Tudo o que as pessoas mais querem mais querem é ter paz. Em dias tão corridos, os indivíduos fazem o que está ao seu alcance para conseguir harmonizar sua rotina e garantir sua qualidade de vida, mas...será que estamos fazendo tudo mesmo?
Segundo o arquiteto Fabiano Tavares (foto abaixo) é possível começar esse processo de harmonização dentro de casa. Fabiano é especialista em feng shui e afirma que não existem energias boas e ruins em um ambiente.
O que interfere na vida das pessoas é como elas lidam com as diferentes formas de energia a que estão submetidas todos os dias nos diversos locais os quais freqüentam.
"Todas as coisas têm uma energia e nós podemos fazer com que elas não nos
prejudiquem
ou, ao menos, evitar a interferência delas, quando possível"
,diz. Fabiano explica
que o grande problema é ficar constantemente sob a influência de uma mesma energia
por muito tempo.
"Isso acaba prejudicando. É como o raio x, é uma energia que se for usada sob
a pele muitas vezes seguidas, pode causar um dano terrível. E não estou falando
em termos exotéricos, são malefícios físicos mesmo"
.
Fabiano ensina que cada ambiente da casa se destina a uma função, sendo assim, é preciso que as energias existentes ali contribuam para que essa função determinada seja exercida com excelência.
Mudar os móveis, apenas, não adianta. É preciso que a mudança seja realmente benéfica para aqueles que passam parte do seu tempo naquele local. Algumas questões são profundas e precisam da avaliação específica de um especialista, mas algumas dicas podem ser úteis na hora de decorar um espaço.
Para a sala, a principal dica que Fabiano dá é que o espaço da sala seja fluido,
sem muitos obstáculos no caminho de quem passa. "Muitas vezes a gente coloca
móveis e objetos desnecessários na sala e isso acaba atrapalhando a fluidez das
energias"
.
O ideal é que sem mantenha ralos, tampa do vaso sanitário e portas sempre fechadas, evitar rachaduras em espelhos e sanar todos os problemas como goteiras e vazamentos.
Evitar colocar a geladeira próxima do fogão para que não haja grande consumo de
energia. "Postos juntos pode causar atritos. Além disso, não é nada prático porque
as frituras vão engordurar toda a geladeira"
. Outra dica é colocar o fogão em
uma posição que não deixe a cozinheira de costas para a porta de entrada. "Se
ela fica de costas, desvia a atenção do preparo da comida toda vez que fizer um
barulho diferente na porta"
.
Quanto à copa, Fabiano aconselha que ela não esteja em local de passagem entre a
cozinha e a área de serviço. "Esse é um ambiente extremamente familiar e é bom
que seja preservado de outras interferências"
.
A única dica em relação a esse espaço é evitar o acúmulo de roupas sujas e serviços
por fazer. "Quando você deixa as coisas bagunçadas, leva tempo para se organizar,
é energia sendo dissipada com sensações ruins"
, diz.
A principal orientação quanto ao quarto é em relação à disposição da(s) cama(s).
Elas nunca devem ser colocadas com a cabeceira de costas para a porta porque isso
gera insegurança e interfere no sono. "Se você está deitado de costas para
a porta, a pessoa que chega te vê primeiro, o seu inconsciente entende que o
perigo é maior se não consegue ver a porta, isso faz com que você não durma como
tem que dormir"
, explica.
Outro detalhe importante é não colocar muitos aparelhos eletrônicos como
TVs,
computadores e celulares dentro do quarto, em especial, perto à cabeceira da cama
porque isso interfere na qualidade do sono. "Uma TV no quarto, por exemplo,
por mais que você consiga dormir, está recebendo as ondas do que está sendo passado.
Filmes passam emoções e a pessoa recebe isso enquanto dorme, por isso o sono
não é como deveria ser"
.
As cores fortes também devem ser evitadas, em especial no quarto das crianças. Esse
deve ser pintados nas cores primárias e em tons pastel. "Já foi comprovada a
interferência das cores no emocional das pessoas. Se você gosta muito de uma
cor forte, então coloque-a em um local em que não fique vendo toda hora, como
a cabeceira da cama, por exemplo"
, ensina.
Fabiano enfatiza que a desorganização é uma forma a mais de desprender uma energia
que poderia ser gasta de uma maneira mais prazerosa. "Bolsa de mulher é um
excelente exemplo. É sempre uma bagunça e quando o celular toca é uma luta até
achar. Quando encontra, a mulher normalmente já está nervosa, estressada ou seja,
o tempo que ela poderia gastar ao telefone em uma conversa agradável ou mesmo
solucionando algum problema, perdeu tentando achar o celular e se estressando"
.
O arquiteto garante que ser organizado é uma questão de investimento, mas admite
que é possível ser feliz na desordem porque a bagunça é cômoda. "Quando você
vive numa situação de desordem, não tem tempo para nada, nem para pensar na dor,
na solidão. A bagunça, nesse caso, é um paliativo"
.
Tudo o que está no meio externo é absorvido pelo indivíduo de alguma maneira
e uma hora, Fabiano garante, isso se manifesta. "Se uma pessoa está constantemente
em contato com energias negativas, ouvindo coisas negativas, uma hora vai estar
de guarda baixa e vai assimilar essas coisas"
.
O que vai diferenciar os indivíduos é a forma como eles lidam com essas cargas
negativas. Ou você escolhe manter o padrão ou decide mudar tudo, provar o contrário.
"A inércia é a maior força do universo. Se uma coisa está ruim, tende a ficar
ruim, até que alguma coisa reverta o quadro. O mesmo acontece quando tudo está
bem: por inércia, tende a continuar bem"
, reflete.
Fabiano explica que quando sentimos necessidade de mudar algo na casa ou no quarto
é porque algo mudou internamente e queremos refletir isso de alguma maneira. "Uma
casa primeiro mostra o que a pessoa é e depois tende a reforçar esse perfil"
,
comenta o arquiteto. Dessa forma, quando o ímpeto de mudar as coisas de lugar
vier, não deixe o instante passar, mude. O esforço pode ser grande, mas a
tendência é que seja recompensado.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social na UFJF