JF registra maior tempestade do ano
Mais de 120 ocorrências de inundações e uma morte
na região sul de Juiz de Fora
Repórter
01/11/2006
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A natureza se manisfestou de forma brusca na madrugada de 01 de novembro, na região sul de Juiz de Fora. Uma tempestade atingiu os bairros Santa Luzia, Jardim de Alá, Ipiranga, Bela Aurora, Cidade Nova e Arco Íris por volta da 1 da manhã, ocasionando enchentes e destruição na maioria das casas, estabelecimentos comerciais e ruas da localidade. Carros foram arrastados pela enxurrada e muitos moradores foram surpreendidos pela água que invadiu suas residências enquanto dormiam. O córrego do bairro Santa Luzia transbordou e ocupou toda a pista e casas da Rua Ibitiguaia.

No bairro Ipiranga, uma senhora de 76 anos morreu com o desabamento de um muro próximo ao barranco de sua casa (veja as fotos abaixo). No momento do acidente, a aposentada Anita Bernarda Alves estava dormindo, foi atingida por um bloco de concreto e morreu na hora. Para os familiares, era quase impossível que dona Anita saísse do local com vida. "A chuva estava forte e eu resolvi dar uma olhada nas minhas filhas. Quando abri a janela, vi meu sogro acenando e pedindo socorro. Quando chegamos lá, já não havia como socorrê-la", relembra Marilene Maçal (foto abaixo à esquerda), nora e vizinha da vítima.
Só no período das 23h da noite de ontem às 14h30 de hoje, a Defesa Civil havia registrado 121 ocorrências em toda a cidade. Entre elas, casos de desabamento, enchente e estouro de bueiros. No bairro Cidade Nova, também houve a queda do muro de uma casa, na Rua Maurício Filgueiras, 339. Já na Rua Braz Antônio Falco, 814, no bairro Ipiranga, duas famílias ficaram desalojadas devido ao rompimento da rede mista de água pluvial.
De acordo com o subsecretário da Defesa Civil, Sérgio Rocha a tempestade foi forte, mas não ocorreu uma tromba d'água, como a maioria dos moradores comentava. "O pluviômetro da Defesa Civil registrou 62% a mais de água, só nesta noite, do que choveu durante todo o mês de outubro de 2005", analisa. Se comparado a média histórica de chuvas na cidade, de 210 mm, o volume de chuvas na madrugada de ontem chegou a 50%, segundo dados da Defesa Civil.
O Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, Gettran, Empav e a Polícia Militar foram acionadas para prestar assistência aos moradores dessas localidades. O trabalho foi realizado durante toda a madrugada e uma equipe de plantão está no local distribuindo suprimentos e colchões às famílias mais necessitadas.
População
Na manhã de hoje, os moradores do bairro Santa Luzia fizeram uma manifestação e pediram providências às autoridades. O secretário de segurança pública, Ciro Rodrigues de Oliveira e o Prefeito Alberto Bejani estiveram no local. O morador da rua Ibitiguaia, João Roberto Pinheiro, diz que há anos o bairro sofre com o problema do córrego de Santa Luzia. "Várias obras foram iniciadas, mas nunca chegam ao fim. Moro em um apartamento e a água chegou lá pelo esgoto", afirma.
O agente de segurança Marcelo Ferreira conta que a chuva começou por volta das 23h, mas somente às 2h da manhã foi que ele percebeu a enxurrada invadindo a sua casa. Ferreira perdeu um computador novo e a máquina de lavar roupas, além de carpetes e objetos pessoais. "Estamos esperando que os vereadores eleitos pelo bairro achem soluções para o córrego", reclama.
O dono de uma loja de materiais de construção, Edson Assis
(foto ao lado), foi surpreendido quando chegou para trabalhar na manhã de
hoje. "A loja estava com cerca de 20 centímentros de lama", recorda. Segundo
Assis, o córrego transbordou devido a quantidade de lixo jogada pela
população no local. "Há muita sujeira lá", diz.
Há 30 anos no bairro, a dona de casa Márcia Leonel dos Santos se recorda de diversas enchentes na área. "Agora a coisa piorou porque as obras do Acesso Sul e do condomínio Bossa Nova interferem no fluxo do córrego", salienta. A água invadiu sua casa e os dois carros da família.
A estudante Tamires Moraes (foto ao lado, primeira à
direita) só se deu conta da enchente
quando a prima acordou-a durante a madrugada, pois havia escutado um barulho
de curto-circuito na casa. O bar do pai de Tamires, que fica na parte da
frente de sua residência, foi o mais prejudicado. "Perdemos o freezer, o som
e os produtos do bar, mas ainda não calculamos o prejuízo", revela. O
cunhado da estudante teve seu carro arrastado por 200 metros na rua
Ibitiguaia.
O dono de uma lan house, Rodrigo Pereira, disse que estava na loja no momento da tempestade. "Essa foi a minha sorte. Coloquei os computadores para cima e não tive prejuízo", comemora.
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