Cidade

Quinta-feira, 12 de junho de 2008, atualizada às 17h04

Bejani ganharia R$ 200 mil por cada centavo no aumento da passagem



Priscila Magalhães
Repórter

Quatro depoimentos marcaram esta quinta-feira, 12 de junho, na CPI da Câmara Municipal que investiga denúncias de desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito do Prefeito Alberto Bejani.

Os vereadores José Sóter de Figuerôa e Flávio Cheker e o empresário Omar Peres prestaram esclarecimentos a respeito de encontros que tiveram com Arlindo Geraldo Nogueira de Carvalho, que depôs nesta quarta-feira, 11.

Arlindo apresentou o Grupo Sim, do qual era consultor, a Bejani. Ele recebia 5% dos cerca de R$ 500 mil que a Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) pagava, mensalmente, ao Grupo. Arlindo foi despedido pela empresa em novembro de 2007.

Segundo o vereador Cheker, Arlindo o procurou no final de março deste ano para fazer denúncias contra o chefe do Executivo. "Ele se apresentou como amigo do Prefeito e disse que estava descontente, pois Bejani lhe devia dinheiro". Uma reunião foi agendada para o dia 28 de março entre Arlindo e os vereadores Cheker, Bruno Siqueira e Figueirôa.

Denúncias

Foto do vereador Figueirôa depondo De acordo com Figueirôa, Arlindo disse que Bejani receberia cerca de R$ 1,5 milhão em propina por mês, pagos pela Construtora e Dragagem Paraopeba, pela Queiroz Galvão, relacionada ao aterro sanitário, pelo Grupo Sim, por Luiz Vagner Palheiros e pelas empresas de ônibus da cidade. Só destas últimas, o valor era de R$ 2,4 milhões por ano. "Ele nos revelou que a cada um centavo que a passagem de ônibus municipal aumentasse na época das negociações, o prefeito ganharia R$ 200 mil. Dessa forma, ao invés de a passagem passar a custar R$ 1,63, o valor foi para R$ 1,75. Um aumento de R$ 0,12".

Durante o encontro, Arlindo ainda teria dito aos vereadores que, ao comprar a casa de Bejani no Recanto dos Lagos, ao contrário do que disse à CPI nesta quarta, encontrou R$ 9 milhões em três cofres e cestas básicas, em estado de deterioração, que seriam distribuídas pela primeira-dama Vanessa Bejani. Segundo Figueirôa, Arlindo ainda relatou que Bejani possui uma fazenda na cidade de Liberdade. Ela está no nome do secretário de Agropecuária e Abastecimento, Marcelo Detoni, e vale cerca de R$ 2 milhões.

Foto do vereador Figueirôa depondo O vereador ainda relatou que Arlindo apresentou cópias de cheques assinados pelo atual superintendente da Amac, João Batista da Silva, pagos a Marcelo Detoni a respeito da compra de carne para abastecer a entidade. Porém, conforme relatado, a carne não existia e o dinheiro era para o secretário.

Cheker e Figueirôa ainda contaram que Arlindo teria os alertado quanto a um atentado de morte que o prefeito estaria tramando contra o empresário Omar Peres. "Um esquema para matá-lo estava sendo articulado. Isso aconteceria em uma das viagens que o empresário fizesse ao Rio de Janeiro", disse Cheker. Segundo Figueirôa, Arlindo disse ter uma relação íntima com o Prefeito, porém não concordava com os métodos dele.

Ministério Público teria sido avisado

Segundo os vereadores, Arlindo disse ter feito as mesmas denúncias ao promotor Paulo César Ramalho, antes de se reunir com Siqueira, Cheker e Figueirôa. Diante disso, o presidente da CPI, vereador Isauro Calais, propôs que os cinco integrantes da Comissão fossem ao Ministério Público confirmar as informações com o promotor. Calais acrescentou que no depoimento desta quarta, Arlindo pediu que só fossem feitas perguntas sobre a casa, pois para responder ao restante, ele precisaria se preparar melhor.

Foto do vereador Figueirôa depondo Segundo Omar Peres, Bruno Siqueira entrou em contato com ele para comunicar a possibilidade de atentado e levou Arlindo até seu escritório. Ele confirmou a existência das cópias dos cheques para pagamento de Detoni e as propinas pagas pelas empresas já citadas. Além disso, o empresário disse que teve outro encontro com Arlindo há cerca de três semanas, este na presença de Bejani. "O Prefeito propôs que eu parasse de bater que ele apoiaria minha candidatura. Eu disse que ele deveria renunciar", afirma.

Omar diz que Arlindo mentiu em depoimento na CPI. "Eu tenho o contrato de compra e venda da casa de Bejani, no Recanto dos Lagos, para o Arlindo", diz. Ele ainda aponta Arlindo como cúmplice do chefe do Executivo. "Ele procurou os vereadores da oposição e falou comigo, porque não recebeu a propina que teria direito", completa.

José Alvarez de Souza negou ser caseiro de Carapinha

Em depoimento à CPI na manhã desta quinta-feira, 12, José Alvarez de Souza negou ser caseiro de Francisco José de Carvalho Carapinha. Segundo ele, sua mulher trabalha à 16 anos para o empresário. Sobre o caminhão em seu nome, encontrado na Fazenda Liberdade, ele disse que foi comprado por Carapinha para ajudá-lo, já que estava desempregado. O caminhão, de R$ 92 mil foi colocado em seu nome, porque o empresário tinha medo que algo acontecesse.

Segundo José Alvarez, ele usava o caminhão para frete e o lucro era dividido com Carapinha. Sobre o fato de o caminhão estar na fazenda do prefeito, ele disse que o utilitário seria carregado de milho. José Alvarez tem carteira de motorista, porém está vencida desde 2006.

Inquérito da PF foi entregue a Calais

Após os depoimentos na tarde desta quinta, 12, o relator da CPI, Bruno Siqueira, entregou ao presidente, Isauro Calais, o inquérito da Polícia Federal sobre a Operação Pasárgada. O inquérito foi lacrado e vai ser analisado pelos integrantes. Ele ressaltou que o inquérito só vai ser lido, não podendo ser xerocado.

Siqueira disse que a CPI já está em fase final e o relatório deve ser entregue até a próxima semana. "A intanção é que seja até a próxima segunda, 16 de junho. Depois, vamos pedir, ou não, dependendo da conclusão, o início do processo de perda do mandato do Prefeito".