Baixa auto-estima tem origem na infância

14/06/99
Crianças pouco incentivadas na infância e que, por isso, não aprenderam a lidar com os seus erros e acertos, são candidatas a sofrerem de baixa auto-estima na vida adulta, segundo a psicóloga Mírian Bisaggio. Essa doença, cada vez mais comum, pode ser diagnosticada quando se verifica que a pessoa não consegue enfrentar os problemas, evitando tudo e todos, fugindo das situações, dando desculpas e transferindo para os outros a responsabilidade por tudo de errado que lhe acontece.
Depressões fortíssimas, fobias, incapacidade de buscar saídas para os problemas e até dependência química estão na lista dos principais sintomas. A auto-estima baixa faz com que a pessoa, de forma inconsciente, se julgue incompetente por não saber administrar a sua capacidade, o seu poder interno. Mírian afirma que a incompetência não é uma condição, mas um estado momentâneo que o indivíduo pode estar atravessando, causada pela baixa auto-estima.
Essa doença psicológica, lembra ela, não escolhe sexo, idade ou classe social. "Todos nós estamos sujeitos a ela, depende, somente, da capacidade que temos de lidar com os problemas". Para aumentar a auto-estima de seus pacientes, Mírian aconselha trabalhar o auto-conhecimento. "A pessoa tem que descobrir como está atuando no dia a dia, quais são as suas incompetências, para saber lidar com elas".
Nesse processo, um dos pontos considerados fundamentais, para se obter um bom resultado, é saber lidar com as críticas e não se deixar magoar facilmente. "Trabalho no sentido de o paciente entrar em contato com os seus recursos internos. É um exercício de tomada de consciência, tentando administrar o que pode ser aproveitado. O caminho é olhar para fora e ver como as pessoas lidam com os problemas", ensina.
A educação atual, segundo Mírian, tem sua parcela de culpa na baixa auto-estima e deveria ser revista. Ela acredita que o modelo peca por ser paternalista e não valorizar as diferenças. "Nem só os acertos devem ser valorizados na escola, mas também os erros, para que depois eles sejam corrigidos". A psicóloga ressalta que, muitas vezes, o aluno erra, se frustra, e a escola não mostra o que levou ao problema. "Isso acaba permanecendo durante toda a vida.
Somos educados para o mercado. Há um auto-gerenciamento com o objetivo de alcançar esse mercado. Não nos ensinam a valorizar as diferenças, nem a ver o quanto somos responsáveis por alguns problemas. Por causa disto, esse tipo de educação é uma das responsáveis por vários problemas de caráter psicológico", conclui.
Colaboração: Zilvan Martins,
estudante do 6º
período
do curso de Comunicação Social
da UFJF.
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