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Grupo de Dança Tarantolato
Preservação e tradição da cultura italiana em Juiz de Fora

Deborah Moratori
26/04/03

Com três anos de história para completar no próximo mês, o Grupo de Dança Folclórica Italiana Tarantolato tem muito a comemorar. Os integrantes acabam de ter seu projeto contemplado pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. Os recursos vão servir para contratar um coreógrafo para o grupo. "Na verdade, o projeto apresentado à Lei tem a intenção de fazer um tributo ao músico José Duduca Moraes", explica a diretora Cultural do grupo, Luzia Helena Casali de Moraes.

"Para quem não sabe, o Hino de Minas Gerais, composto pelo músico já falecido, tem inspiração em uma valsa italiana chamada Vieni sul mare. Quando ele ainda estava vivo, nós fizemos uma apresentação para homenageá-lo, mas nós sentimos a necessidade de ter uma pessoa mais especializada para ensaiar o grupo. Os recursos da lei vão servir para isso e para investir em novos trajes típicos", diz.

Os dançarinos do Grupo Tarantolato são, em sua maioria, descendentes de italianos ou pessoas que estudam a cultura da Itália. Nesses quase três anos, os coreógrafos já fizeram várias apresentações pela cidade e região e mantêm contato com grupos folclóricos do mundo inteiro.

Um pouco de história
O Grupo Tarantolato apresentações surgiu em 31 de maio de 2000, ano em que Juiz de Fora estava completando 150 anos. Na ocasião, alunos, professores e amigos da cultura italiana foram convidados para participar de um desfile, representando os imigrantes italianos da cidade. O desfile foi dividido em dois temas: um com os imigrantes que vieram para o Brasil após a abolição da escravatura com o objetivo de trabalhar nas lavouras de café e outro (que deu origem ao grupo) representando em trajes típicos os camponeses da Calábria, região ao sul da Itália.

"O desfile foi um sucesso", lembra Luzia Helena. "A partir daí surgiram inúmeros convites e nós acabamos criando o grupo que procura, nas apresentações, resgatar a cultura da Itália, homenagear os antepassados italianos e preservar e valorizar nossa memória". De acordo com a diretora, os italianos representam a etnia predominante em Juiz de Fora em termos de imigrantes que formaram a cidade.

A tradição está presente nas apresentações através das músicas e danças típicas como a tarantela, especialidade do grupo, as valsas, a mazurca, entre outras. O grupo se apresenta com dois trajes: camponês da Calábria e o festivo calabrês. Com todas essas referências, Luzia Helena diz que as apresentações acabam estimulando o grupo a conhecer e a estudar a cultura italiana, bem como a língua, hábitos e costumes gastronômicos.

Com 13 coreografias preparadas, o grupo se ensaia para apresentar mais duas novas na festa que vai comemorar os três anos de aniversário. Os ensaios acontecem todos os domingos na Casa d'Itália (Av. Rio Branco, 2585) onde os dançarinos se reúnem para treinar as danças. As apresentações são animadas e festivas e encerram sempre com um convite para a participação da platéia.

O grupo é composto por dez casais e está aberto à participação de novos integrantes, embora o número de pares seja restrito pela questão da disciplina durante os ensaios e quantidade de trajes, como explica Luzia Helena. (Basta ter pique para dançar a tarantela), finaliza a presidente do grupo, Mariza Fernandes Pinto Gomes.

De onde vem este nome?
Tarantella vem de tarântula, aranha comum no sul da Itália. O nome do grupo significa (picado pela tarântula) e tem origem numa lenda italiana. Reza essa lenda que as pessoas picadas pela aranha espantavam a melancolia provocada pelo veneno do animal com movimentos rápidos que originaram a dança tarantela. Esses movimentos faziam a pessoa eliminar o veneno pelo suor e, dessa forma, afastar a tristeza.

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