Cidade

Disque-denúncia unificado começa a operar em Juiz de ForaSistema garante o anonimato do denunciante e colabora para fortalecer a integração entre as polícias Civil e Militar e o Corpo de Bombeiros

Patrícia Rossini
*Colaboração
10/7/2009

A partir desta sexta-feira, 10 de julho, os juizforanos contam com mais uma ferramenta de segurança pública para colaborar com as polícias Civil e Militar e com o Corpo de Bombeiros na prevenção e no combate ao crime e às irregularidades. Através do 181, telefone do Disque-Denúncia Unificado, os cidadãos poderão colaborar com os órgãos de defesa social, tendo a garantia de anonimato e com a possibilidade de acompanhar o andamento da denúncia.

"O recurso vai melhorar a prestação de serviços para a comunidade, pois garante o sigilo do denunciante. Nossa expectativa é a melhor possível, pois, nas cidades onde o disque-denúncia foi implementado, a população tem se mostrado cada vez mais atuante no combate ao crime", afirma o coordenador executivo do Instituto Minas Pela Paz, Maurílio Pedrosa.

O assessor de Comunicação Organizacional do 4° Batalhão de Polícia Militar, major Sérgio Lara, explica como o disque-denúncia pode colaborar para o combate ao crime. "A denúncia é o instrumento mais importante da ação policial. O sistema vai canalizar as informações recebidas para a região e o órgão competentes. A partir daí, teremos 90 dias para apurar o caso. Para a polícia, isso é muito positivo, pois aumenta as chances do flagrante. A PM vai registrar o fato delitivo e compartilhar as informações com a Polícia Civil, colaborando na investigação."

Para o comandante do 4° Batalhão do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Rodney Magalhães, a participação popular vai ajudar, principalmente, no desenvolvimento de ações preventivas. "O cidadão terá toda a segurança para denunciar e poderá acompanhar o resultado dessa denúncia a tempo e a hora. Isso é importante para as ações preventivas do Corpo de Bombeiros e para a comunidade, que vai ver o trabalho acontecendo."

O secretário estadual de Defesa Social, Maurício Campos Júnior, destacou os resultados obtidos nos municípios atendidos pelo disque-denúncia, apontando o tráfico de drogas como o principal alvo de manifestação da comunidade. No primeiro trimestre de 2009, 1.210 pessoas foram presas, número quase quatro vezes superior ao mesmo período em 2008, quando a polícia prendeu 328 pessoas. Resultado significativo também foi observado na apreensão de armas, que saltou de 64, no primeiro trimestre de 2008, para 186 nos primeiros três meses deste ano.

Em dados gerais, as denúncias encaminhadas nos 22 meses de funcionamento do 181 resultaram na apreensão, prisão ou recaptura de 5.200 pessoas, na apreensão de 1.057 armas de fogo, 20.691 munições e 2,2 toneladas de drogas. O disque-denúncia funciona, atualmente, em 34 municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, em Uberaba, Uberlândia, Montes Claros e Governador Valadares. Em todo o período de operação, o sistema registrou mais de um milhão e trezentas mil chamadas e mais de 77 mil denúncias.

RANKING DAS NATUREZAS DE DENUNCIAS
(9/2007 a 5/2009)
Quantidade %
Tráfico de entorpecentes 41.877 54,1%
Jogo de azar 8.475 10,9%
Homicídio: 3.066 4%
Atividades de Bombeiros 
3.034 3,9%
Estatuto do desarmamento 2.325 3%
Estatuto do idoso 1.674 2,2%
Foragido/procurado 1.520 2%
Desmanche 1.029 1,3%
Crime ambiental 995 1,3%
Receptação 700 0,9%
Demais naturezaz 12.743 16,5%
TOTAL DE DENÚNCIAS 73.737 100%
Sistema prisional

Questionado acerca da situação do sistema penitenciário de Juiz de Fora, que, além da superlotação, enfrenta o problema do acautelamento de presos nos hospitais, o secretário de Defesa Social anunciou que o governo está trabalhando na resolução desses problemas.

"Há cerca de três semanas, o governo firmou uma parceria público-privada que vai possibilitar a criação de três mil vagas no sistema prisional em 18 meses. Outra medida estudada é a utilização das tornozeleiras eletrônicas, que possibilitarão que alguns presos cumpram regime aberto, dependendo do caso." Outra promessa foi possibilitar a criação de mais dez Associações de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC). Atualmente, Minas conta com 20 APACs em funcionamento.

Em relação aos hospitais, Maurício afirma que ainda não conseguiu identificar a razão do acautelamento dos presos no município e disse ainda que Juiz de Fora é a cidade com maior número de presos em hospitais em todo o Estado. Uma possível solução apontada pelo secretário é a criação de centros de saúde nas unidades prisionais.

Cobrança

Lançamento Disque-denúnciaO Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol/MG) aproveitou a ocasião para cobrar uma resposta do governo do Estado em relação às reivindicações apresentadas pela categoria no início de junho. "Nos reunimos com o vice-governador há mais de um mês em Belo Horizonte e ele garantiu que estudaria a possibilidade de atender às reivindicações. Mas, até agora, não temos nenhuma resposta", reclama o diretor regional do Sindpol, delegado Marcelo Armstrong.

Segundo ele, as principais questões pleiteadas pela categoria são a cobrança do 3° grau para a inserção nas carreiras de agente e escrivão da policia e a carreira jurídica para o cargo de delegado. Armstrong destacou ainda que a Polícia Civil de Minas Gerais tem um dos piores salários do Brasil, o que colabora para desmotivar os trabalhadores.

*Patrícia Rossini é estudante de Comunicação Social da UFJF
Os textos são revisados por Madalena Fernandes

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