Perigo ao telefone Polícia Civil de Juiz de Fora registra aumento de mais de 600% nas tentativas de extorsão por telefone
Repórter
08/11/2006
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A história é conhecida, mas muita gente cai na lábia dos profissionais da extorsão. O telefone é a arma preferida desses bandidos que tentam arrancar dinheiro das pessoas sob a ameaça de um suposto seqüestro. Os números da Polícia Civil de Juiz de Fora apontam um aumento de 623% na prática, até novembro de 2006, em relação ao mesmo período do ano passado. No total, foram 21 casos registrados oficialmente em 2005, mas esse tipo de crime ficou comum na cidade em 2006, com 131 registros de tentativas e somente uma efetivada.
Para o delegado da Polícia Civil de Juiz de Fora, Rodolfo Ribeiro Rolli (foto abaixo), a extorsão por telefone é estimulada pela facilidade de acesso aos celulares, principalmente em presídios. "Em geral, os bandidos ligam a cobrar de dentro das cadeias", observa. Embora o número de ocorrências tenha crescido significativamente este ano, o delegado afirma que algumas vítimas deixam de comunicar a Polícia. "Há muitos que têm vergonha de contar sobre o golpe, fato que limita as nossas investigações", diz.
Baseado no depoimento das vítimas, o levantamento da Polícia Civil mostra que a maioria das ligações é originada nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.
A ação dos golpistas
A estudante universitária, Aline Leão, 22 anos, passou pela situação em abril deste ano, quando um homem ligou a cobrar para a sua residência e disse que o seu pai, o professor Eduardo Leão, havia sofrido um acidente de carro em uma estrada próxima a Juiz de Fora. O segundo telefonema desmentiu o desastre, mas deu lugar ao seqüestro. "Disseram que ele estava preso com os seqüestradores e fiquei apavorada, pois nessa época, ainda não havia se popularizado esse tipo de golpe", relembra Aline.As negociações duraram cerca de cinco horas e os golpistas fizeram uma série de exigências, pedindo para que a estudante desligasse o telefone celular, não chamasse a polícia e nem pedisse a ajuda de parentes. Dessa forma, eles mantiveram a universitária no telefone fixo de sua residência e impedida de receber qualquer telefonema do pai, que estava dando aula na Universidade Federal de Juiz de Fora.
| CARACTERÍSTICAS DO GOLPE |
|---|
| 1) Ligação a cobrar |
| 2) Identificação como policiais |
| 3) Confirmação de acidente com um familiar |
| 4) Situação desmentida |
| 5) Revelação de um possível seqüestro |
| 6) Tentativa de extorquir dinheiro ou bens |
Uma coincidência também marcou o caso de Aline, já que no dia o pai não foi
almoçar em casa e nem conseguiu avisar a filha. "Como ele não apareceu,
tentei ligar, mas o celular estava desligado. Daí passei a acreditar neles"
.
O primeiro valor pedido pelos bandidos foi de R$ 10 mil, no entanto foi
negociado pela jovem várias vezes, chegando a R$ 2 mil.
A cidade de Três Rios (RJ) foi o local escolhido pelos bandidos para a entrega do dinheiro. Além do valor, os golpistas pediram que a estudante levasse até o local um telefone celular de cartão com um crédito mínimo de R$ 50 para, possivelmente, aplicarem outros golpes.
Aline chegou a sacar o dinheiro no banco e pegou um táxi em direção a Três
Rios. Assim que chegou na cidade, resolveu ligar o celular e seu pai chamou
em seguida, pois havia acabado de sair da Universidade. A estudante explicou a situação ao
pai que desmentiu todo o caso. "Foi uma sorte grande eu ter ligado na hora
certa"
, diz Eduardo Leão.
Saiba como não cair no golpe
O crime de extorsão por telefone já está se tornando comum em todo o país. O
mesmo caso aconteceu com Eduardo Leão no segundo semestre deste ano, na
cidade de Cabo Frio (RJ). "Me ligaram a cobrar e disseram que havia ocorrido um acidente
com minha família. Comecei a brincar com o golpista e eles logo desligaram
o telefone"
, recorda.
Para não cair no golpe do seqüestro, o delegado Rodolfo Ribeiro
Rolli
(foto acima)
aconselha que no momento do telefonema sejam feitas perguntas chaves, que
desvendem a possibilidade de seqüestro. "A melhor alternativa é pedir para
falar com a pessoa seqüestrada"
, orienta. Caso não seja viável, há como
investigar a originalidade do crime, fazendo perguntas de ordem pessoal,
baseadas em características físicas: "Como é o rosto dele?", "Cabelo?", "Cor
dos olhos?", por exemplo.
Ainda assim, é importante manter a calma e não se deixar "entrevistar", respondendo perguntas que irão ajudar os bandidos. Em alguns casos, a Polícia observou que os golpistas ligam comunicando o acidente e pedem para o parente confirmar dados. Logo após, anunciam o seqüestro, já com um perfil da vítima. Contudo, como a situação dos familiares torna-se tensa, muitas das vezes eles não associam as estratégias usadas por essas pessoas.
Veja algumas dicas:
- Não forneça dados pessoais por telefone;
- Pergunte sempre "Quem está falando?", "De onde você está falando?"
- Solicite a qualquer pessoa que ligue que se identifique e deixe o número do telefone de onde está falando para que se faça contato posteriormente;
- Cuidado com as afirmativas evasivas, como: "o seu filho dirige, não é?"
- Procure testar o interrogador, passando informações erradas, para ver se ele irá aceitar o que foi dito
- Fique atento as ligações pedindo confirmação de endereço para a entrega de presentes, brindes ou flores. Peça o telefone para retornar mais tarde.
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