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    Nome do Colunista Luiz Henrique Duarte 3/06/2016


    O Museu Mariano Procópio

    O maior e o mais perpétuo dos registros, inerente a qualquer ação ou tentativa, seja de uma simples afirmação de fatos ou acontecimentos que possam remeter à evolução de uma época são os legados deixados por um período histórico. Os legados, muitas vezes, ratificam os hábitos e costumes, que ditaram a hierarquia de uma sociedade em conjunto com a sua riquíssima cultura artística, patrimonial e social.

    Atualmente, recebemos a influência e a propagação das reminiscências, através de um acervo histórico, inócuo ao tempo, mas que retroage para acrescentar referências da arte, arquitetura, ciência, design, música, paisagismo e poesia, como diretrizes contemporâneas para profissionais de diversas áreas absorverem conhecimentos e inspirações, além de filósofos, historiadores e formadores de opinião, que buscam alicerces com legitimidade e bases sólidas.

    Dentro do cenário urbano, nos domínios da cidade de Juiz de Fora, que comemora 166 anos de sua existência e progresso, e já recebeu outras denominações, até a atual designação, através da Lei 1.262, de 19 de Dezembro de 1865, está o imponente Museu Mariano Procópio, fundado por Alfredo Ferreira Lage e doado para o município em 1936.

    O seu acervo histórico é um dos mais importantes do nosso país, de relevância internacional, apresentando cerca de 53 mil itens em seu acervo, onde as famosas e requisitadas pinturas já podem ser apreciadas on-line, para atender o caráter enciclopédico e possibilitar uma gestão do patrimônio cultural, com um banco de dados compatível com os padrões internacionais e atualizações automáticas.

    Os documentos, fotografias e a história natural (vinculado ao início da coleção formada pelo fundador do Museu), englobam as peças deste significativo acervo, que permite mostrar a supremacia de detalhes e fatos da história brasileira, buscando retratar as suas memoráveis personalidades. O mobiliário, artes decorativas, biblioteca, cristais, joias do século XIX, porcelanas, medalhística, numismático, ainda figuram entre os itens qualitativos.

    A restauração dos prédios históricos ainda prossegue, utilizando técnicas necessárias para propagarem os processos de preservação e recuperação, de todo o conjunto do patrimônio arquitetônico, englobando os minuciosos detalhes da construção histórica memorável. Observar esta atmosfera indescritível é mergulhar com emoção e o fascínio para manter viva a identidade deste patrimônio cultural, que emerge em sua totalidade.

    O diretor do Museu Mariano Procópio, Douglas Fasolato, exímio conhecedor deste patrimônio cultural e de toda a sua história, acompanha cada detalhe efetuado e concretizado em sua gestão, com um domínio de cada ação realizada. O diretor explica que: "existe um estatuto de museus e cartas patrimoniais que geram a intervenção de um bem histórico. Existe a necessidade contemporânea do público, e o museu tem que estar qualificado para atendê-lo. Nós não estamos apenas preservando para o futuro, mas temos que preservar, restaurar e intervir, para garantir as gerações presentes, promovendo ações culturais, educacionais e científicas".

    A Villa, onde está situado o prédio do Museu foi construída em 1861, como chácara para a família de Mariano Procópio, e já hospedou o Imperador D.Pedro II em visitas à cidade e região. Em 1922, Alfredo Ferreira Lage inaugurou o prédio em anexo, abrigando a galeria de artes. A arquitetura dos prédios, constituídos em tijolos maciços aparentes, em estilo neo-renascentista italiano, compõe as principais obras do século XIX. Os medalhões em terracota e os vasos ornamentais, assim como as escadarias históricas, configuram entre os elementos artísticos que merecem destaque.

    As fontes d’art e chafarizes podem ser contemplados por todos os visitantes ao som delicado e intrépido das águas como o busto de Mariano Procópio e as esculturas em mármore branco, de grandiosa representatividade para esta majestosa paisagem externa.

