Cidade

Terça, 22 de maio de 2007, atualizada às 18h28

Depois de três meses em greve, defensores públicos retomam as atividades parcialmente


Fernanda Leonel
Réporter
22/05/2007

Depois de 99 dias de paralisação, os defensores públicos optaram pela suspensão da greve, até que o governo do estado apresente novas propostas para a classe. Desde a última segunda, dia 21 de maio, os 25 defensores públicos de Juiz de Fora voltaram ao trabalho parcialmente.

Segundo informou o defensor Lúcio Heleno Moreira, o grupo só vai trabalhar com atividades extra-judicias. Ou seja, atendimentos de penitenciárias, órgãos de detenção de menores e orientações. Não vão pegar processos no fórum ou aceitar novos.

Os defensores voltam parcialmente ao trabalho até o dia 06 de junho, data que devem entrar em negociação mais uma vez com o governo do estado. De acordo com Lúcio Heleno, na reunião em Belo Horizonte na última sexta, o governo reconheceu que a proposta enviada por ele não atendia às reivindicações do grupo, mas afirmou que só voltaria a negociar caso eles voltassem às atividades.

"Resolvemos dar uma trégua ao governo acreditar na sua intenção, apesar de nossa greve ter relação exatamente com uma promessa que ele não cumpriu. Vamos esperar até o dia 06 de junho, que marca exatamente 15 dias de nossa espera, para dar novos rumos ao movimento", afirmou Lúcio.

Segundo informações da Defensoria, já nos dois primeiros dias de volta ao trabalho, a classe dos defensores já enviou ao governo do estado propostas do que esperam do executivo. Até o momento, não obtiveram resposta.

Em greve desde 12 de fevereiro deste ano, a categoria reivindica aumento do subsídio dos funcionários e ainda reclamam da estrutura precária de trabalho e do grande volume de processos que cada defensor acompanha.

Em Juiz de Fora, de acordo com informações do defensor Lúcio Heleno, a sobrecarga de trabalho alcança números representativos no estado, já que a cidade tem, em média, um defensor para cada três varas cíveis - quando o natural seria a lógica um para um.

"Tem defensor da vara da família, por exemplo, que faz de oito a nove audiências por dia. Chegam em casa depois das 20h. Isso compromete também a qualidade do trabalho executado", afirma.