Cidade

Terça-feira, 13 de maio de 2008, atualizada às 16h33

Bejani fala pela primeira vez, à PF, sobre origem do dinheiro encontrado em sua casa, garante advogado



Priscila Magalhães
Repórter

O prefeito Alberto Bejani esteve em Belo Horizonte na manhã desta terça-feira, 13 de maio, onde prestou esclarecimentos à Polícia Federal (PF). Segundo um dos seus advogados, Marcelo Leonardo, em cerca de 40 minutos, Bejani explicou ao delegado a origem do R$ 1,2 milhão encontrado em sua casa no dia 09 de abril, quando foi preso durante a Operação Pasárgada .

Marcelo Leonardo informou que Bejani não foi convocado por contradição entre o depoimento prestado ao delegado Mario Veloso, no dia de sua prisão, e as explicações que deu à imprensa no último dia 05. Segundo informações não oficiais, no primeiro depoimento, o chefe do Executivo teria dito que o dinheiro era proveniente da venda de uma rádio em Santos Dumont, Minas Gerais, o que não foi confirmado pelo advogado.

Na explicação à imprensa, Bejani disse que vendeu a Fazenda Liberdade, em Ewbanck da Câmara, por R$ 1,2 milhão . Essa contradição teria levado a PF a convocar o prefeito. "Não houve contradição, pois hoje foi a primeira vez que ele falou, à PF, sobre o assunto", garante o advogado.

Segundo ele, Bejani disse, no depoimento desta terça, que vendeu a Fazenda Liberdade por R$ 1,2 milhão. Porém, não apresentou nenhuma documentação que comprove a venda. "Não trouxe nenhum documento, porque não sabíamos o motivo da convocação, mas ele se comprometeu a enviá-los ao delegado por intermédio dos advogados", explica.

A fazenda que Bejani diz ter vendido a Marcelo Abdalla da Silva por este valor foi comprada, em junho 2007, por R$ 430 mil, de Luiz Carlos Mazocolli. Ele presta depoimento à CPI, que investiga o desvio de verbas e o enriquecimento ilícito de Bejani, na próxima segunda-feira, 19 de maio .

Comitê pede seriedade nas investigações

O Comitê de Cidadania enviou um documento ao legislativo municipal pedindo transparência nas investigações do prefeito Alberto Bejani, feitas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Além de ser a favor de uma investigação séria, para apurar os fatos, o Comitê defende que o executivo municipal fique afastado enquanto acontece a investigação, para que não haja intervenção política. Para garantir a transparência do processo, o Comitê sugere que as votações na Câmara, sobre o caso, sejam abertas.