    O verde fascinante percorre os domínios do parque do Museu, reconhecido como " Patrimônio Histórico Brasileiro", através do " Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional " (IPHAN). O frescor de toda a flora compõe o paisagismo cultural, projetado pelo francês August Glaziou, e pode ser admirado entre os caminhos revigorantes das alamedas, através das coleções de várias espécies apreciadas e introduzidas por Mariano Procópio.

    A importância deste patrimônio histórico e cultural para a cidade é de grande relevância: "ele não é só importante, mas uma das poucas oportunidades da cidade em ter uma visibilidade além de seus limites geográficos, mais do que isso, ele pode ser um fator de desenvolvimento, ele pode alavancar a economia da cidade", enfatiza o diretor Douglas Fasolato. O Museu, também está trabalhando para expandir a sua área de reconhecimento, "como por exemplo, no plano museológico que estamos em conclusão. Ele vai ser um Museu também de território, vai explorar a potencialidade de uma das obras mais importantes do patrono do Museu, que é Mariano Procópio, com a implantação de uma rota cultural, Petrópolis - Juiz de Fora, que beneficiará todas as cidades que estão ao longo de seu trecho principal, assim como os ramais que fazem parte destas cidades, valorizando o patrimônio cultural e o imaterial", explica Douglas.

    A exposição "Recordações da Viscondessa de Cavalcanti" está acontecendo no Museu Mariano Procópio, na qual contempla com imagens de seu leque histórico, registros de personalidades coletados por ela, cujo nome é Amélia Machado Coelho, entre 1890 e 1945. Entre os autógrafos, assinaturas, desenhos, depoimentos e pinturas estão nomes expressivos, como Machado de Assis, D.Pedro II e o Barão Pierre de Coubertin, que recriou os Jogos Olímpicos modernos.

    "A Viscondessa, é uma personagem internacional, ela morou parte de sua vida na Europa, onde se notabilizou e ainda no Brasil, se tornou um destaque nos grandes salões brasileiros, na década de 70 ela já tinha um museu no Rio de Janeiro", argumenta Douglas.

    O Museu Mariano Procópio, está entre os vinte primeiros museus brasileiros aberto ao público, como privado, um " Museu Nacional ", dentro da cidade de Juiz de Fora. A estimativa para a sua abertura, quando ocorrer o reinício das obras que estão paralisadas para atender a um projeto que não estava previsto, são de oito meses, mas ainda faltam recursos para a sua conclusão, o que é previsível em uma obra de restauração.

    Entretanto, é notório para o país e para a cidade de Juiz de Fora o grande valor da representatividade cultural e patrimonial em que configura o Museu Mariano Procópio. Ele representa muito mais do que cultura, história e tradição. São os sentimentos de vanguarda, memórias, que só através de olhares capacitados e do empreendedorismo, resultará em prosperidade para todos os setores da educação e do turismo, em um reluzente futuro, que está de fato, muito mais que presente e vivo em todas as gerações pertinentes. Memória viva, é memória preservada!

    No breve correr dos dias, sob o azul do céu, tais são, limites no mar da vida, saudade ou aspiração, ao nosso espírito ardente, na avidez do bem sonhado, NUNCA O PRESENTE é PASSADO, NUNCA o FUTURO é PRESENTE. - Machado de Assis

    As fotos de Angeliza Lopes Aquino registram.

    Agradecimentos:

    Douglas Fasolato (Diretor do Museu Mariano Procópio)


    Luiz Henrique Duarte é Bacharel em direito, designer de interiores graduado, jornalista apaixonado por arte clássica e contemporânea, boa música, arquitetura e tudo relacionado à estética do bem viver.

    Os autores dos artigos assumem inteira responsabilidade pelo conteúdo dos textos de sua autoria. A opinião dos autores não necessariamente expressa a linha editorial e a visão do Portal ACESSA.com

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