Conheça o perfil do profissional do futuro

Repórter: Emilene Campos
30/08/99

Você se considera um profissional do próximo milênio? Se você é dinâmico, trabalha no que gosta, fala com fluência pelo menos duas línguas, é capaz de executar diferentes tarefas e atua em algum setor ligado às telecomunicações pode incluir no currículo: "profissional de vanguarda". Mas se, mesmo dotado destes requisitos, não se atualiza diariamente, então está fadado a perder este título antes mesmo de entrar no ano 2000. O que soma pontos hoje é a atualização constante.

Investir no estudo tradicional, como faculdade e pós graduação, é válido, mas não é o bastante. A Consultora de Recursos Humanos, Vera Lúcia Ciuffo, diz que é fundamental dominar os avanços da informática e aperfeiçoar o marketing pessoal. Saber trabalhar em equipe, ter boa comunicação oral e escrita, se relacionar bem com os demais funcionários da empresas são algumas de suas dicas. Com relação ao idioma, ela também é categórica. “É preciso falar uma ou duas línguas, e nada de inglês more or less”. Facilidade de adaptação a situações diversas, liderança e experiência são características desejáveis, diz o Coordenador do Setor de Qualificação Profissional do Programa de Geração de Empregos e Renda da Secretaria do Estado, Paulo Mariano.

A exigência de qualificação é grande, segundo Mariano, porque o número de atribuições do funcionário é maior. Com isso, está surgindo o profissional polivante, aquele que atua nas onze posições e ainda pode ser técnico da seleção, se necessário. Enfim, conhece as demais tarefas e sabe executá-las, quando há necessidade. “A questão é que as empresas querem o profissional pronto, poucas investem em seu aperfeiçoamento”, diz o coordenador.

Para sobreviver no mercado, Paulo Mariano diz que é preciso investir na área que o profissional tem maior aptidão e interesse e estar aberto ao aprendizado de novas habilidades. Ele mesmo passou por esta situação e teve que se atualizar e diversificar suas atividades. À atuação na Psicologia Clínica, somou-se a consultoria de Recursos Humanos. "Além de acentuar seus pontos fortes, o profissional deve criar diferenciais, através de cursos, congressos, seminários e jamais mentir sobre suas qualificações", diz Ciuffo.

Para os dois consultores a área de atuação em alta no mercado é a de telecomunicações, o que inclui desde o telemarketing a soluções para Internet. Segundo dados do Serviço Nacional de Empregos (SINE), só este ano em Juiz de Fora, foram gerados 2500 empregos em dois Call Center.

Estão ganhando novo verniz as funções de advogado, psicológo, pedagogo e administrador. Ciuffo explica que a área de humanas está resgatando seu valor, porque a sociedade de hoje preza a qualidade de vida. Não que os demais cargos vão ser extintos, “médicos, engenheiros sempre vão existir, mas eles têm que se preparar para interagir de forma mais holística”, comenta. Mas o alerta é geral "até aqueles que estão na vanguarda têm que se preocupar, porque as mudanças são muito rápidas", avisa.