O Banco do Brasil passa a ser o novo responsável pela folha de pagamento dos funcionários da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) já no primeiro mês da atual administração. O contrato da venda da folha foi assinado na manhã desta segunda-feira, 5 de janeiro, entre o prefeito Custódio Mattos (PSDB) e o superintendente estadual do Banco do Brasil, Tércio Pascoal.
Com a parceria, a Prefeitura espera quitar a folha de pagamento de dezembro dos servidores públicos até a próxima sexta-feira, 9 de janeiro. Estão sem pagamento, 7.268 funcionários, aposentados e pensionistas da Associação Municipal de Apoio Comunitário (Amac), Procuradoria Geral do Município (PGM), além das Secretarias de Administração e Recursos Humanos, Saúde, Fazenda, Assistência Social e Planejamento.
Dos R$ 23 milhões do acordo, entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões serão destinados ao débito da folha de pagamento de dezembro, que ainda será paga no Banco Itaú aos funcionários que não receberam no último mês. O contrato entre a PJF e o Banco do Brasil terá a vigência de cinco anos.
"Além de pagar débitos urgentes, temos que ter um colchão de segurança para eventuais quebras da receita prevista. O orçamento não foi feito por nós, então temos que fazer uma revisão", explicou Custódio.
O prefeito diz que solicitou um levantamento da situação financeira e administrativa das secretarias
a todos os responsáveis pelas pastas, o que deve ser concluído até a próxima quinta-feira, 8 de janeiro.
"Eu pedi um diagnóstico da situação em que eles encontraram as secretarias e medidas de curto prazo. De
posse dessas duas informações, nós teremos uma dimensão mais específica do ano de 2009 e o tamanho
da margem de segurança que devemos ter"
.
Apesar de esperar um ano difícil financeiramente, o tucano avisa que pretende manter a data de pagamento dos servidores até o último dia útil de cada mês.
A rescisão com o Banco Itaú, que até então era o responsável pelos serviços bancários prestados à PJF, foi negociada em dezembro de 2008, mas o ex-prefeito José Eduardo Araújo preferiu não assumir a função.
"Eu estou assumindo a responsabilidade política, pessoal e jurídica de fazer a rescisão com base em
argumentos financeiros e jurídicos. O meu primeiro ato no governo foi assinar a comunicação da
rescisão ao Banco Itaú"
, revelou o prefeito.
Uma das exigências para o acordo de pagamento da folha de funcionários pelo Banco do Brasil foi o fim do contrato com o Itaú. A parceria da PJF com o Banco do Brasil traz à instituição bancária 15.781 novos correntistas.
"Existe um parecer do Tribunal de Contas do Estado e um do Ministério Público Estadual dizendo que,
no caso de bancos oficiais (Caixa Econômica Federal ou Banco do Brasil), é admissível a dispensa
de licitação, desde que feita no processo adequado"
, garantiu o prefeito.
De acordo com Custódio, o convênio com o Banco Itaú é vago e não prevê o pagamento de multas rescisórias. A Prefeitura deve apenas ressarcir o banco dos recursos entregues referentes a uma doação ao Museu Mariano Procópio e ao pagamento do décimo terceiro de 2008. O valor do ressarcimento gira em torno de R$ 12 milhões e a atual administração espera negociar o pagamento com o Itaú.
Durante a assinatura do contrato com o Banco do Brasil, o prefeito Custódio Mattos confirmou que a política de corte de gastos passa pela demissão de funcionários contratados em cargos comissionados de todas as secretarias.
O prefeito garante que a economia já começou a ser feita, porém não vai afetar os funcionários concursados.
"Vamos gerar uma economia rigorosa em todos os setores que forem possíveis"
, espera.
Segundo Custódio, as medidas também não afetam as dívidas que a PJF tem com os fornecedores.
"Administração é uma coisa contínua. Mudou o administrador, mas o devedor é a Prefeitura. Os serviços foram
prestados e nós faremos o pagamento, mas temos que adequá-lo ao fluxo de caixa da Prefeitura, que dará
sempre prioridade ao pagamento de pessoal
".