Quando o melhor amigo se torna um problema
11/11/99
Se você possui cachorro e mora em apartamento, já deve ter ouvido muita
reclamação de vizinhos. Do outro lado, padecem os moradores que são
obrigados a perder noites de sono ou preciosas horas de concentração com o
barulho do animal. De fato, não há, no Código Civil nem no Penal, qualquer
lei que proíba as pessoas de criarem cães em apartamento. Também não existe
legislação que garanta este direito.
Na ausência de normas, o que vale é uma boa conversa e a tentativa de resolver o problema de forma amigável, o que nem sempre é certeza de acabar com o impasse. A primeira manifestação de descontentamento em relação ao animal, geralmente, chega pelo interfone. O síndico entra na jogada, e o problema começa a engrossar. Pronto: o conflito está armado.
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Imaculada Borges Santiago (foto) possui dois cachorros e mora em apartamento há nove anos. Assim que se mudou para o prédio, ganhou um pincher. Mais tarde, decidiu adotar um vira-lata. Os dois animais já motivaram comentários de vizinhos. "Quando eu ganhei o Eros (pincher), alguns moradores reclamavam muito, porque ele chorava", conta. Imaculada se lembra que, quando o cão era novo, ela o escondia. Hoje, garante, as reclamações diminuíram, e as pessoas se acostumaram. |
Vivendo situação inversa, Alice Freesz de Almeida, que também mora em um prédio onde há dois cães, não esconde sua insatisfação com a presença dos animais. Ela reclama que os bichos perturbam o sono dos vizinhos, sujam as áreas comuns do condomínio e latem quando as pessoas passam pelo corredor. Mas, afirma, o principal problema é que os donos não reconhecem que os cães atrapalham. "Esses moradores não ficam em casa durante o dia e não sabem que o animal chora e late muito", justifica. "Quando estão em casa, o cão se tranqüiliza. Nunca percebem o quanto o animal incomoda", conclui.
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A presidente da Associação Juizforense de Proteção aos Animais, (que funciona na Rua Ibitiguaia, 835) Maria Elisa de Souza, alega que ter bicho em casa não é crime. "O dono do cão não sabe que pode se defender das acusações. Só um juiz decide quanto ao destino do animal", diz. Maria Elisa acha que a maioria das discussões quanto à presença de cães em apartamentos vem de conflitos anteriores. "Quando um condômino é advertido, ele passa a observar se as determinações vêm sendo seguidas pelos outros moradores", comenta. |
Discordando dessa opinião, Alice Freesz ressalta que não quer cultivar atrito com vizinhos. "Só quero que meus direitos sejam respeitados", alega. Por problemas de saúde, ela precisa dormir bem e não consegue. Acorda à noite com os latidos do cão. Além disso, conta que sua alergia respiratória é agravada com o pêlo dos animais. "Um dia, abri a porta da minha casa e o cachorro entrou... onde está minha privacidade?", questiona.
Colaboração: Bruno Denis Lima
Estudante do 6º
período
da Faculdade de Comunicação Social da UFJF
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