Projeto do Hospital Universitário garante oportunidade de trabalho a quem perdeu um membro do corpo. 80% dos casos
de trauma são acidentes com motos
Ricardo corrêa
Repórter
12/12/2005
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Para alguns, não importam os presentes que vão ganhar nesse natal. Para uns,
ele já foi conquistado. E, para outros é esse o principal sonho. Voltar a
andar, trabalhar, executar tarefas simples. Conviver em sociedade, recuperar
a auto-estima. Tudo isso passa pela cabeça de quem, por um acidente, ou
doença, encontrou pelo caminho a dura dor de uma amputação. São desse grupo
de pessoas os atendidos no Projeto Fisioterapia para Amputados de Membros
Inferiores, promovido pelo Hospital Universitário (HU), da UFJF.
A coordenação dos trabalhos é do professor da Faculdade de Medicina, Helton Geraldo Magalhães, o mesmo que fundou o projeto, em 1997. De lá para cá, foram mais de 140 atendimentos, com a ajuda de bolsistas de extensão do curso de Fisioterapia da UFJF. Entre esses bolsistas esteve o, hoje, médico, Paulo Godinho. Mesmo depois de formado, ele não se afastou do projeto que age recuperando física e psicologicamente os amputados de Juiz de Fora e algumas cidades da região.
De acordo com o médico, buscar a reabilitação dos pacientes amputados não significa necessariamente oferecer uma prótese. A idéia é devolver a ele as condições de se inserir e dar a sua contribuição à sociedade, como fazia antes da amputação.
"Nós buscamos a reabilitação total ou parcial do paciente. Claro que não quer dizer que ele voltará a ter o seu membro. Isso pode ser através de uma prótese, de muletas, cadeira de rodas ou andadores. O importante é trabalhar com esse processo de reintegração", explica Paulo, que diz que o maior desejo dos pacientes que chegam até o projeto é poder voltar a realizar tarefas simples.
"O paciente costuma chegar e dizer: ah, eu quero voltar a trabalhar como
cozinheiro. Então nós vamos trabalhar para dar a ele as condições de poder
voltar a realizar essa função", diz ele.
Apesar de não ser o principal objetivo do projeto, 25% dos pacientes atendidos receberam próteses durante o processo de reabilitação. Helton Magalhães explica que a obtenção de uma prótese pode acontecer de várias maneiras.
"A prótese é como um automóvel. Existem desde as mais simples até as mais sofisticadas", diz ele, ressaltando que no caso dos paciente atendidos no HU não há distinção. Desde os pacientes que podem comprar uma prótese e precisam ser preparados para utilizá-la até aqueles que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar esse desejo são atendidos.
Paulo Godinho explica que para utilizar uma prótese o paciente precisa de um treinamento e de um fortalecimento físico. "A protese não é igual a um tênis. Para usá-la o coto tem que estar preparado, forte, seco. Então, nós trabalhamos para preparar o corpo do paciente", explica o médico.
Recuperação psicológica
Mas o primeiro passo, o mais importante e o mais difícil para que se consiga
um bom resultado na recuperação dos pacientes não está no aspecto físico,
mas no psicológico. Isso porque as pessoas que sofrem este trauma costumam
chegar ao projeto com a auto-estima muito abalada.
"O lado psicológico deles fica lá embaixo. A amputação é um luto mesmo. Existe o enterro do membro, toda a dor e eles chegam sem perspectivas. Cerca de 90% deles chegam dizendo: 'ah, a minha vida acabou'. Então nós temos que mostrar a ele que não é assim, e que em alguns casos a vida dele pode até melhorar", explica Godinho.
A melhora na qualidade de vida, ressaltada pelo médico, pode
acontecer, principalmente, nos casos de amputação por problemas vasculares, o
que corresponde a 70% dos casos." A amputação, neste caso, significa o fim de
uma agonia e de vários problemas de saúde". Para fazer essa
recuperação psicológica o projeto encaminha os pacientes para o setor de
serviço social.
Causas das amputações
Como dito acima, 70% dos casos de amputação acontecem por causa de problemas
vasculares dos pacientes. Esse tipo de ocorrência é mais comum nos idosos, a
maioria homens. Os outros 30% dos casos se dividem entre traumas, tumores ou
má formação. Em relação aos traumas, os médicos perceberam que, nos últimos
anos, cresceu o número de casos de amputação de motociclistas. O crescimento
da utilização da profissão de motoboys, por exemplo, pode ter agravado este
fato. Com isso, boa parte do grupo de pacientes atendidos pelo projeto é
jovem, em sua maioria homens. "Hoje, 80% dos casos de trauma são referentes a acidentes com
motociclistas", explica Godinho.
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O projeto De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial possui alguma limitação física ou mental. Entre estes, 80% vivem nos países mais pobres e apenas 3% recebem algum tipo de tratameno ou reabilitação profissional, como acontece com o Projeto Fisioterapia para Amputados de Membros Inferiores. No início, o programa só atendia pacientes do próprio Hospital Universitário. Mas a maior divulgação e uma parceria com a Secretaria de Saúde fez com que o antedimento também chegasse até pacientes encaminhados pelo Pam-Marechal e outros interessados que passaram a procurar o hospital. Hoje até mesmo pacientes de outras cidades da região passaram a participar do projeto, pioneiro na Zona da Mata. Com isso, o doutor Helton Magalhães ressalta que poderia até atender mais gente caso tivessem mais espaço e mais bolsistas. Os amputados que estiverem interessados em ingressar no programa devem procurar o setor de Fisioterapia do Hospital Universitário, ou buscar informações pelo telefone (32) 3229-3074. |
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