A música juizforana no Festival de Música Colonial Música

Já não me lembro quando, há alguns anos, escrevi neste espaço sobre a necessidade de se fazer conhecer os compositores juizforanos, que se não foram muitos, são ao menos expressivos e significativos na história da música brasileira (leia o artigo). Naquela ocasião chamei a atenção para os nomes que conhecia de forma genérica e especifiquei dois, que a meu ver, são expoentes, cada qual em um momento diferente da história. Trata-se de Francisco Vale e Edmundo Vilani- Cortes.

Para minha surpresa e alegria do público, o Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga deste ano trouxe obras de ambos em seus concertos de encerramento. Uma das orquestras do Festival prestou uma homenagem ao compositor ainda vivo, Vilani Cortes, executando duas de suas obras, uma delas, um belíssimo concerto para flauta.

Chamo a atenção para isso por ser este instrumento muito enriquecido em nossas paragens, com compositores e executantes (na atualidade, Kim Ribeiro e Estevão Teixeira estão aí para cumprir a tradição). Não sei se Vilani-Cortes é flautista, mas demonstra uma tranqüilidade na escrita para este instrumento, típica daqueles compositores que conhecem bem a fisiologia do que exigem de seus solistas.

Flautista também foi o pai de Francisco Vale, inclusive tendo estudado com André-Mathieu Reichert, o flautista belga famoso no Rio de Janeiro no fim do século XIX (o pai que estudou, não o próprio Francisco como noticiado pela imprensa local ao comentar o concerto).

De Francisco Vale ouvimos uma fantasia orquestral que nos faz perguntar: por que tanto tempo esquecida? Peça de sensibilidade romântica, porém já sentindo os ares nacionais, é curiosa, tocante e entusiasmante. Onde andarão as outras obras para orquestra deste compositor que não nos programas e repertórios de nossas orquestras?

Ainda sobre o Festival, o que pude concluir é que depois de 18 anos já poderia mudar de nome, simplesmente para Festival de Música de Juiz de Fora. Não dá mais para reconhecer algo de Colonial Brasileiro no mesmo, com exceção do concerto com as aberturas do Padre José Maurício Nunes Garcia e dos cansativos e repetitivos motetos de Manuel Dias de Oliveira, não ouvimos mais este repertório. Até a "Orquestra Colonial do Festival" tocou Alexandre Levy (tolerável neste caso) e Guerra Peixe!!!! E se ficar só música antiga, a programação de concerto e aulas deveria mudar muito. Então, que se chame pelo que é: Festival de Música, e ponto.

Curso de música da Universidade

Mais uma vez adiado, conforme anunciado pela imprensa, o curso de música da UFJF ainda não dá as caras este ano. O argumento é a necessidade de aprovação pelo Conselho Universitário, procedimento normal e regulamentar. Mas por que o anúncio com tanto alvoroço antes de procedimento tão elementar. Ficamos ainda com o desejo e com a vontade ao menos de saber o que se poderá estudar lá. Será licenciatura? Será bacharelado? Em quais instrumentos? Haverá concursos para professores? Finalmente haverá uma orquestra universitária?

Colunista
João Sebastião Ribeiro é músico.
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