Cidade

Ocorrências de trânsito caem 20% em JF após Lei Seca PM registra queda nas ocorrências de acidentes de trânsito em julho. Mesmo sem bafômetro, oito motoristas foram presos por embriaguez no mês passado


Priscila Magalhães
Repórter
15/08/2008

O comandante do Pelotão de Trânsito Urbano da Polícia Militar (PM), tenente Rubens Valério de Souza, garante que a falta de bafômetros não é motivo para que a PM não coíba a embriaguez ao volante. "Hoje, não temos bafômetros e são poucos em Minas. Já existe licitação em andamento, mas não há data prevista para que eles cheguem à cidade".

Enquanto não contam com a ajuda dos aparelhos, a PM está atenta às condições dos motoristas. São observados o hálito etílico, se ele está cambaleando, apresenta fala arrastada e perda de reflexos. Quando a polícia suspeita de algum motorista, sua carteira de habilitação é recolhida, ele é multado e levado à delegacia, onde é submetido a exames clínicos.

"Existe um médico legista de plantão, a qualquer hora, para a realização dos testes. Se a embriaguez for constatada, ele é preso", diz. As blitzes estão concentradas na região da Cidade Alta e Altos dos Passos, onde há grande quantidade de bares, além dos principais corredores, como avenidas Brasil, Independência, Rio Branco e Juscelino Kubitschek (veja os mapas).

Resultados

Foto do tenente Rubens A Lei Seca entrou em vigor no dia 20 de junho e a PM comemora a redução de 20% no número de ocorrências de acidentes de trânsito na cidade. No mês de junho foram 489 registros de colisão, enquanto que em julho o número caiu para 378. Queda também no número de atropelamentos, que passou de 59 para 50, e no de capotamentos, que foi de nove para cinco. "Registramos uma queda de cerca de 20% nas ocorrências", completa o tenente.

Para ele, a queda é bastante expressiva, principalmente por levar em consideração o aumento da frota em Juiz de Fora. "Hoje, são mais ou menos 150 mil veículos circulando na cidade e o número vem crescendo a cada dia. É um desafio".

No mês de julho, oito motoristas foram presos por dirigir alcoolizados. A carteira é recolhida e o infrator fica sem o documento por um ano. A multa é de R$ 955. Um inquérito é instaurado e vai a julgamento. Enquanto isso, o envolvido responde em liberdade. O tenente diz que este é um número considerado aceitável, levando em consideração o número de veículos em Juiz de Fora. A esperança é que à medida em que as decisões judiciais forem contra os infratores, o número de prisões caia.

Números da violência no trânsito

De janeiro a julho deste ano foram 3.041 colisões, 349 atropelamentos e 45 capotamentos em toda a cidade, o que soma 3.435 ocorrências. Em todo o ano de 2007, a soma foi de 5.713, sendo, respectivamente, 5.079 colisões, 571 atropelamentos e 63 capotamentos. As mortes no trânsito no ano passado somam 23, considerando 11 atropelamentos e 12 colisões. Para 2008, o número já é quase igual, sendo, respectivamente, oito e cinco, somando 13 ocorrências.

A avenida Rio Branco é o local onde os acidentes são mais freqüentes. Foram 713 ocorrências no ano passado. Ela é seguida das avenidas Brasil, com 435, Independência, com 382, e Juscelino Kubitschek, com 223 (veja mapas).

Foto de acidente moto Foto de trânsito

Para o tenente, pedestres e motoristas contribuem com esses números. Em se tratando de pedestres, ele aponta uma deficiência no Código de Trânsito Brasileiro, já que não há como puní-los. "A lei traz uma previsão de punição para o pedestre, mas não oferece meios para isso. Eles ficam impunes, o que contribui para a imprudência".

Segundo ele, a multa para infrações cometidas por pedestres é a metade da infração mais leve do condutor. Sobre os acidentes provocados por motoristas e que envolvem pedestres, as principais causas são o excesso de velocidade e o uso de álcool.

Prevenindo

As dicas do tenente para reduzir a violência no trânsito é observar as normas de segurança, não abusar da velocidade, sinalizar antes da mudança de sentido nas vias e observar a sinalização. Para pedestres, é essencial usar a faixa de travessia e os motociclistas devem usar o capacete.