Mulher

Dança do Ventre

Motivadas pelo sucesso do símbolo sexual Joana Prado, a Feiticeira, mulheres invadem estúdios de dança para atender aos caprichos e fantasias sexuais de maridos e namorados com as técnicas da Dança do Ventre.

Repórter: Ana Maria Reis
24/11/2000
Desmistificando as feitiçarias
"Não é a dança em si que resolve um relacionamento morno, ou aquece ainda mais uma paixão." Quem esclarece é a professora de dança, Jamine Aischan (foto). Ela admite que muitas mulheres, casadas ou até mesmo adolescentes querendo preparar uma surpresa para o namorado, matriculam-se no curso por um interesse meramente sexual. Porém, a realidade é outra.

Símbolos sexuais construídos pela mídia, como a Feiticeira, que faz uso dos ritmos e adornos orientais para seduzir seu público, em nada tem a ver com a real prática das danças orientais. "O dançar proporciona o erotismo, mas este não deve ser banalisado", explica a professora.

"A dança do ventre permite que mulheres redescubram o prazer da feminilidade, através da valorização do corpo, saúde e espiritualidade. Estes pontos potencializam a auto-estima que trará, inevitavelmente, mais sensualidade na vida a dois", conclui a bailarina Jasmine, que tem 5 anos de prática em dança oriental.

Sou mais eu
Mariana (nome fictício), 21, começou a ter aulas de dança do ventre porque queria dar um presente de aniversário para o namorado. Mas o namoro terminou e o rapaz, fã ardoroso de Feticeiras, Tiazinhas, Tchans etc, acabou "a ver navios".

"Me senti meio ridícula, pensando em me exibir para uma pessoa que não era a certa. Hoje estou mais feliz comigo, aceitando melhor o meu corpo, que está longe de ser de uma musa da TV, mas que pode agradar em muito a quem realmente me desejar", explica-se.

Mariana não deixou de frequentar as aulas. Muito pelo contrário. "Como nunca gostei de fazer ginástica, encontrei na dança oriental um estímulo para cuidar do corpo e, claro, trabalhar meu potencial de sedução", afirmou Mariana, que há 1 ano matriculou-se em uma escola de dança.

Quem diria, os homens
cansaram de ser submissos!
Como a dança do ventre não exige parceiros, fica uma dúvida no ar: "- Será que os homens gostam de tamanha passividade?" Muitos homens parecem estar respondendo a esta pergunta na prática, seguindo o exemplo das mulheres e procurando as academias para dançar.

Eles imitam, sem pudor, os movimentos ondulatórios dos quadris das bailarinas. Embora a releitura masculina da dança do ventre esteja sendo muito bem aceita (em especial, entre as mulheres!) ela desvirtua um pouco a coisa.

"Um dos pontos que questionamos é a fertilidade. Já que a dança cumpre o desígneo sagrado de encorajar a fertilidade humana, fica sem sentido ela ser praticada por um homem", argumenta a bailarina Jasmine Aischan.

No entanto, aos homens não resta apenas a função de mero espectador. A dança de acompanhamento, dentro da cultura árabe (foto), tira o homem da posição passiva. "Suas funções são enaltecer a conquista, a força e as habilidade tipicamente masculinas", explica Jamine.

Além de um sexo muito melhor,
a dança proporciona muitas outras vantagens
Que não resolve nenhum casamento, isto não resolve. Mas a mulher que pratica a dança do ventre passa a ter mais cuidados com sua vida afetivo-sexual, muito em função da valorização da sua feminilidade e condicionamento físico.

Mas é preciso lembrar que quem está acima do peso não se sentirá linda como Gisele Büdchen, após alguns meses de curso. A dança é um exercíco de baixo impacto e escola de dança não é o local certa para se perder quilos em excesso. No entanto, a dança do ventre é excelente para tonificar músculos, em especial os abdominais e das pernas.

Muitas mulheres com dificuldade em engravidar procuram a dança do ventre como complemento terapêutico. Os movimentos abdominais e do períneo dão harmonia ao funciomento de órgãos internos, firmeza ao assoalho pélvico, alívio de tensões patológicas e hormonais. Ainda, profissionais da área afirmam que este tipo de exercício facilita o parto e a recuperção deste.

Como trabalha a feminilidade e potencializa a sexualidade, a prática da dança do ventre é um ótimo exercício para quem está na faixa dos 40, pois alivia os sintomas gerados pela deficiência hormonal e prepara a mulher para as inevitáveis modificações da menopausa.

Uma breve história da Dança do Ventre
Existem várias hipóteses sobre a origem da Dança do Ventre. Uma delas, bastante aceita, diz que a dança veio do Egito Antigo e era praticada por altas sacerdotisas há mais de 5 mil anos, em rituais para a deusa Ísis. Há indícios de que na civilização mais antiga reconhecida historicamete, a dos Sumérios, havia rituais sagrados em honra das divinidades femininas, homenageando a Grande Mãe.
Assim, acredita-se que a Dança do Ventre pode ter nascido em mais de um lugar ao mesmo tempo. Na Índia, entre 15 e 20 mil anos atrás, as mulheres detinham conhecimentos que deveriam passar para todos os aprendizes das tribos. Para proteger esses conhecimentos dos invasores, elas o transformaram em dança, e assim podia-se fazer rituais e contar histórias sem que isso fosse percebido.
A disseminação, porém, da dança do ventre no Oriente Médio aconteceu após a invasão do Egito pelos povos árabes, por isto a identificação direta entre os seus descendentes e estas práticas.
Foi assim que a dança se espalhou pelo mundo, perdendo muito de seu simbolismo e incorporando novos princípios.

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