendo os agressivos e caóticos letreiros das lojas comerciais do Calçadão (neste caso, a Rua Halfeld, o outrora célebre cartão de visitas e motivo de orgulho da cidade, compareceria em honrosos dois lugares na lista. Quem te viu,quem te vê... Ah, os políticos...); o chafariz do mirante da BR-040 (apelidado de anomalia peniana); e o estacionamento de carroças ao lado da linha ferroviária, próximo à Rua Benjamim Constant.

Enfim, você decide, enviando sua opinião, sugestão ou crítica para vivajf@acessa.com

Os classificados, imbatíveis até aqui:
As luminárias do Calçadão da Halfeld

Numa visão panorâmica, os globos se agrupam numa massa que se impõe com uma força brutal à arquitetura dos prédios, de maneira a escondê-la, quando deveriam apenas servir à iluminação. Individualmente, os globos têm formas diferentes, uns em peça única, outros divididos ao meio, por uma haste de metal, além de diferirem de cores, entre o branco e o amarelado. Some-se a isso, o deplorável estado de sujeira permanente que exibem, submetidos a dejetos de pombos e à poeira.

A estátua da Liberdade do motel na Avenida Deusdedith Salgado



De uma pobreza risível à reprodução do original. E por que ela foi escolhida para ser a peça principal da decoração da fachada? Será que sua intenção é transmitir aos usuários o sentimento de liberdade ao penetrar em seus domínios. Precisa? Aí fica ainda mais cômico.


O chuveirão na Avenida Independência

Um chuveiro e uma torneira em tamanho descomunal foram bolados para transmitir, ao observador, a idéia de água para todos, na quantidade que lhes aprouver. Em retribuição, todos deveriam agradecer à companhia de água que se faz representar ali pela generosidade. Só que a impressão que passa, é que aquilo foi feito para servir de banheiro aos animais do porte de um elefante ou de uma girafa. Ou não?

O monumento às Forças Armadas no Largo do Riachuelo

Aqui estamos diante da concepção de uma medonha arquitetura que, com o tempo, assumiu o seu verdadeiro papel: o de servir como puxa-saquismo dos políticos aos militares, cujas armas estão protegidas das intempéries por um gigantesco chapéu mexicano. Para disfarçar a vergonha, em tempos mais recentes, foi colocado, no local, uma placa esclarecendo tratar-se de uma homenagem aos heróis da FEB. Ocorre que o autor do 'disfarce', esqueceu-se que pertinho dali, na mesma pracinha, já havia uma escultura em bronze, bem mais discreta em tamanho, de um soldado em ação, empunhando um fuzil, em trajes de combate - esta sim, uma obra de arte que faz jus à memória dos ex-combatentes.

As barracas padronizadas dos ambulantes

Ganha um doce quem mostrar duas, entre as centenas, apenas duas barracas iguais, obedientes ao desenho original, previsto para liberar o comércio ambulante - eufemismo de camelotagem - em um atentado admitido e incentivado, pela prefeitura, ao comércio legalmente estabelecido no Centro. O conjunto é pavoroso! Em dias de chuva, então, é um tal de cobri-las com plásticos de cores diversas, com predominância do negro-funéreo, quando o horror visual enfatiza ainda mais a pobreza do comércio de favela em pleno centro da cidade.

O prédio inacabado na esquina da Floriano Peixoto com Rio Branco

A quem pertence, não interessa. Importa é que, no coração da cidade, há um monumento à inércia empresarial-imobiliária, na forma do esqueleto de um prédio, que apodrece a olhos vistos há mais de 15 anos. No dia em que suas peças, enferrujadas pelo tempo, começarem a ruir sobre a calçada, é possível que as autoridades dirijam suas vistas para admirar o monstrengo de alto a baixo.

Opinião dos internautas

Quero parabenizá-lo pela idéia. Realmente, Juiz de Fora já foi um celeiro de obras da arquitetura e engenharia, Belos Casarões que foram simplesmente destruídos pela especulação imobiliária!!!

Hoje o que vemos são "aberrações" do tipo daquela estátua da liberdade em frente a um motel, entre outras.

Como tem que escolher um símbolo, fico com o Calçadão da Halfeld. Aquelas luminárias no meio da rua, além de atrapalhar o livre trânsito de pedestres, serve de 'banheiro" para as centenas de pombos que ali habitam; uma praga! Com todo o respeito, aquilo lá mais parece um mercado na India...

Maria da Glória


Concordo plenamente com essa votação! Por favor, pode computar meu voto na pesquisa! E vamos fazer mto barulho pra que essas "maravilhas" se destruam já! Ótima idéia!

Corina Valente


Fico com o prédio da Floriano, um crime ecológico acabar com ele pois o mesmo é um criadouro de pombos,ratos, morcegos, pulgas, baratas e pernilongos, além de sempre deixar a gente com um frio na barriga toda vez que chove forte; o risco de cair algo lá de cima é enorme,além de ser um top de linha em matéria de mau gosto e poluição visual! Abração e parabéns pela idéia!

Guto


Sensacional!!! Indiscutivelmente é o maestroso prédio da Floriano, eu fico estupefado e ao mesmo tempo assustado em ver que ele continua o mesmo e eu envelheço cada vez mais.

Marcos Frazão


Esqueceram da esfinge que está em frente ao motel Richie.

Renata

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Ivanir Yazbeck é jornalista e escritor.
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