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Texto: Renata Silva
Saudades dos playmobils, aquaplays, bonecas moranguinhos, pôneis palace, fofoletes, ferroramas, ataris... Toda a moçada que se lembra desses brinquedos viveu e curtiu a infância durante a década 80. E, felizmente, a nossa memória não deixa pra trás algumas pérolas daquele tempo...
A
jornalista, Juliana Cetrim, 24, confessa que adorava brincar com os bebês
chuquinha, assistir ao Xou da Xuxa e os desenhos do He-man, dançar com o Trem
da Alegria e pular elástico e corda com as amigas.
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Na ala masculina, Leonardo de Toledo, 24, recorda da turma da rua, dos piques-pega, altura e três colas, da queimada no primário, do cachorrinho sniff, do boca rica, do pula pirata e dos desenhos Thunder Cats e Caverna do Dragão.
E quem não se lembra das séries japonesas, com os Change Man? Os
meninos gostavam também de andar de bicicleta pelo bairro e durante esse
passeio sempre faziam algumas "traquinagens", como a famosa guerrinha de
mamonas e o zarabatan.
Saudosistas ou não, esses jovens acreditam que a infância nos anos 80 era
melhor do que a atual. "A criança daquela época era mais espontânea. Não nos
misturávamos com os "assuntos de adulto" e tínhamos muito mais contato com
as outras crianças", acredita Toledo.
Juliana afirma que a frequência na
casa das amigas era muito maior e que seu dia-a-dia estava permeado de uma
série de atividades diferentes da televisão. "Nós éramos mais crianças
mesmo, brincávamos mais, aproveitávamos
muito. Hoje as crianças ficam adultas muito cedo e só assistem televisão."
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Na mesa, o que fazia mesmo a cabeça da meninada, não era o Mconalds, não! Comer na rua era sempre uma raridade, o que gerava quase um momento de êxtase quando se tinha as mãos um monte de balas juquinha, pipocas de arroz, pirulitos de açúcar, jujubas, refrigerantes, salgadinhos, sorvetes da Oasis (onde é atual Casa Bahia da Rio Branco) e qualquer quitute do Café Apolo (na Rua Marechal Deodoro).
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A Murilândia (onde hoje é o Bingo's House na Avenida Rio Branco) era o verdadeiro point dos menores de 12 anos em Juiz de Fora e quem passava por lá nos finais de semana era considerado quase um vencedor da mega-sena! Os primeiros modelos de fliperamas e brinquedinhos de sentar (aqueles patinhos, cavalinhos que tocam uma música enquanto balança a criança) eram a verdadeira sensação da época.
Criança que era criança não podia perder a sensacional Festa das Nações, que acontecia no bairro Bom Pastor. Quem passava por lá, comprava as fichinhas para andar na roda-gigante, carrossel, topogã, carrinho de batida, twister e trem fantasma.
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Um grande acontecimento da década para os pequenos foi a vinda da Xuxa ao campo do Clube Tupynambás. A chegada triunfal da Rainha dos Baixinhos foi de helicóptero, com direito a um figurinho esvoaçante, gritos, desmaios e deve estar gravada na memória de muitos marmanjos por aí. Outro fato pop infantil foi o show do Trem da Alegria na cidade. O grupo formado por Juninho Bill, Luciano, Vanessa e Patrícia embalou a meninada ao som de "Fera Neném" ("Eu sou fera, fera neném, se eu for presidente você vai se dar bem...") e "Uni, Duni, Tê" ..

O golfinho Flipper também passou por aqui e arrancou muitas gargalhadas da platéia infantil. A montagem de uma piscina especial na Avenida Brasil intrigou muita gente e foi notícia nos principais veículos de comunicação da época. Sortudos mesmo foram os escolhidos para participar das brincadeiras e que conseguiram ganhar um beijo do golfinho mais amado do globo.
A criançada curtiu ainda a passagem do cometa Haley pela Terra. Camisetas, chaveiros, faixas e até bandeiras foram os brinquedos da turminha. Mas como sempre, o céu de Juiz de Fora, ou melhor, "chuvisco de fora", estava encoberto e ninguém conseguiu ver nada!
A infância nas pistas de dança
Para os mais velhos, bom mesmo, era se vestir com todos os apetrechos
possíveis e ir curtir um hi-fi (aquelas festinhas em que dançava-se
coladinho, lembra?) na casa de algum coleguinha. A sala de visita de muitas
casas já se transformou em uma pista de dança embalada pelos sucessos de
Menudos (Não se Reprima), Rosana (O Amor e o Poder), Roupa Nova
(Dona), RPM (Louras Geladas), Paralamas do Sucesso (Que País é Este),
Ultraje a Rigor, Biafra (Leão Ferido) e Fábio Júnior (Quando Gira o Mundo).
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As bandas internacionais também figuravam as festinhas e quem não se lembra de um sucesso de The Cure, The Smiths, Madonna, Cindy Lauper, New Order, B52's, Billy Idol e Plebe Rude?
Foi a partir dessa saudade dos bons tempos de infância, que o estudante Rafael Lignani resolveu promover uma festa dedicada aos Anos 80. Sucesso em Juiz de Fora, o público não poderia ser outro, senão os jovens que viveram a infância durante a década. "A volta no tempo, na melhor fase de nossas vidas e por isso toca todo mundo", diz o produtor. A decoração traz para o Muzik alguns brinquedos marcantes, como o vídeo-game Atari, disponível para os convidados com os jogos de Pitfall, FreeWay, River Raid e o famoso PacMan! Em um telão, trechos de seriados, desenhos, videoclipes, comerciais e desenhos animados. Na pista, os som não podia deixar de recordar os sucessos da época com uma sessão totlamente infantil. Como diz Lignane: "Literalmente, a noite se transforma em uma criança..."
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Roupas A moda estava bem distante dos guarda-roupas da criançada dos Anos 80. "Nossas roupas eram bem bregas", recorda Juliana. Verdade é que não se ganhava mesada e as garotas queriam mesmo era brincar de boneca! Atualmente, as meninas (e meninos também) sabem muito bem o que está na moda e ficam com o solhinhos vidrados em qualquer novidade. Quem é que nunca usou a breguerríma saia balonê? E a bota da Xuxa, aquela trançada na canela? E aquelas mangas "fofas" que mais pareciam um balãozinho no braço! Ah, e as inesquecíveis calças begue e as elegantes ombreiras? A quantidade de acessórios também era gritante! Meias arrastão, laços na cabeça, arcos, tiaras de crochê e pulseiras coloridas da viúva Porcina... Um luxo! |


