Cidade

Cultura a preços populares A sexta edição da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança traz mais de 30 peças e mais de cem apresentações

Fernanda Leonel
Repórter
17/01/2007

Os números: 33 espetáculos, 114 apresentações, 12 teatros, 200 artistas, 44 técnicos e três facilitadores de oficinas. O preço da entrada: R$ 4 reais. O público esperado: 15 mil pessoas.

Essa mescla de pensamento racional é o tempero e o grande segredo do sucesso de um evento que de pensamento lógico não tem nada: a arte começa a exalar e lançar seus encantos na cidade - está chegando a 6ª Campanha de Popularização do Teatro e Dança.

Janeiro é sempre assim. O quiosque a aparece no Parque Halfeld e as pessoas se preparam para lotar os teatros da cidade. Anote aí: dessa vez a democratização das artes cênicas acontece de 18 de janeiro a 11 de fevereiro e promete novidades.

A primeira delas são as oficinas. Durante as semanas da Campanha, quem gosta da arte ou já trabalha nos palcos vai poder aprender um pouco mais nas oficinas de interpretação teatral, corpo e voz. Como memo explicou a presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Juiz de Fora (Apac), Rose Probst (foto), esse era um sonho antigo que foi possível depois que o projeto passou a figurar a lista da Lei de Incentivo à Cultura Murilo Mendes.

rose probst "Esse sonho já foi de muitos que passaram pela Apac. A gente recebe muita gente legal na cidade durante as semanas da Campanha, ficamos em um clima totalmente teatro. Além de ajudar e reciclar nosso profissionais, a gente queria mostrar o talento de quem vai dar essa oficinas. Todos são daqui de Juiz de Fora", afirmou.

A dança folclórica e de salão também passou a figurar nas apresentações. O que aumentou o número de espetáculos de dança inscritos. Aliás, esse ano o número espetáculos em geral está maior que o das outras edições. "Só temos que comemorar", ressalta Rose.

Variedade e premiação

A programação está recheada de peças que foram sucesso em 2006. Para todos os públicos, idades, gostos e teatros, é só escolher e curtir a programação pelo preço de R$ 4 reais. Mas é bom lembrar: o preço popular é válido para os ingressos que são comprados com antecedência, no quiosque do Parque Halfeld. Na bilheteria dos teatros, os ingresso vão ser vendidos por R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia)

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As premiações praticamente continuam as mesmas dos demais anos, com exceção do prêmio do júri popular, que foi instituído no ano passado. De acordo com a presidente da Apac, a forma de votação adotada na quinta edição para o júri popular foi julgada pela Apac como algo que não funcionou. "Precisaríamos adotar algo como a possibilidade da pessoa votar logo depois de cada espetáculo. Mas ainda não temos essa logística."

Na sexta edição, não haverá premiação em dinheiro, apenas troféu. As categorias de ator e atriz revelação deram lugar à escolha de coadjuvantes. Também serão premiados quesitos técnicos, como sonoplastia, iluminação, figurino e produção. O júri foi eleito pelos próprios produtores participantes da campanha e será formado por duas equipes distintas. O teatro será julgado por Enilce Albergaria Rocha, Marcos Bavuso e Cristina Musse. A dança será avaliada por Waldéa Pinheiro, Rita Viana e Elenize Aparecida Seguro.

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Nesta quarta-feira, dia 17 de janeiro, acontece o lançamento oficial da Campanha no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas. A noite para convidados já vai começar em clima de arte: a Oficina de Teatro vai apresentar o espetáculo As Dores do Mundo, de Toninho Dutra. Logo depois, acontece um coquetel com os representantes da Apac, Funalfa e do Sindicato dos Produtores de Arters Cênicas de Minas Gerais (Sinparc).

A idéia que tomou forma
Tudo começou com a idéia do Sindicato de Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc) em trazer a campanha que já era desenvolvida em Belo Horizonte para Juiz de Fora.

Segundo o presidente do sindicato, Rômulo Azevedo (foto), Juiz de Fora "possuía um potencial artístico muito grande, com espetáculos de nível nacional, e isso não estava sendo bem aproveitado.".

O Sinparc, então, veio até à cidade, conheceu os teatros, produtores, diretores, pessoas ligadas às artes e deixou um desafio: para que a Campanha de Popularização fosse executada em Juiz de Fora seria necessário que a classe artística se organizasse e fundasse uma associação.

A proposta tomou forma e a APAC foi criada. Depois disso, a mobilização de pessoas para transformar o sonho do conglomerado de artistas e peças foi tarefa fácil. Como mesmo destacou a presidente da Apac, todos trabalham com um senso de união muito forte, pensando sempre pelo melhor do seu grupo, do grupo dos outros e da Associação.

Hoje, seis anos depois que a idéia gerou frutos, os dois presidentes classificam como mais que positivo o resultado da parceria. A APAC orgulha-se de ser uma associação que congrega a classe artística de forma organizada para sempre conseguir melhorias nas condições de trabalho, e o Sinparc acredita que a Campanha instalada na cidade trouxe mais consciência pra o público além de dar ao teatro uma posição de destaque no cenário cultural regional.

"Desde o início do trabalho conjunto APAC/ Sinparc, conseguimos abaixar os preços dos aluguéis dos teatros, por exemplo, que eram e ainda continuam muito caros comparados com outras cidades", afirma Rômulo Azevedo.