Cidade

Como escapar da gasolina adulterada Teste da proveta pode ser pedido nos postos para
saber a qualidade da gasolina

*Guilherme Oliveira
Colaboração
11/07/2007

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que de 1999 a 19 de junho de 2007, 160.640 postos de gasolina foram fiscalizados, sendo que 48.566 estabelecimentos sofreram algum tipo de infração e 7.878 foram interditados.

Em Minas Gerais, 127 revendedores foram autuados e /ou interditados por qualidade de combustível, cinco casos aconteceram em Juiz de Fora, treze a menos que a capital Belo Horizonte.

A conhecida gasolina "batizada", que possui mais álcool ou mais solvente que a lei permite no combustível, é a maior preocupação dos proprietários de veículos automotores, sendo a ANP a responsável pela regulação, contratação e fiscalização das atividades econômicas integrantes da indústria do petróleo.

Carro "engasgando", entupimento do bicos injetores, do filtro de combustível e perca de potência são alguns problemas causados por este tipo de gasolina. "Temos que fazer a limpeza do bico, regulação do motor...e isso fica em R$ 200 só a mão de obra, fora as peças", diz o mecânico Odilon Amorim, que trabalha no setor há 40 anos e que atende casos como este quase todos os dias.

Vítima da gasolina adulterada, o autônomo José Dutra aconselha os consumidores a terem informações sobre o posto de gasolina. "Sempre me preocupei com a qualidade, fui ver preço e "dancei". O carro começou a falhar, o motor ficou rateando", conta José Dutra, que não denunciou o posto. "Seria o correto", completou.

Credibilidade

Adamastor Pereira dentro do carro dele José Dutra foi alvo, mas o engenheiro civil Adamastor Pereira (foto ao lado) teve essa preocupação quando chegou à cidade em 1980 e por isso nunca teve problemas.

"Quando cheguei em Juiz de Fora, eu procurei saber com meu vizinho que era carreteiro de combustível quais postos eram confiáveis e nunca tive problemas, abasteço no mesmo lugar há 27 anos", conta.

Caso o consumidor tenha alguma suspeita do local onde está abastecendo o carro, ele tem o direito de pedir o teste de teor de álcool na gasolina, mais conhecido com "teste da proveta", sempre que achar conveniente e o posto obrigação de fazê-lo.

"Em média, duas pessoas pedem esse teste durante o ano", diz Flávio Mascarenhas, gerente de um estabelecimento no centro de Juiz de Fora que alegou a credibilidade do estabelecimento pelos poucos pedidos.

Proveta de um posto de gasolina Além do teste, de acordo com a ANP algumas medidas simples devem ser feitas para o consumidor se precaver.

Exigir a nota fiscal para garantir o conhecimento da origem do combustível no tanque e ficar atento. Todo o posto deve ter visível o telefone da ANP e a bandeira. A marca da distribuidora no caminhão, que abastece o posto, deve ser igual à informada na bomba.

Toda e qualquer denúncia deve ser feita à ANP que poderá autuar o estabelecimento, lacrar a bomba ou até mesmo fechar o posto.

Dicas
  • Como proceder em caso de suspeita de adulteração dos combustíveis?
  • Denunciar o posto revendedor de combustível à ANP na seção Fale com a ANP ou pela Central de Atendimento 0800 970 0267(ligação gratuita). Para registrar a sua denúncia, necessitamos do maior número de informações possível sobre o agente econômico, como CNPJ, razão social, endereço, distribuidora, e a descrição do ocorrido. Para isso, é importante ter a nota fiscal.

  • Quais os procedimentos para obter ressarcimento em caso de danos causados ao veículo por combustível adulterado?

  • A ANP protege os interesses dos consumidores fiscalizando, autuando e interditando postos em caso de irregularidades comprovadas. Entretanto, a defesa de direitos dos consumidores quanto a eventuais danos causados a seu veículo não é de competência da ANP. Assim, para pedidos de ressarcimento, o cidadão deverá obter orientação dos órgãos de defesa do consumidor (Procon ou Ministério Público, caso não exista Procon em sua cidade).

    *Fonte: ANP


*Guilherme Oliveira é estudante de Comunicação Social da UFJF