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A marca dos anos 80, em Juiz de Fora, é a indignação e a mobilização para a
conquista da cidadania e a efetivação da democracia com justiça social. O
olhar atento e a sensibilidade jornalística de Humberto Nicoline flagraram
os mais diversos e inusitados momentos desse processo de consolidação de uma
nova cidade no contexto de luta por um novo Brasil. Assim, motivados pela
comemoração dos 155 anos de Juiz de Fora, a partir de uma meticulosa
pesquisa no acervo fotográfico da Tribuna de Minas e do próprio fotógrafo,
que ali trabalhou nos anos 80, resolvemos editar o livro "JF - Anos 80", um
ensaio fotográfico sobre a década que insiste em permanecer instigando a
memória.
Por ofício e vocação, Humberto Nicoline se tornou um privilegiado observador
no olho do furacão que sacudiu a cidade, como reflexo do que acontecia no
país, em meio a manifestações sociais, artísticas, políticas, sindicais e
estudantis. Os anos 80 simbolizam a esperança de um povo que vê em sua
cidade o potencial para a transformação e acredita que é possível realizar
os sonhos, desde que se dê os primeiros passos na caminhada. O resultado é
fruto dos acertos ou desacertos da jornada.
Portanto, essas manifestações culturais, sociais, políticas, sindicais e estudantis foram instrumento de pressão e injetaram novos agentes no caldeirão que transformou Juiz de Fora, Minas e o Brasil nos anos 80. Ao registrar os mais diversos aspectos da mobilização da comunidade, Humberto Nicoline documentou fotograficamente a ousadia e a rebeldia de uns e a reação de outros. Todas as forças sociais estão presentes neste mosaico e sintetizam o embate de amplos setores na defesa de idéias e ideais. Assembléias e protestos, eventos artísticos e flagrantes do cotidiano, campanhas e mobilizações apontaram novos rumos e deixaram marcas profundas na cidade. A inquietação é o ingrediente determinante e o desejo de mudança está impregnado em cada momento.
A luta pela redemocratização teve em Juiz de Fora, nos anos 80, um dos
centros políticos influentes na busca de novas alternativas partidárias e
políticas. As mais amplas correntes de pensamento se articularam na
conquista de espaço e na defesa de seus projetos para a cidade, para Minas e
para o Brasil. Como pólo regional, Juiz de Fora desempenhou papel importante
na reconstrução democrática e os mais diversos setores procuraram integrar,
cada vez mais, a comunidade na participação política. Ao lado de Paulo
Delgado e de militantes do PT, a presença em Juiz de Fora de Luiz Inácio da
Silva, o Lula, então líder sindical iniciando sua inserção partidária na
cena nacional, duas décadas antes de se tornar Presidente da República,
atesta a vitalidade de Juiz de Fora na luta pelas liberdades democráticas e
pela justiça social.
Personagens anônimos ou ilustres fizeram dos anos 80, em Juiz de Fora, um
diversificado painel e se integraram no cotidiano da cidade nas mais
inusitadas situações. Operários, estudantes, professores, jornalistas, donas
de casa, bancários, escritores, artistas, profissionais liberais, cidadãos e
cidadãs juizforanos envolvidos na consolidação da cidadania deixaram de lado
o medo e deram passos no rumo de um novo tempo, onde a participação popular
passava a ser decisiva. Muitos dos que se foram deixaram como legado o
exemplo e a determinação. As novas gerações seguramente têm nessas
personagens uma referência de vida e de dedicação às conquistas, vivenciadas
pela cidade.
A edição do livro JF - Anos 80 é um convite à reflexão e um resgate da memória de uma década que deixou marcas profundas na trajetória da cidade como um núcleo urbano vivo, pulsante e em permanente transformação.