Um trote que ainda persegue veteranos
Colaboração
Repórter: Ana Maria Reis
13/01/2000
Achar, logo de cara, o lugar dos seus sonhos para morar, enquanto se conclui um curso universitário, é tarefa difícil para os estudantes que chegam a Juiz de Fora. O valor do aluguel nem sempre é o problema. Pessoas que nunca se viram antes acabam compartilhando, dia a dia, situações de extrema intimidade. E, assim, passam anos, numa rotina parecida com a de um casamento e longe de ser uma lua de mel.
“As grandes brigas e discussões não são as piores coisas de se dividir apartamento. O dia a dia e os pequenos atritos gerados pela estreita convivência é que estressam mais”, reclama a “veteraníssima” Ana Junqueira (foto acima). Jornalista formada há um ano, ela mora em república e pensão desde 1995, quando saiu do sul de Minas para fazer cursinho pré-vestibular em Juiz de Fora. Atualmente, divide um apartamento de dois quartos em São Mateus com mais três universitárias.
“Na hora de rachar as despesas da conta do supermercado, sempre tem uma que torce o nariz”, comenta Ana, que também aponta as vantagens de se alugar imóvel com mais pessoas. “Nosso apartamento é bem localizado e somando os valores do aluguel, condomínio, IPTU e luz, cada uma de nós desembolsa R$ 130 por mês”, comenta a jornalista.
Não menos veterano no assunto, o estudante de Rádio e TV, Victor Hugo Menezes, vem dividindo quarto com colegas há pouco mais de três anos, numa rotina que está, segundo ele, prestes a acabar . “Passei uma tarde com os classificados na mão e ,com certeza, passarei outras várias visitando imobiliárias”, observa, reclamando da via-crucis que é alugar um apartamento quando o problema são os sistemas de contrato disponíveis a um universitário, sem parentes na cidade e região, ou amigos que possam servir como fiadores.
Menezes reconhece que morar com outras pessoas é sinônimo de casa sempre cheia, companhia para conversar e fazer programas com companhia certa. Mas quando o problema não é a solidão e, pelo contrário, o inverso - a falta de privacidade, não há quem sinta remorso em pagar mais caro por mais sossego.
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