Ter uma piscina em casa está deixando de fazer parte apenas da vontade e está se transformando
em realidade, mesmo que seja no projeto arquitetônico. Segundo o
arquiteto Carlos Gouvêa Júnior, na maior parte dos projetos feitos por
ele e sua sócia, os clientes pedem a previsão de uma piscina.
"Nos últimos três meses, todos os projetos que fizemos tinha a previsão da piscina e da área
de lazer."
Na maioria dos casos, a área da piscina não é construída logo após o término da residência,
o que é explicado pelo alto investimento. "O alto valor não está só na execução, mas, também,
na manutenção"
, diz.
Outro fator que provoca a elevação no valor da obra, é o fato de uma área de piscina não ser composta apenas
por ela. "Piscina tem que ter elementos que combinam com ela, dando um clima de verão"
,
explica ele. Os elementos que vão dar esse clima são espreguiçadeiras, pedras,
decks de madeira, quiosque e uma área de churrasqueira.
As áreas cobertas são importantes nesses casos. Assim, as pessoas podem fugir
do sol forte sem sair do clima. Carlos Júnior diz que o ideal para compor esse
ambiente é mesclar a grama, com o deck de madeira e um tipo de pedra mais clara. Entretanto,
seria interessante deixar a grama somente como composição, distribuindo as pedras
sobre elas para que não seja necessário pisar na grama. "Por mais limpa que seja,
acaba sujando a piscina, pois sempre há terra."
Outra dica do arquiteto é colocar coqueiros, quando a área é muito aberta. "Eles
dão uma sensação de verão, de um ambiente praiano."
Mas ele chama a atenção para o fato de
que este tipo de árvore é ideal para locais bem abertos para não tampar o sol.
Mais próximos à piscina é recomendável usar uma vegetação mais baixa, com folhas que não caiam
muito e não sujem a piscina.
A arquiteta Juliana Mara diz que, se o objetivo for dar ao espaço um caráter
de área de descanso, seria interessante aliar uma banheira de hidromassagem ou um ofurô à piscina.
"Assim, é interessante colocar um deck de madeira entre eles. Se colocar pedra, é importante escolher uma que
não esquente muito, como a São Tomé"
, completa.
Juliana diz que as piscinas podem ser instaladas em qualquer local, desde que, antes,
alguns detalhes sejam observados. Ela explica que a primeira providência é verificar
o local para ter mais informação sobre o subsolo. "Tem que observar se há alguma rocha
no meio do terreno ou lençol freático. Se for em uma casa já construída, essa
sondagem é importante para detectar a presença de tubos de água e esgoto no local"
, diz.
Os dois arquitetos apontam soluções para quem mora em apartamento. Juliana diz que
é importante procurar o engenheiro estrutural do prédio ou um outro profissional da
área. Só eles vão poder dizer se é possível adaptar a piscina. "O peso dela causaria um
impacto muito grande na estrutura do edifício."
Carlos Júnior completa, dizendo que, neste caso, as piscinas de azulejo não são recomendadas.
"Corre-se o risco de haver infiltração."
O ideal é a adaptação dos modelos de fibra de vidro
ou de vinil. "As de fibra são mais leves, mas com o tempo elas trincam e podem começar
a vazar"
, esclarece. Uma solução é colocar uma banheira de hidromassagem.
"Ela pode ser usada com as duas funções. Neste caso, o ambiente fica mais íntimo."
Ele alerta que a adaptação de piscinas em coberturas precisa ser bem planejada,
pois pode ser um investimento de risco. Como não se pode furar o piso, é preciso
fazer uma elevação. Por isso a piscina não pode ser muito profunda. "O ideal é que
tenha até um metro de profundidade. Se for maior, vai ter que construir muitos degraus
ou níveis na cobertura para a pessoa ir subindo e não perceber."
Outro ponto é fazer a
impermeabilização adequada. "Se começar a vazar tem que tirar tudo e nem sempre
descobre-se onde está a trinca."
O tipo de piscina vai depender da necessidade de cada um. "Se dez pessoas vão
usar, não há porque colocar uma piscina pequena"
, diz Carlos Júnior. Outro ponto é
levar em consideração o tamanho do terreno. "Se o espaço é de 35 m², não se deve
construir uma piscina com 30 m²"
, completa ele.
Juliana diz que outros fatores também são levados em consideração no momento da escolha,
como o local, a durabilidade, o tipo de acabamento, o valor do investimento, o formato
diferenciado e o custo da manutenção.
A mais cara e mais trabalhosa para adaptação é a piscina de concreto. "Tem que
cavar o buraco, fazer a armação de ferro,
colocar o concreto, impermeabilizar, revestir e rejuntar. O revestimento tem que ser próprio
para piscina, que ofereça pouca absorção de água"
, lembra Carlos Júnior. Entretanto, há
a possibilidade de serem construídas em formatos diferenciados e, se bem feitas, têm vida longa.
"Sendo bem construídas, compensa"
, diz Juliana.
As de vinil têm uma base de alvenaria e filme de PVC. Entre as vantagens estão a
facilidade na instalação e a possibilidade de ser no tamanho e formato que o cliente desejar.
"Com a manutenção correta, a durabilidade é grande"
, completa Juliana.
Para aumentar a vida útil, uma dica da arquiteta é tomar cuidado com os objetos cortantes
para não estragar o PVC.
Os modelos de fibra de vidro são os mais comercializados. Como vêm prontas, não há a opção de escolher um formato diferenciado. Segundo Juliana, a durabilidade está em torno dos dez anos e a instalação também é rápida. Uma dica é escolher as fibras mais grossas, o que contribui para aumentar o tempo de uso.