Casa

JF segue tendência de condomínios fechados As construtoras não estão conseguindo atender à demanda do mercado

Daniele Gruppi
Repórter
17/03/2008

O segmento de construção civil é um dos que mais cresce no Brasil e em Juiz de Fora não é diferente. A todo momento observamos anúncios de lançamentos de novos imóveis na cidade. Mesmo assim, a professora responsável pelo Departamento de Construção Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Maria Tereza Gomes, afirma que há pouca oferta diante da demanda.

"Tenho 18 anos de formada e é a primeira vez que vejo a construção civil numa boa fase. Um dos fatores que podemos ressaltar para a grande procura por imóveis é a economia que está caminhando com boas perspectivas. As pessoas estão podendo investir. Tenho receio de que a inflação volte e o governo não consiga controlar, pois um setor é reflexo direto do outro". Outra razão mencionada pela professora é a facilidade de financiamento que os bancos estão oferecendo para a aquisição de casa própria.

Para Juiz de Fora há ainda outra explicação. "A cidade cresceu. Cerca de 13 faculdades se instalaram aqui. Está se transformando em um local de estudantes. Praticamente, não se acha apartamento de um e dois quartos, nem para comprar e nem para alugar. As construtoras não estão dando conta de atender o mercado".

foto de uma obra foto de um prédio sendo construído foto de uma obra

Devido a esta demanda, em seis meses o preço de residências na cidade aumentou de 20 a 30%, dependendo do imóvel. "Um apartamento de dois quartos que custava R$ 70 mil, já está cotado em R$ 100 mil", revela.

Segundo o corretor de imóveis, Júlio César, há um aquecimento geral no mercado de imóveis, que deve perdurar por mais um ano. "Não há oferta de apartamentos a preços baixos". Para ele, a vinda de condomínios com estruturas mais elaboradas para Juiz de Fora também puxa o preço para cima.

Tendências das grandes cidades

O lançamento de condomínios fechados que oferecem várias opções de lazer, como quadra poliesportiva, academia de ginástica, piscina e sauna está pipocando. Segundo Maria Tereza, trata-se de uma tendência das grandes cidades, que Juiz de Fora está seguindo.

"Como o deslocamento nos grandes centros está ficando cada vez mais difícil, os condomínios estão disponibilizando infra-estrutura para que as pessoas não precisem sair de suas casas", explica.

Júlio César afirma que não havia em Juiz de Fora residências com tal estrutura. "Existia ameaças". Para ele, a probabilidade desses empreendimentos vingar é grande. "Tem tudo para dar certo. Significa mais segurança e mais privacidade para os moradores".

foto de um prédio sendo construído foto de um prédio sendo construído foto de um prédio sendo construído

A professora diz também que há dois anos é que essa proposta vem sendo apresentada na cidade, mas que a aceitação é mais recente. "Aqui consideramos estes edifícios como sendo de auto-luxo, pois Juiz de Fora tem facilidades não encontradas nas metrópoles, e as pessoas que vão adquirir as residências nesses lugares têm poder aquisitivo melhor, então o nível de exigência aumenta. Os materiais usados são de melhor qualidade e, portanto, o custo da obra também é mais alto".

Segundo Júlio César muitos desses condomínios vão ser edificados em bairros da Zona Sul, como é o caso do Estrela Sul, que vai receber várias dessas construções. "A localização dos imóveis residenciais está se afastando do centro, o que também é uma tendência. Alguns desses locais onde estão sendo instalados os prédios já são considerados para o juizforano bem longe do centro", ressalta Júlio.

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