Segundo dados da área de estatística da 3ª Cia. de Missões Especiais da Polícia Militar/Pelotão de Trânsito de Juiz de Fora, outubro foi o mês que apresentou maior número de acidentes envolvendo ciclistas na cidade: 34 ocorrências. De janeiro a fevereiro, os acidentes totalizaram 254.
Um número que poderia ser reduzido, na opinião do presidente do Clube do Pedal de Juiz de Fora,
Luiz Fernando Cigani (foto ao lado), se houvesse
campanhas educativas à população relacionadas aos ciclistas. "O município
diz que tem a intenção de regulamentar as regras, mas a primeira coisa que pedem
são os acessórios dos ciclistas. O que tem que focar antes disso
é a educação no trânsito em primeiro lugar"
.
O coordenador de educação do trânsito da Gettran, Jorge Alfredo Franco Lima,
diz que ainda precisam trabalhar a regulamentação de trânsito voltada para os
ciclistas. "Temos uma comissão formada, mas ainda não tem nada definido. Depois
de definido é que vamos começar a fase de campanha educativa"
, avisa.
Uma reivindicação de Cigani é que as ruas da cidade tenham placas indicativas de preferência
para os ciclistas em relação aos veículos. "Já
é uma maneira de mostrar que o ciclista tem o seu direito"
.
Cigani, que criou o Clube do Pedal em 1993, começou a
pesquisar sobre os direitos e deveres dos ciclistas. Com suas pesquisas na
área, propôs, em 1995, criar uma ciclofaixa na Avenida Rio Branco, que é adequada
à via. "Conseguimos mais de quatro mil assinatura na época"
. Levaram a
proposta em audiência pública, mas não passou, porque consideraram
inviável.
Segundo Cigani, eles voltaram a fazer a proposta, e explica que a
ciclofaixa ajuda tanto os motoristas dos outros veículos, quanto os ciclistas.
"O veículo que parar na Rio Branco [à direita], vai cometer duas infrações
se existir a ciclofaixa. Uma, porque já é proibido parar, e a segunda, porque
está parado na ciclofaixa"
. Para o ciclista, ajuda a saber onde ele tem que andar e
dá segurança.
"Deu na imprensa que o Bejani garantiu R$ 5 milhões e 600 mil de verba para a ciclovia"diz Cigani.
"Mas antes é preciso garantir o acesso até a ela. A ciclofaixa é um dos elementos de proteção para chegar a ciclovia", completa a ciclista e corredora Karla Lucas (foto abaixo).
Karla reforça a necessidade de educação no trânsito entre os brasileiros e conta que
certa vez ela foi obrigada a jogar-se de bicicleta sobre o passeio, depois que
um motorista não respeitou seu espaço. "Se eu ficasse ali, ele teria me atropelado"
.
Ela fez ocorrência na Gettran e ele levou uma advertência. Cigani orienta que as
pessoas anotem horário, placa e características do veículo para fazer a denúncia.
Cigani lembra que no início dos passeios, os ciclistas eram acompanhados por
três carros da polícia. "Atualmente, isso só acontece na Semana do Trânsito"
. Quanto
aos equipamentos, Cigani diz que no Código Brasileiro de Trânsito é exigiu que a
bicicleta tenha refletores, campainha e retrovisor. "O capacete e luvas não
estão no código, mas porque este foi baseado em códigos de países de primeiro mundo e
lá as pessoas respeitam os ciclistas"
.
Apesar de necessário, Cigani sabe que o capacete é um equipamento mais caro, mas é uma forma de resguardar o ciclista. Além disso, Karla e Cigani orientam que se usem roupas claras, com faixas refletivas e luvas.
Mas Cigani tem consciência de que existem ciclistas também abusam das leis de trânsito. "No Parque
Burnier, alguns seguram na traseira dos ônibus para subir os morros do bairro"
,
exemplifica, sem falar também dos que ultrapassam o sinal vermelho para pedestres. Nos passeios que organiza pelo Clube do Pedal, eles dão orientações
aos participantes. "O município podia pegar o gancho para continuar as campanhas
educativas da Semana do Trânsito"
, ressalta Karla. E Cigani completa. "Quando
o município é parceiro, o ciclista entende as leis de trânsito e começa a colaborar"
.
Não existe multa para ciclistas que desobedecem as leis de trânsito, segundo Cigani,
porque não foi nada regulamento no município. "Como disseram que ficaria
difícil emplacar as bicicletas, dei idéia de criar selos
de identificação do ciclista pelo Clube do Pedal mesmo, onde receberiam as regras e teriam
conhecimento de direitos e deveres. Se as pessoas tivessem educação, poderíamos
conviver com mais tranqüilidade"
, enfatiza o ciclista.