Saúde

Diga-me como andas e eu te direi quem és Conhecer como uma pessoa se movimenta
pode traduzir como ela pensa
e melhorar a comunicação interpessoal

26/04/99

É possível entender como as pessoas pensam pela maneira como andam. Esta teoria nasceu na década de 80 através das americanas Elizabeth Wetzig e Patricia Pinciotti. Em Juiz de Fora, a técnica é desenvolvida pela neurolingüista Maria Iris Lo Buono, que administra o curso “Você Pensa Como Anda”, pioneiro no Brasil.

A neurolingüista afirma que esta teoria pode ser aplicada na prática em várias situações.” Se podemos identificar como uma pessoa pensa, podemos entendê-la melhor e nos comunicarmos com ela mais facilmente. Isto quebra as barreiras entre pai e filho, relacionamentos a dois, entre médico e paciente, palestrante e audiência, negociante e consumidor, por exemplo.” Ela garante que, ao identificar como uma pessoa anda, podemos entender como ela funciona. A técnica permite identificar também quem produz mais, quem interage melhor, quem intui e cria e quem elabora.

Maria Iris Lo Buono explica que as pessoas nascem com quatro padrões neuromusculares, apesar de possuirem um dominante. No dia-a-dia, identificam-se dois padrões num indivíduo, este segundo varia de acordo com a fase que a pessoa esteja passando e sofre variações ambientais. Os quatro padrões são:

  • Tom Jobim Hanger: Anda como se estivesse flutuando, com imensa flexibilidade. Criativo, o hang é um conectador de velhas e novas idéias, sempre ávido por novidades. Ele necessita se movimentar para aprender qualquer coisa. É conhecido como desligado. É capaz de deixar roupas no chão porque se sente conectado a tudo a sua volta. É curioso e não segue regras. Um exemplo é o maestro Tom Jobim. Somente um hang para tocar piano sem se importar com a desarrumação dos cabelos, como na foto a seguir. Uma frase sua que denota a linguagem hang: “Quando eu era criança, era melhor. Ficava dedilhando as teclas do piano, descobrindo notas e brincando de agrupá-las. Criando novos sons. Mas depois o piano virou trabalho e tudo quanto é trabalho dói.”
  • Hebe Camargo Swinger: Seus movimentos têm gingado como o seu pensamento numa ação de fluxo e refluxo. Ele está sempre no meio de pessoas, é excelente em trabalhos de equipe que exigem interatividade. É brincalhão, fanfarrão, um contador de histórias. Reconhece os sentimentos alheios e se envolve emocionalmente com facilidade. Gosta de tudo bem colorido. Nunca o ataque pessoalmente porque ele vai se sentir ferido, mas também não guardará mágoa. A apresentadora do SBT Hebe Camargo é uma swinger. Na foto a seguir, toda preparada para torcer para o Brasil da varanda de sua casa, Hebe está mais colorida do que nunca e ainda diz que “Quero que os vizinhos vejam e participem comigo”, numa interatividade total.
  • Rita Lee Thruster: Impulsivo, conhecido como estabanado, rompe caminhos na multidão e corta pessoas numa conversa. Ele busca atalhos no entendimento da informação. Voltado para a produção, não visa a perfeição de detalhes, o que conta é o resultado. É objetivo e se acha o melhor. Aprecia desafios. Se o outro não corresponde, passa a ignorá-lo. Gosta de cores mais neutras possíveis, com uma certa assimetria. Rotula coisas e pessoas ou então não as reconhecerá como sendo suas. É possessivo. A cantora Rita Lee é thruster. Ela desafiou o mundo machista do rock no início da carreira e ainda uma “ditadura linha-dura”, como diz.
  • Cláudia Raia Shaper: Sua postura é ereta como se tivesse sido programado para ficar daquele jeito. Para os outros ele parece andar de nariz empinado. Metódico, organizado e analítico, para ele cada coisa tem seu lugar. Tem um pensamento seqüencial e segue regras com facilidade. É extremamente detalhista e busca a perfeição. A atriz Cláudia Raia é shaper. Não só na foto a seguir, mas também em seus trabalhos em telenovelas, podemos reparar sua postura ereta e balanceada. Esta foto é da festa do primeiro aninho de seu filho Enzo, lógico, organizada por ela.

Nos Estados Unidos, este curso é ministrado regularmente na Universidade East Stroudsburg, além de ser difundido na Europa, onde é apresentado pelo menos uma vez por ano, por profissionais americanos. No Brasil, a médica neurolinguista Maria Iris Lo-Buono Moreira de Souza Lima, após dois anos de preparação e desenvolvimento com estes profissionais, é pioneira neste treinamento, que ganhou forma com o título de “Você Pensa Como Anda”.

O curso “Você pensa como anda” é dado há oito meses em Juiz de Fora e Belo Horizonte. É teórico-prático. Nele o participante aprende a reconhecer os padrões através da movimentação dos braços, de danças, da linguagem, das artes, da arquitetura, entre outros, diminuindo as barreiras de comunicação. São aplicados testes de áreas como o reconhecimento de liderança, as múltiplas inteligências e a criatividade.

Maria Iris Lo-Buono é médica nutróloga, proficiente em comportamento humano como Master Practitioner em modelagem humana e Advanced Trainer em Business and Educational Applications, pelo Southern Institute of Neurolinguistic Programming da Florida e pela Society of Neurolinguistic Programming. Seu telefax é (032)215-3001.

Colaboração: Luciana Lima
Estudante do 6º período de Jornalismo
da Facom, UFJF