Dificuldades para tirar carteira de motorista
Em apenas cinco meses, 40 % de candidatos foram reprovados
no exame prático em Juiz de Fora
Repórter
13/03/2008
A carteira de motorista é artigo de primeira necessidade para muitos brasileiros, sendo exigida até como pré-requisito para algumas vagas de trabalho. Isso faz com que muitas pessoas corram às auto-escolas em busca do documento, que para alguns é sinônimo de liberdade.
Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil de Belo Horizonte, em apenas cinco meses, de setembro de 2007 a janeiro deste ano, foram 1.598 novas carteiras de motorista expedidas pelo Departamento de Trânsito (Detran) para Juiz de Fora. O número parece alto, mas levando em consideração que o índice de aprovação no exame prático é de cerca de 60%, percebe-se que muita gente fica para a próxima.
"Levando em consideração a dificuldade financeira da maioria e a rigidez do código
de trânsito brasileiro, considero que a nossa média é satisfatória"
,
diz o diretor de ensino de uma auto-escola de Juiz de Fora, Cristiano Rocha.
Entre as principais dificuldades para tirar a habilitação estão o nervosismo e a ansiedade.
"Estes fatores contribuem para que o candidato se esqueça de coisas básicas na hora da
prova prática, como olhar pelo retrovisor e avançar a parada obrigatória"
, explica.
Dessa forma, são as regras de circulação que os alunos mais erram na prova de rua.
E o erro começa na prova teórica, quando o índice de erro também é maior para
este conhecimento. "Na teórica, estas regras são as mais pedidas, por isso
os candidatos erram muito e na prática eles esquecem das normas por causa do nervosismo"
, explica.
E não pense que as normas de circulação são usadas no dia-a-dia por todos os motoristas.
"São as regras menos usadas, como dar seta, olhar pelo retrovisor
e parar em cima da faixa"
, comenta Cristiano.
Em JF, é difícil?
Cristiano diz que não é difícil tirar a habilitação na cidade, mas também não é fácil.
"Aqui é muito rígido como em todo o estado de Minas. Os examinadores seguem bem a resolução
do Detran"
, diz. Para ele, a reprovação depende de um conjunto de três pontas,
ocupadas pelo Detran, pelos instrutores e pelo aluno. "O primeiro está, apenas,
aplicando a lei de trânsito nos exames. Em grande parte, os segundos não se empenham
e deixam o aluno mais nervoso, que, na terceira ponta, não treina o suficiente, por vários
motivos"
.
A lei exige que o candidato cumpra 30 horas de aula teórica, consideradas suficientes
para ter conhecimento básico. "Essa prova também é mais tranqüila, pois é de múltipla escolha,
dando tempo para o aluno pensar e se acalmar. Por isso, o índice de aprovação é alto.
A maioria das pessoas faz uns 27 pontos, em 30"
. Para a prova prática são
15 horas exigidas e o exame é muito rápido. O candidato tem cerca de 15 minutos para
mostrar que sabe dirigir. "Nessa hora, a ansiedade pesa"
, completa.
O número mínimo de aulas é considerado um problema para o diretor de ensino, pois elas
são insuficientes e, quando terminam, o aluno não quer fazer mais. "Alguns
acham que já sabem dirigir e decidem não treinar mais. Outros, não têm condições
financeiras para fazer mais aulas"
. Em Juiz de Fora, as provas práticas acontecem
em cinco bairros diferentes, escolhidos aleatoriamente. Para conhecer bem
cada um desses, é necessário cerca de três aulas em cada um. "Fora as aulas iniciais.
Para um bom exame, é necessário que uma pessoa que nunca dirigiu faça cerca de 30 aulas"
,
garante ele.
Quem quer carteira?
Segundo Cristiano, a auto-escola é procurada por pessoas de 18 a 60 anos, mas a faixa de concentração
está entre os jovens de 18 a 30. "Os mais novos têm mais facilidade para tirar o documento que os mais velhos"
,
diz ele.
E entre os mais jovens, as mulheres conseguem passar pelos teste com mais facilidade
que os homens. "Elas são mais atentas, calmas e dedicadas. Os homens são impacientes,
querem tirar logo, e são mais distraídos"
, garante.
Os que já tiveram a experiência de dirigir antes de chegar à auto-escola são os que,
geralmente, ficam para o próximo exame. Este preparo não diz muita coisa. "Eles chegam aqui achando que sabem
tudo e, muitas vezes, têm vícios difíceis de serem consertados, o que prejudica muito na hora do exame.
Ela acha que está preparada e não está.
Além disso, essa pessoa é mais ansiosa"
.
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