Cidade

Quarta-feira, 4 de março de 2009, atualizada às 13h

Motoristas e cobradores de ônibus entram em greve no dia 9 de março


Guilherme Arêas
Repórter

A partir da zero hora da próxima segunda-feira, dia 9 de março, os motoristas e cobradores de todas as empresas de ônibus de Juiz de Fora iniciam a greve da categoria. A paralisação foi decidida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo (Sinttro), em assembleia realizada na manhã desta quarta-feira, 4 de março, com a presença de cerca de 300 profissionais. Conforme determina a Lei 7.783/89, 30% do efetivo de ônibus ainda circularão pelas ruas da cidade nos dias de greve.

As paralisações deste ano vão ocorrer nas portas das garagens das empresas e não mais nas ruas do centro, como acontecia em anos anteriores. De acordo com o presidente do Sinttro, José Pedro Franco Ribeiro, a medida visa causar menos danos aos usuários. "Nas outras greves nós acabamos colocando a população contra o movimento. Nós vamos fazer as paralisações nas garagens das empresas, pois queremos apenas manter os nossos direitos", explicou.

Ainda na tentativa de não tornar o movimento negativo aos olhos da opinião pública, o Sinttro vai distribuir uma carta aberta à população explicando os motivos que os levarão à paralisação, pedindo apoio e compreensão de toda a comunidade.

A passeata programada para esta quarta-feira logo após a deflagração da greve foi cancelada pelo sindicato. A diretoria recebeu informações de que um grupo de motoristas e cobradores estaria planejando a quebradeira de vários ônibus durante a manifestação.

Em nota, o sindicato informou "que o movimento é pacífico e ordeiro, que quaisquer ações de vandalismo não serão de responsabilidade do mesmo, uma vez que todos os funcionários do setor estão orientados a cumprir rigorosamente as normas da Lei de Greve".

Com a greve, a categoria pretende garantir a data-base e a manutenção do acordo coletivo de 2008. Entre as reivindicações estão o reajuste salarial de 11,86%, redução da jornada de trabalho de oito para seis horas, tíquete-alimentação de R$ 170, aumento do seguro de vida de R$ 8 mil para R$ 10 mil, além de cesta básica e Participação nos Lucros e Receita (PLR).

O Sinttro comunicou a decisão de greve às autoridades e às empresas de ônibus e vai solicitar à Subdelegacia do Trabalho uma nova reunião com a Associação Profissional das Empresas de Transporte de Passageiros de Juiz de Fora (Astransp) para definiar a escala de de trabalho.

Astransp garante que não tem condições de conceder reajustes

A entidade que representa as empresas afirmou que elas não têm condições de oferecer o reajuste aos trabalhadores. A Astransp alegou que não recebeu a contrapartida da Prefeitura, que viria em forma do aumento da passagem.

Ainda conforme a Astransp, o custo da folha salarial dos funcionários representa 52% do total arrecadado com o pagamento da tarifa pelos usuários, motivo pelo qual as empresas não teriam como aumentar o salário dos motoristas e trocadores.

Em dezembro do ano passado, a Astransp teria enviado à PJF o pedido do reajuste da planilha tarifária do serviço na cidade. Nesta quarta-feira, 4 de março, o Ministério Público informou que a PJF e a Astransp enviaram um pedido para que as passagens voltem a R$ 1,75.

Os textos são revisados por Madalena Fernandes