Artigo
A Cultura Organizacional
O Departamento de Recursos Humanos como guardião da cultura
Colaboração: Campe
12/09/2000
A Cultura Organizacional pode ser entendida como um modelo de pressupostos
básicos, que um dado grupo cria, descobre ou desenvolve no processo de
aprendizagem, para lidar com os problemas de adaptação externa e integração
interna. Uma vez que esses pressupostos funcionem bem, a ponto de serem
considerados válidos, eles devem ser repassados para o restante da
organização como a maneira certa de se perceber, pensar e sentir em relação
a uma determinada situação.
Com o intuito de tratar a cultura de forma mais concreta e de mais
fácil identificação, foram definidos elementos culturais, dentre os quais
podem-se citar:
- Valores: definições a respeito do que é importante para se atingir o
sucesso. Ainda que as empresas tendam a personalizar os seus valores,
pode-se verificar que eles guardam algumas características comuns como
importância do consumidor, padrão de desempenho excelente, qualidade e
inovação, importância da motivação intrínseca etc;
- Crenças e pressupostos: Muito usado como sinônimo para expressar aquilo
que é tido como verdade na organização. Quando decisões são tomadas em
consenso e dão certo, alcançando o sucesso dos processos, a atitude tomada
passa a ser considerada válida e torna-se um pressuposto inconsciente e
inquestionável;
- Ritos, rituais e cerimônias: São exemplos de atividades planejadas que têm
conseqüências práticas e expressivas, tornando a cultura mais tangível e
coesa. O Departamento de Recursos Humanos é um dos que faz muito uso desse
elemento nos processos de admissão, promoção, integração, demissão etc;
- Estórias e mitos: As estórias são narrativas de eventos ocorridos que
informam sobre a organização, já os mitos referem-se a estórias consistentes
com os valores organizacionais, porém sem sustentação nos fatos. Exemplos:
mapas, símbolos, scripts etc;
- Tabus: Demarcam as áreas de proibições, orientando o comportamento com
ênfase no não permitido;
- Heróis: São personagens que muito contribuíram para o crescimento e
desenvolvimento da empresa;
- Normas: As regras que defendem o comportamento que é esperado, aceito e
sancionado pelo grupo, podendo estar restritas a uma equipe da organização
ou não;
- Processo de comunicação: Consiste em uma rede de relações e papéis
informais que possuem funções importantes como a de transformar o
corriqueiro em algo brilhante, podendo ser usado na administração da
cultura.
Porém, administrar a cultura é algo extremamente complicado, pois
envolve problemas de níveis (a cultura existe em uma variedade de níveis
diferentes), de infiltração (a cultura é profunda e extensa por envolver os
pontos de vista sobre os produtos da empresa, as estruturas, os sistemas, a
missão da empresa, formas de recrutamento, socialização e recompensas), de
implícito (muitos pensamentos e atitudes tomadas em uma organização são
aceitas implicitamente) do impresso (envolve a história da empresa), do
político (abrangendo aspectos de distribuição de poder), de pluralidade (uma
empresa apresenta várias subculturas em seu ambiente interno) e da
interdependência (a cultura de uma empresa não deve ser analisada
isoladamente, e sim interconectada com a política da empresa mas também com
a estrutura, os sistemas, as pessoas e as prioridades da empresa).
Assim, o Departamento de Recursos Humanos de uma empresa deve atuar de forma
significativa, a fim de ser o verdadeiro guardião da cultura, exercendo
funções estratégicas que promovam a aceitação, consolidação, manutenção e
mudança culturais. Suas atribuições típicas ganham um novo brilho quando à
luz da análise cultural, passando a ser o canal de repasse, que materializa
a sua consistência interna, através de:
- definição de perfis compatíveis com
os valores que orientarão o recrutamento e seleção;
- desenho de programas de
treinamento e de desenvolvimento, que passam a enfatizar a história da
organização, incluindo depoimento de heróis e filmes que fazem o primeiro
trabalho de socialização;
- elaboração de sistemas de compensação e de status;
- definição de carreiras e critérios de avaliação, buscando reforçar a
filosofia, crenças e mitos existentes;
- definição e interpretação de
mensagens adequadas, através da imprensa interna e recuperação de
"desviantes", esclarecendo e aconselhando quanto às normas existentes.
Mas, mudanças no sistema de gestão da cultura vêm sendo implantadas a fim de
atender melhor às transformações organizacionais que estão se sucedendo no
mundo contemporâneo, principalmente no que diz respeito aos estímulos à
heterogeneidade e à vulneralidade cultural, à virtualização de experiências
locais e individualizadas e à redução do convívio entre pares.
Desta forma, é necessário que as organizações tomem ciência da importância
que a cultura tem sobre as atitudes das pessoas envolvidas em suas
atividades, procurando, da melhor maneira possível, desenvolver uma cultura
capaz de promover o alcance dos objetivos e metas estabelecidos pelos
gestores e motivar os colaboradores envolvidos.
Colaboração:
CAMPE - Consultoria a Médias
e Pequenas Empresas
da
Faculdade de
Economia e
Administração da UFJF.
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