Cidade

Prefeito de JF preso pela Polícia Federal Operação Pasárgada, da PF, já prendeu prefeitos, advogados, juízes por todo Brasil. Prefeito Alberto Bejani foi levado para a delegacia da PF em BH



Priscila Magalhães
Repórter
Sílvia Zoche
Subeditora
09/04/2008

Por volta de 17h45 desta quarta-feira, 09 de abril, o prefeito de Juiz de Fora, Alberto Bejani, saiu da delegacia da Polícia Federal da cidade rumo a delegacia em Belo Horizonte. A Gettran montou um esquema de trânsito e fechou a Avenida Brasil para a passagem dos veículos. O carro onde estava Bejani passou no meio da população, que aguardava a saída do prefeito da delegacia.

Durante cerca de seis horas, ele esteve na sala de depoimento com o delegado da PF de Belo Horizonte, Luiz Augusto, que coordenou a Operação Pasárgada e o mandado de busca e apreensão na cidade.

O delegado chefe da Polícia Federal em Juiz de Fora, Cláudio Nogueira, diz que, durante o depoimento, o prefeito estava tranqüilo e alegou inocência. "Todo o depoimento tomado aqui vai ser encaminhado para a Superintendência da PF de Belo Horizonte e só lá o fato vai ser esclarecido. Não posso adiantar nada", diz.

Cláudio Nogueira disse que o prefeito não precisou usar algemas por não ter resistido à prisão, nem oferecer periculosidade. Parte dos objetos apreendidos na casa de Alberto Bejani serão levados para a capital, acompanhando as viaturas da Polícia, além dos documentos que estavam na prefeitura.

Apreensões

Durante uma busca na residência do prefeito Alberto Bejani, cinco armas - duas carabinas, duas pistolas (uma de uso restrito da PF) e um revólver - foram apreendidas. Ele prestou depoimento para o delegado Luiz Augusto sobre o porte ilegal de armas. Segundo Cláudio Nogueira, o prefeito é o único preso na cidade. Cinqüenta policiais federais de outras cidades vieram a Juiz de Fora para a Operação.

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Segundo a PF, o prefeito está preso temporariamente por causa da Operação e, foi encaminhado para Belo Horizonte, juntamente com os outros prefeitos, para as investigações. Se for provado que a arma é de Bejani, ele responderá por porte ilegal.

A quantia de R$ 1 milhão 120 mil 390 também foi encontrada na casa do Prefeito e levada para a delegacia. Por volta de 14h30, a Polícia Federal usou um dos veículos apreendidos na propriedade de Bejani para levar o dinheiro encontrado em sua casa a um banco não revelado. A quantia foi depositada e o valor vai ficar à disposição da justiça.

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Além do dinheiro, foram apreendidos dois caminhões, três quadriciclos, uma moto, um jipe, uma caminhonete F250, uma Ranger, um Golf e um Ômega, em sua casa e seu sítio. Documentos apreendidos na prefeitura estão sob posse da Polícia Federal. Parte dos objetos seguiram pra Belo Horizonte, junto com o comboio que levou Bejani. Eles vão ser analisados na capital para comprovar ligação com as investigações da operação. O prefeito vai cumprir prisão temporária de cinco dias, que pode ser prorrogada por mais cinco. Dependendo dos caminhos da investigação, a detenção pode se transformar em preventiva.

A Operação em Juiz de Fora

Por volta de 12h20, desta quarta-feira, dia 09 de abril, o prefeito Carlos Aberto Bejani chegou à delegacia da Polícia Federal de Juiz de Fora.

A Operação Pasárgada, da Polícia Federal, está cumprindo mandados de busca, apreensão e prisão, por todo país. Estão sendo investigados prefeitos, advogados, juízes, procuradores municipais, assessores e lobistas.

O prefeito Carlos Alberto Bejani é um dos apontados pela operação, que investiga, há cerca de oito meses, os envolvidos em fraudes, que podem ter gerado prejuízos de cerca de R$ 200 milhões aos cofres públicos. A assessoria da prefeitura de Juiz de Fora, diz que as funções administrativas e de atendimento vão ser mantidas. Novo pronunciamento só vai acontecer quando as investigações forem concluídas.

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Dois andares da PJF, o da Comissão de Licitação (4º andar) e o do Gabinete do prefeito (9º andar) foram lacrados pela PF na manhã desta quarta, dia 09.

O Delegado Cláudio Nogueira frisou que a Operação Pasárgada investiga a Prefeitura e os contratos firmados por ela. "Logo, o prefeito, como responsável pelos contratos também é investigado. Pelas armas, ele responderá também e o processo vai ser distribuído na justiça comum aqui na cidade". Somente uma das armas apreendidas não possuía registro.

Outras prisões

Em Minas Gerais e Bahia há outros mandados de prisão para prefeitos, que, possivelmente, devem responder por crimes, como formação de quadrilha e corrupção ativa e passiva. Segundo o departamento de Comunicação Social da PF, em BH, na operação foram mobilizados 500 policiais federais. Eles cumpriram cem mandados de busca e apreensão e outros 50 mandados de prisão em Minas Gerais, na Bahia e no Distrito Federal. Compõem as equipes de policiais 23 analistas de finanças e controle da Controladoria Geral da União.

Entre os prefeitos presos, que já foram divulgados na imprensa nacional, estão:

  • Carlos Alberto Bejani (PTB), de Juiz de Fora (MG)
  • Demetrius Arantes Pereira (PTB), de Divinópolis (MG)
  • Júlio Cesar de Almeida Barros (PT), de Conselheiro Lafaiete (MG)
  • José Eustáquio Ribeiro Pinto (DEM), de Cachoeira da Prata (MG)
  • Geraldo Nascimento (PT), de Timóteo (MG)
  • Ademar José da Silva (PSDB), de Vespasiano (MG)
  • José Henrique Gomes Xavier (PR), de Minas Novas (MG)
  • Edson Said Rezende (DEM), de Ervália (MG)
  • Walter Tanure Filho (DEM), de Medina (MG)
  • Claudemir Carpe (PTdoB), de Rubim (MG)
  • José Eduardo Peixoto (PSDB), de Salto da Divisa (MG)
  • Paulo Ernesto Pessanha da Silva (DEM), de Itabela (BA)
  • Carlos Luis de Novaes, de Almenara (MG)
  • Gilberto Balbino (PR), de Sobradinho (BA)

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