Cidade
Segunda-feira, 21 de junho de 2010, atualizada às 18h

Transtornos acarretados por muretas na BR-040 são alvo de críticas durante audiência pública

Aline Furtado
Repórter

Os transtornos ocasionados pelas muretas que dividem as pistas da BR-040, na altura dos bairros Salvaterra e Santa Cruz, foram discutidos durante a audiência pública realizada nesta segunda-feira, 21 de junho, na Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF). As barreiras aumentaram em dez quilômetros o trecho a ser percorrido por quem segue no sentido Rio de Janeiro - Belo Horizonte, no caso de retorno. Já para quem segue no sentido Belo Horizonte - Rio de Janeiro o aumento foi de sete quilômetros.

Entre os principais pontos abordados está a segurança dos moradores da região. "Já tive oportunidade de presenciar pessoas pulando as divisórias, inclusive com bicicletas nas costas", conta o advogado e morador de um condomínio localizado às margens da rodovia, Carlos Alberto Gasparette. A atitude é tomada devido à distância que deve ser percorrida até o retorno, ocasionada a partir da implantação das muretas.

Segundo Gasparette, a divisão das pistas traz transtornos também para as crianças que estudam na Zona Rural e precisam atravessar a rodovia todos os dias. "Tudo mudou depois da colocação destas barreiras. Estamos nos sentindo lesados no que diz respeito ao direito de ir e vir." Ele lembra ainda que imóveis estão sendo colocados à venda devido à sensação de isolamento e às dificuldades encontradas pelos moradores.

O gerente de engenharia da Companhia de Concessão Rodoviária Juiz de Fora - Rio de Janeiro (Concer), Alcimar Ferreira Pena, afirma existir um estudo em análise na Agência Nacional de Tranportes Terrestres (ANTT) que prevê a implantação de 11 passarelas no trecho entre Matias Barbosa e o bairro Barreira do Triunfo. "Além disso, está prevista a construção de uma passagem inferior, uma espécie de túnel, na altura do quilômetro 782,5, em frente à entrada do Santa Cruz."

Pena explica que a instalação de muretas, ocorrida no ano de 2004, permite que os usuários tenham mais segurança. "No ano de 2003, quando não havia a barreira, foram registradas dez colisões frontais no trecho entre o Salvaterra e o bairro Santa Cruz. Já no ano passado, tivemos apenas uma colisão frontal. Isto demonstra que a mureta é, sim, um importante dispositivo de segurança."

Um dos proponentes da audiência, juntamente com o vereador Francisco de Assis Evangelista (Chico Evangelista - PP), o vereador Isauro Calais (PMN), destaca a importância das barreiras para a segurança das pessoas, mas critica os prejuízos causados a restaurantes, motéis e à Central de Abastecimento (Ceasa). "Temos casos de demissões, como em um restaurante, em que 12 pessoas foram mandadas embora. Sem falar em um antigo motel, que fechou as portas devido à falta de movimento, ocasionada pela maior distância a ser percorrida até o retorno."

Os legisladores presentes à audiência decidiram encaminhar uma representação à ANTT e aos deputados estaduais e federais da região, a fim de solicitarem a construção de passarelas e retornos no trecho compreendido entre o Salvaterra e o Santa Cruz. "Se esta representação não resolver, sugiro entrarmos com uma ação civil pública contra a Concer junto ao Ministério Público (MP) e, se ainda assim não conseguirmos garantir o direito de ir e vir dos cidadãos, a comunidade precisa se mobilizar para cobrar medidas efetivas", destacou Calais.