Saúde

Ginástica em excesso faz mal à saúde

Como evitar a vigorexia

Pesquisas comprovam que qualquer atividade física, quando aliada a uma dieta alimentar saudável, pode evitar enfarto, problemas respiratórios e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Mas, quando realizada em excesso, traz resultados indesejáveis. O exagero em praticar exercícios pode transformar a pessoa em um vigoréxico.

13/10/99

O que é vigorexia

A vigorexia é uma doença caracterizada pela obsessão em malhar exageradamente com o objetivo de aumentar a massa muscular. Nunca satisfeito com o corpo, o vigoréxico se comporta como uma espécie de viciado. Acha que não está perfeito, não sai de casa para não ser visto, come obsessivamente o que considera indispensável para o seu desenvolvimento muscular, satura-se de complementos vitamínicos e até mesmo de anabolizantes e hormônios.

Professor descreve exageros e recomenda exames

O professor Iedo Júnior, da academia Forum, diz que o ideal são duas horas por dia de academia, quatro vezes por semana. "Mais que isso é considerado um exagero", diz ele. Segundo o professor, as mulheres começam a malhar em outubro para estarem em forma em janeiro. Isso faz com que elas fiquem mais tempo realizando todo tipo de exercício, pensando que irão resolver o seu problema mais rapidamente.

Iedo diz que, desta forma, estas pessoas estão ultrapassando seu limite e, ao invés de melhorar, podem prejudicar-se. "Não adianta fazer todas as atividades de uma vez só. Isso não significa que a pessoa vai atingir seu objetivo", alerta o professor.

A estudante Dileuza dos Santos pratica exercícios há 5 anos e confessa que não consegue ficar sem ir à academia. "Eu malho três horas por dia e, se fosse possível, freqüentava a academia até aos domingos" afirma ela. Dileuza diz que, inclusive aos domingos, sai de casa para caminhar, tamanha é a vontade de estar sempre em forma.

Antes de iniciar as atividades físicas, o aluno tem que passar por uma série de exames (funcional, médico, fisioterapêutico e teste de adaptação). A partir daí, de dois em dois meses uma nova avaliação é feita para verificar o condicionamento físico da pessoa. O professor Iedo diz que exames como estes são importantes e que, através deles, é possível perceber se o aluno está realizando as atividades corretamente. Ele conta que, apesar disso, existem pessoas que, mesmo recebendo orientação, querem sempre fazer mais do que o recomendado pelo professor e acabam sofrendo as conseqüências.

Fisioterapeuta alerta para lesões, estresse e depressão

A fisioterapeuta e professora da Universidade Federal de Juiz de Fora, Cyntia Schmitz explica que, ao realizar uma atividade física, a pessoa tem uma sensação de prazer liberada pela endorfina, "uma substância produzida pelo organismo e que pode ser liberada quando praticamos exercícios". Para a fisioterapeuta a vigorexia é prejudicial pois, além de outros males, pode causar lesões pelo esforço. "Mesmo com lesões, a pessoa nesta situação não consegue parar de malhar ou deixar de ir à academia. Quando consegue, fica deprimida e angustiada". A vigorexia, segundo ela, pode também provocar estresse e depressão.

Além de moderação na prática dos exercícios, Cyntia diz que é importante uma atividade física orientada. "Se a pessoa realiza uma atividade física mal orientada, as conseqüências serão piores do que se ela não tivesse feito exercício algum".

Cura inclui tratamento psicológico

Quando alguém chega a ficar obsecado por malhar, não basta proibi-lo de praticar exercícios. Além de uma boa orientação, é necessário um tratamento psicológico. A psicóloga Neila de Almeida atribui à massificação psicológica, social, econômica e física pela qual passa a sociedade atual como uma das causas da doença.

Segundo ela, "homens e principalmente mulheres não vêm suportando o conflito entre a imagem de si e a imagem que gostariam de possuir." Ela afirma ainda que "o preço de tentar se aproximar ao biótipo da Adriane Galisteu, da Tiazinha ou de uma das beldades do "Tchan" pode ser alto quando não fatal." Para a psicóloga, é possível evitar que a vigorexia ataque a pessoa se ela se aceita e busca a felicidade sem afetar seu bem-estar físico e psicológico.

Leila diz que o "bom mesmo é estar feliz e de bem com a vida, não nos esquecendo de que somos produtos de uma cultura que importa padrões de beleza". Segundo ela, "é importante lembrar que somos sujeitos e o que precisamos é oxigenar nossos sonhos e nossa alegria de viver, de sermos humanos e não deuses."

Colaboração: Ludmila Gusman,
estudante do 6º período
do curso de Comunicação Social
da UFJF