Juiz de Fora 150 anos em um minuto:
Os fatos e personalidades que construíram a história da cidade.
Novas crônicas todos os dias, de segunda a sexta.
Uma iniciativa da Rádio FM Itatiaia e do JFService

11/04/2000

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Parque Halfeld
É difícil falar de Juiz de Fora sem falar no Parque Halfeld, primeiro logradouro público da cidade. Pertencente ao engenheiro Henrique Guilherme Fernando Halfeld, considerado o fundador de Juiz de Fora, a área foi adquirida pela câmara em 1854 por mil réis, quatro anos depois da fundação do município. Apesar de ser chamado de jardim municipal, o local não tinha sequer calçamento, sendo lembrado pelo poeta Pedro Nava, décadas mais tarde, como o sertão do Parque Halfeld. Apenas em 1880, o engenheiro Miguel Antônio Lallemond foi incumbido de elaborar o projeto de ajardinamento do primeiro largo municipal. As luzes, canteiros e pontes vieram apenas no início do século 20. Várias modificações foram feitas ao longo dos anos até que, em 29 de dezembro de 89, o espaço, principal área verde da região central, foi tombado pelo patrimônio municipal.

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Enchentes do passado
Até a década de 40, Juiz de Fora sofria após as chuvas mais fortes, as conseqüências das enchentes que transtornavam toda a parte da cidade que margeava o rio Paraibuna. Em 1940, nossa cidade foi notícia em todas as rádios e jornais do país pela maior enchente de todos os tempos, que transformou num verdadeiro rio, ruas como a Marechal Deodoro, a Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Halfeld, Praça da Estação e Largo do Riachuelo. Chegar em casa nas partes mais baixas destas ruas, só de canoa. E muita gente fez isso...Só na década de 50, o então presidente, Getúlio Vargas, liberou verbas para a retificação do rio Paraibuna, eliminando curvas que retinham suas águas, levantando as margens e terminando com a construção, na altura do bairro Poço Rico, de um canal que levou o nome de Hovyan, em homenagem ao engenheiro que o projetou. Só então o centro de Juiz de Fora se livrou das enchentes do rio Paraibuna. Mais recentemente, a represa de Chapéu D’Uvas foi inaugurada, com a importante finalidade de controlar o nível das águas do rio Paraibuna.

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Cassinos na década de 40
Enquanto se discute no Brasil uma lei que permita a volta dos cassinos, muitos se esquecem que, em Juiz de Fora, já funcionou um cassino, na década de 40. A casa atraía muitos turistas, que vinham à cidade atrás da sorte nas roletas e nas mesas de Bacará. O cassino Atlântico, filial do cassino Atlântico do Rio de Janeiro, funcionava onde hoje é a sede social do Sport Clube, na Avenida Rio Branco. Muito bem montado, o espaço também era palco de shows nacionais e internacionais com artistas famosos da época, como Lucho Gatica, Agustin Lara, Bienvenido Granda, Gregório Barrios, Emilinha Borba, Orlando Silva e muitos outros, acompanhados pela orquestra de Mário Vieira, composta por mais de 20 músicos. Os shows eram diários, e os artistas permaneciam até uma semana na cidade. O cassino era administrado por Oswaldo Gouveia que, mais tarde, se tornou gerente comercial do Diário Mercantil e do Diário da Tarde. Em 1946, por um decreto do então presidente Eurico Gaspar Dutra, o jogo foi proibido em todo o país, e os cassinos foram fechados, pondo fim a uma era que deixou muitas saudades. Enquanto os cassinos legais foram fechados, os ilegais continuaram funcionando. Nunca se jogou tanto no Brasil, com loterias criadas pelo próprio governo. A beleza, o luxo e o encantamento dos cassinos se acabaram, restando, hoje, apenas a chatice dos bingos e a polêmica dos caça-níqueis.

Créditos:
Texto e áudio - Equipe de Jornalismo Rádio FM Itatiaia JF
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