Cidade

Amigos de Tamyris vão prestar homenagens Manifestação quer discutir segurança. Aécio pede rigor na apuração do caso e manda inspecionar brinquedos no estado

Fernanda Leonel
Repórter
21/05/2007

Ainda essa semana, amigos e solidários à família de Tamyris Leite da Silva, a jovem de 19 anos que morreu depois de cair de um brinquedo radical chamado "Queda Livre", vão prestar suas homenagens.

Isso porque, amigos próximos preparam uma manifestação para lembrar a população do acontecido e clamar por mais segurança em brinquedos radicais.

Paula do Amaral, amiga que estava com Tamyris na quinta, dia 17, no Parque de Exposições, disse que eles ainda não decidiram o que vão fazer, mas que é certo que alguma manifestação vai acontecer para amenizar a saudade.

Outros amigos também se manifestam, através do site de relacionamentos Orkut. Nos dois perfis de Tamyris, há somados, mais de 10 mil recados de consolo para a jovem e também para a família.

A mãe, Sueli Silva, deixou um recado emocionado que acabou aumentando o número de mensagens de solidariedade no site de relacionamentos. Há também muitas perguntas a respeito da missa de sétimo dia da estudante:

Parece que estou sonhando, não vou escutar agora ela entrando e dizendo: mãe cheguei!, deitar ao meu lado, pedir um abraço, me dar um beijo apertado e ficar contando o que aconteceu para ela. Ela era só felicidade. Tá doendo muito, não vou poder mais abraçá-la, beijá-la, fazer cafuné, pentear seus cabelos, ouvir: mamãe essa roupa tá boa, tô bonita?, pentear seu cabelo. Saudades mil da minha menininha, daquele jeitinho travesso?

No sábado, dia 19 de maio, o governador de Minas, Aécio Neves, divulgou nota oficial informando que determinou ao chefe da Polícia Civil, Marco Antônio Monteiro, rigor na apuração da causa da morte da estudante.

Segundo a nota, o objetivo das investigações é verificar se houve negligência na manutenção dos equipamentos ou falha humana, e se foram cumpridas as normas de segurança necessárias para o funcionamento do aparelho.

Por causa do trágico acidente, o governador estipulou ainda uma operação conjunta de órgãos estaduais para verificação de equipamentos utilizados em parque de diversões e para prática de esportes considerados radicais em Minas.

Processo

Nesta segunda-feira, dia 21 de maio, o inquérito deve ser encaminhado à Delegacia de Crimes Contra a Pessoa. Na sexta-feira, o delegado de plantão Rodrigo Rolli interrogou os dois operadores do brinquedo, que foram soltos para aguardar o fim do processo em liberdade, depois de pagarem fiança de R$ 1 mil.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, há apontamentos de que o acidente aconteceu por falha humana e, portanto, somente os dois funcionários devem responder pelo crime. André Ribeiro Dietriche, de 26 anos, e Dalmo Fernandes Maria, de 43, devem ser indiciados por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar.

A falha humana foi concluída, entre outros motivos, porque os dois funcionários que acionavam os mecanismos da rede e do guindaste que levou a jovem até 30 metros de altura se comunicavam apenas por sinais. Nenhum rádio, por exemplo, era usado no acionamento entre os dois responsáveis pela queda livre.

A assessoria do Instituto Médico legal, responsável pelo laudo da morte de Tamyris, informou que ainda não há previsão de divulgação do resultado. Isso porque o IML tem dez dias para entregar a perícia quando há flagrante e 30 dias em outras situações.

O que acontece é que, apesar dos acusados da morte da garota terem sido presos em flagrante, o prazo de dez dias só é válido para quando os acusados estão presos. Como os operadores da máquina respondem em liberdade pelo processo, o órgão ainda não sabe quando o resultado da perícia deve ser apresentado.


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