01/11/99
Cuidar da saúde e manter a forma é mais que uma preocupação na prática das
artes marciais. É uma necessidade. A união entre o equilíbrio físico e
mental é preocupação comum a todas as modalidades. Por trás da luta e dos
movimentos corporais, há uma orientação filosófica que objetiva tornar o
aprendiz mais harmonizado emocionalmente As academias de jiu-jitsu,
karatê,
tai chi
chuan, entre outras práticas orientais, estão lotadas de pessoas
que encontram na atividade um exercício prazeroso e um modo eficiente de
superar o estresse do dia-a-dia.
Lutas imitam movimentos dos animais
De acordo com o professor de kung- fu, Belarmino Santos Rocha, a grande
maioria das artes marciais originou-se da inovação levada pelo seguidor do
Budismo, Budhidharma, ao templo de Shaolin, na China, há cerca de dois mil
anos a. C. Antes que isso acontecesse, os orientais que viviam no templo
dedicavam-se exclusivamente à prática da meditação. Bodhidharma introduziu
exercícios que envolviam movimentos. Para assegurar o domínio sobre o
território, essas práticas transformaram-se em diversas formas de luta que
se disseminaram por todo o Oriente e, mais tarde, pelo Ocidente.
Apesar de a maioria das modalidades guardar uma origem comum, cada tipo possui características próprias. O kung-fu, por exemplo, constitui um dos estilos mais antigos. Como não havia armas na época, os chineses copiaram os movimentos dos animais, como felinos, insetos e cobras, para combater os inimigos. Transcorridos milhares de anos, as lutas marciais foram ganhando popularidade no Ocidente e, aos poucos, sendo vistas como práticas desportivas.
Alunos buscam saúde e defesa pessoal
Atualmente, são vários os motivos que justificam a procura por artes
marciais. "É como se a academia fosse um gabinete médico", assegura o
instrutor de jiu-jitsu, Sávio Leles de Rezende. "Grande parte das pessoas
quer preservar a saúde. Por isso, procuram a academia", garante.
Há também os que buscam aprender a se defender, como é o caso de Hemerson Vale da Silva, que treina Jiu-jitsu há um ano e oito meses. "Só depois me interessei em participar de competições", conta.
Quem acha que artes marciais são só para homens está bastante enganado. Há turmas em que o sexo feminino predomina. Valéria Alves Rocha, que luta kung-fu há nove anos, comenta: “Acho importante as pessoas praticarem artes marciais para se defender; não para sair batendo nos outros".
Entre a pena e a espada
As artes marciais, segundo o professor de
karatê e nei-kung, Alexandre de
Almeida, possuem duas dimensões: o caminho da pena - que diz respeito à
orientação filosófica - e o caminho da espada - que consiste na aprendizagem
das técnicas de luta. Os seguidores pregam a busca da harmonia através do
equilíbrio entre esses dois caminhos. "O homem ocidental respira, anda e
posiciona-se de forma errada", denuncia Almeida.
As artes marciais podem ser solução para quem possui dores musculares e na coluna e vive cansado. Há técnicas que permitem aos pulmões absorverem mais oxigênio. Além disso, o aluno aprende a caminhar e a posicionar-se corretamente. "Com essas orientações, as pessoas conseguem relaxar os músculos e equilibrar os impulsos", conclui o professor.
Todas as idades
Para crianças e adolescentes, as artes marciais também podem surtir bons
resultados. O vice-campeão sul americano de muay-thay, Carlos Henrique
Batista, comenta: "Na academia, as crianças recebem estímulo do mestre e dos
alunos mais velhos, aprendem a ter disciplina e crescem em um ambiente de
amigos". O respeito mútuo e a luta sem violência são enfatizados pelos
instrutores. "A gente ensina os alunos a competirem, a conseguirem
condicionamento físico. Eles aprendem que não devem brigar", conclui
Batista.
Para quem quer começar
Se você tem interesse em iniciar a prática de algum tipo de arte marcial,
vale a pena seguir algumas recomendações. Em primeiro lugar, é necessário
conhecer bem a filosofia da academia. Se o professor incentiva a violência,
procure outro lugar. Certifique-se de que o instrutor possua diploma e de
que a academia seja ligada a federações estaduais, nacionais ou
internacionais. Normalmente, estes órgãos exercem controle sobre a atuação
dos instrutores sócios.
Além disso, a maioria das academias exige a assinatura de termo de compromisso por parte dos responsáveis para que os menores de idade possam treinar. É importante também que os pais acompanhem a atuação dos filhos. Geralmente, os professores exigem um atestado médico que garanta que o atleta não posssui problemas de saúde ou que indique restrições a alguns tipos de exercício.
O preço das mensalidades varia entre R$25 e R$45. Geralmente, as aulas de artes marciais mais populares, como karatê e jiu-jitsu, são mais caras. Poucas escolas cobram taxa de matrícula. No início, só o kimono é imprescindível. Com o tempo, o aluno deve comprar outros acessórios próprios para cada tipo de treinamento.