Cidade



Servidores federais ameaçam entrar em greve
Eles são contra as mudanças na Previdência Social

Ana Letícia Sales
08/04/03

Nesta terça-feira, dia 8 de abril, os servidores públicos da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), em conjunto com outros sindicatos, realizaram uma manifestação em frente à Câmara Municipal para protestar contra a Reforma da Previdência. O ato fez parte da paralisação de 24 horas, reunindo servidores técnico-administrativos, professores, representantes da UNAFISCO (sindicato dos auditores fiscais), Sinpro (Sindicato dos Professores de Juiz de Fora) e SISIPSEMG (Sindicato dos Servidores do Instituto da Previdência dos Servidores do Estado de MG).

Segundo o assessor da Associação de Professores do Ensino Superior (APES), Daniel Goulart, os servidores federais são contra o Projeto de Lei número 9 (PL 09) que especifica o fim da aposentadoria integral para os servidores e estabelece um fundo de previdência complementar. "Isso só vai retirar os direitos dos servidores. Se as mudanças no Projeto de Lei e as demais reivindicações não forem atendidas, há grandes possibilidade de greve dos servidores e professores federais por tempo indeterminado" alerta o assessor.

Para os servidores federais, a intenção do Governo não é reformar, mas privatizar a Previdência pública. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFJF (Sintufejuf), informa que, além da reforma da previdência, outros pontos integram a pauta de reivindicação. Entre eles, a cobrança da nova política salarial prometida pelo Governo. Os servidores da UFJF, querem a reposição de 46% referente à 1998. Já entre os profissionais da Receita, o percentual gira em torno de 25%. Os trabalhadores reivindicam a incorporação de gratificações em folha de pagamento e, no caso dos profissionais da UFJF, cumprimento de pontos do acordo firmado na última greve.

Audiência pública
Durante a manifestação, o presidente do Sintufejuf, Marcelo Rodrigues (foto à direita), informou que os sindicatos organizados do movimento já conseguiram marcar uma audiência pública para o dia 29 de abril, às 15h, na Câmara, com os vereadores.

"Nós estamos fazendo essa mobilização em frente à Câmara para chamar a atenção de toda a população, não só os servidores, para que haja uma conscientização do que a Reforma da Previdência pode significar", diz Marcelo. Os sindicatos esperam que os políticos da cidade se comprometam em auxiliar a causa dos servidores.


Agostinho Beghelli Filho, tesoureiro da APES, (fotos à esquerda) explica que todas as entidades reunidas na manifestação pedem o arquivamento do PL 09. "Se o projeto PL 09 começar a tramitar no Congresso, certamente será um indício de que a greve dos servidores federais vai começar. Essa é uma manifestação de alerta ao Governo Lula", conclui Agostinho.

Durante o dia, os servidores participaram também de uma assembléia e um Seminário sobre a Reforma da Previdência no Anfiteatro de Estudos Sociais da UFJF.