Crianças e idosos são as maiores vítimas
23/06/99
A queda na temperatura fez com que hospitais e clínicas sofressem
fenômeno inverso. As doenças respiratórias levaram diversas pessoas à
procura do socorro médico. Só no Instituto da Criança e do Adolescente
(ICA), onde eram atendidos cerca de 8 mil pacientes por mês, o número subiu
para 9,5 mil e tem previsão de aumentar ainda mais até o final da
estação.
Segundo o diretor do Instituto da Criança e do Adolescente, o médico Antônio Aguiar, o ar quente se desloca para camadas mais altas da atmosfera provocando um resfriamento na superfície. Nessa concentração de ar frio, há uma maior quantidade de partículas virais, bacterianas e poluentes. Muitas dessas partículas, explica, por questões biológicas, se desenvolvem com mais facilidade no frio.
Além da baixa temperatura, outros fatores contribuem para o aumento
das doenças respiratórias nessa época. No frio, há uma mudança de costumes.
As pessoas ficam mais aglomeradas em ambientes fechados facilitando a
disseminação desses microorganismos. Aguiar lembra, ainda, que o cigarro
torna-se ainda mais prejudicial. “O fumo traz males para quem fuma e para
quem está perto, que é considerado passivo”.
Os mais atingidos nesse período, segundo o médico, são as crianças, pois o sistema imunológico ainda é imaturo. “O organismo ainda está conhecendo e catalogando aqueles microrganismos como agressores para poder produzir uma resposta eficaz quando tiver um novo encontro pela frente. A defesa ainda está sendo formada”, ressaltou.
Junto com as crianças, os idosos também são os mais atingidos. Nesse caso, ocorre o contrário: o organismo já está envelhecendo e há um decréscimo da função imunológica. “Esses grupos são os que precisam tomar mais cuidado”, aconselha o médico. Mesmo com a prevenção, pode ser difícil evitar as doenças respitatórias, segundo o diretor do ICA. “O ideal é atenuar os efeitos das doenças respiratórias impedindo que elas se transformem em algo mais sério, como uma pneumonia”.
Cuidados para driblar as doenças respiratórias:
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![]() O site da Sociedade Brasileira de Alergia & Imunopatologia tem mais informações. |
Medicina alternativa ou não?
Chás, mel e própolis são artefatos que várias pessoas usam para evitar as doenças respiratórias. Dentro do ponto de vista médico, elas não têm qualquer ação prática. Mesmo reconhecendo que o alho tem propriedades imunológicas e que a vitamina C protege as células, quando a doença já está instalada no organismo, essas medidas não são tão eficazes, na opinião do médico Antônio Aguiar.“Se você é uma pessoa que se alimenta bem, que não fuma, enfim, que se cuida, o seu resfriado será de menor gravidade”, declara. Na maioria das vezes, essas doenças são auto-limitadas, ou seja, acabam espontaneamente após um tempo de duração. “ Nas pessoas que não se cuidam, com certeza, pode passar de um simples resfriado para uma sinusite ou uma pneumonia”, observa Aguiar.
As medidas alternativas podem acabar se tornando ação de suporte ou atuando como fonte de energia. Segundo o médico, o chá de alho tem função expectorante (melhora na eliminação de secreções), já o mel é pura ingestão de glicose. “Essas medidas alternativas podem surtir efeito ou não, isso vai depender do estado orgânico da pessoa e do agente que está causando a doença”, lembra.
Os tratamentos homeopáticos, por sua vez, podem surtir efeito dependendo do estágio da doença. Em alguns casos, o próprio médico vai indicar um alopata, pois pode ser preciso medidas mais drásticas, como utilização de oxigênio, nebulização ou até mesmo hospitalização. O ideal, segundo Aguiar, é a interação entre as ações.
Colaboração: Ana Carolina Cobucci
estudante do 6º período
do curso de Comunicação
da UFJF.
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