Esporte

Ana Lúcia Ribeiro Machado Amazona se prepara para temporada de 2000

Repórter: Emilene Campos
Fotos: Roberto Faustino
23/12/99

Cavalos. Desde criança essa é a paixão da juizforana Ana Lúcia Ribeiro Machado. O hobby de cavalgar na infância já lhe rendeu várias vitórias e a maior delas aconteceu em novembro do ano passado, quando recebeu o título de campeã brasileira de hipismo, em Campos do Jordão.

Depois de participar de provas nos estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro, Ana Lúcia levou para casa todos os títulos na categoria enduro eqüestre de velocidade livre. Desde aquele que a consagrou como amazona até o que premia o bom condicionamento do animal.

A estréia em competições aconteceu em 1990, quando participou de um enduro eqüestre na região de Goianá (MG). Quatro anos depois, ela já estava disputando títulos em enduros nacionais e cariocas. Isso tudo só na base da intuição. “Até hoje não tive um treinador, acho que ainda não existem profissionais experientes para isso”, opina.

Entre 95 e 97 esteve fora do circuito. A chegada dos filhos, Júlia em 1995 e Lucca em 1996, a impediram de integrar enduros nacionais. “Não dava para participar de todas as provas. Eu até realizei algumas provas”, explica. Estas ocasiões renderam um dos momentos mais marcantes de sua carreia. Ela lembra que em 97, apesar de ainda estar se recuperando de uma cesariana, teve que participar de uma prova para se graduar em “média distância”. “O Lucca tinha nascido há dois meses e meio e eu até o amamentava entre um intervalo e outro. Mesmo sem o menor condicionamento físico, consegui vencer”.

Neste tipo de esporte, nem sempre o que vale é a disposição do atleta. Na modalidade, o cavaleiro pode ser desclassificado se o cavalo não terminar a prova em boas condições físicas. Foi o que aconteceu no campeonato nacional deste ano. Como o dia estava muito quente, a égua Frisky teve problemas e Ana Lúcia andou cerca de 8 km a pé para procurar ajuda. “Frisky se recuperou, mas não pude participar da segunda prova, o que me impossibilitou de conseguir títulos na competição”. (No campeonato nacional, todas as provas devem ser realizadas com o mesmo cavalo.)

Outro empecilho semelhante a impediu de representar o Brasil no Panamericano de Winnipeg, no Canadá. “Fui convidada, mas para isso teria de participar de um enduro internacional. Comecei a prova, mas não cheguei a completá-la já que Frisky foi desclassificada porque estava mancando”. Mas isso não a abalou, ela aproveitou para investir em sua carreira profissional porque, além de atleta, Ana Lúcia é proprietária de uma fábrica de embalagens metálicas. “Este segundo semestre foi bastante difícil. Aproveitei para me dedicar ao trabalho na empresa”, justifica. Mas no próximo, ela volta com força total. Só está aguardando a divulgação do calendário de provas para iniciar o treinamento.

Quem pretende praticar hipismo deve:
  • gostar muito de cavalos
  • ter uma boa equipe
  • bons cavalos, de preferência da raça árabe. O animal custa em média R$8 mil.
  • desembolsar mensalmente cerca de três salários mínimos para a manutenção do cavalo.
  • Se quiser competir como profissional, estar preparado para investir o dobro deste valor e ainda gastar cerca de R$1800 a cada prova realizada. Os custos incluem desde a contratação de um veterinário até o transporte do cavalo.
O que é enduro eqüestre de velocidade livre

Ana Lúcia explica que o enduro eqüestre é algo recente no Brasil. Foi introduzido em há cerca de dez anos. Neste modalidade, o cavaleiro deve percorrer uma determinada distância, no menor tempo possível. Como as distâncias são longas, são realizados cerca de quatro a cinco “vet-check”, por prova. É nessa parada obrigatória que o competidor pode garantir a vitória.

No “vet-check”, o cavalo deve ser apresentado à equipe veterinária com um ritmo cardíaco de 64 batimentos. “Se o animal estiver bem condicionado, essa marca é atingida dentro de dois minutos. Senão, é necessário esperar até cinco minutos”, explica Ana Lúcia. Ao acumular estas pequenas vantagens de tempo, o cavaleiro pode obter melhores resultados. Depois de ter sido examinado, o cavalo deve descansar por 20 minutos.

O interessante é que Juiz de Fora oferece ótimas condições para quem se aventurar por este esporte. “A topografia e o clima da cidade são muito bons para enduro equestre”, explica. “Quando a gente treina num relevo mais acidentado, o cavalo tem um ótimo desempenho ao competir em lugares mais planos". Mas Ana Lúcia alerta “Para praticar este esporte é necessário ter disposição e preparo físico para ficar sobre o cavalo. Há provas que podem durar até 20 horas”.