Pesquisa contraria ideia de que juizforano tem autoestima baixa com relação à cidade
Repórter
O preconceito que sugere que o povo juizforano tem baixa autoestima com relação à cidade não procede, de acordo com mais uma etapa da pesquisa Fala Juiz de Fora, desenvolvida pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Isto porque, 80% dos 606 domicílios entrevistados, que incluiu diferentes faixas etárias, nível de escolaridade e classes sociais, definiram a cidade indicando aspectos positivos, 8% apontaram aspectos negativos e 8% definiram de modo que não se enquadra em positivo nem em negativo.
Entre os termos considerados positivos usados para definir a cidade estão boa, tranquila, ótima/excelente, maravilhosa/linda/bonita. Já os negativos apontados são atraso, falta de investimento, má administração, desigualdade, entre outros.
De acordo com o diretor do Centro de Pesquisas Sociais (CPS), Carlos Alberto Hargreaves Botti, os dados demonstram que a concepção da população é diferente do preconceito que a cidade carrega. "Muitos políticos e articulistas se referem a este estereótipo, mas percebemos que não é bem assim. O juizforano vê a cidade de forma positiva."
Sobre morar, trabalhar, se divertir e estudar em Juiz de Fora, os resultados encontrados também foram positivos. A cidade foi considerada ótima/boa para morar e estudar por mais de 80% dos entrevistados. No quesito diversão, 57% avaliaram a cidade como ótima/boa. Já no aspecto trabalho, 41,9% avaliaram como ótima/boa.
Espaços públicos
A pesquisa, realizada na segunda quinzena de maio, abordou ainda o reconhecimento da população com relação aos espaços públicos da cidade. Quanto ao Museu Mariano Procópio, 96,8% declararam conhecer o local, que foi seguido pelo Morro do Cristo, com 94,4%. O espaço menos citado, 15%, em termos de reconhecimento, foi o Marco do Centenário, localizado no Poço Rico. Para cartão postal da cidade, o Morro do Cristo foi citado por 48,19% dos entrevistados.
Lazer e cultura
Com relação às atividades culturais e de lazer dos juizforanos, a pesquisa demonstrou que 24% realizam ações que envolvem algum tipo de gasto e 59% participam de atividades que não demandam gastos.
A principal diversão no final de semana de 25,74% dos entrevistados é ficar em casa, o que pode envolver almoço, churrasco com amigos e assistir à televisão. Apenas 5,28 afirmaram ir ao teatro e ao cinema. "A programação cultural de Juiz de Fora é pobre, se pensarmos nas pessoas que têm baixo poder aquisitivo. É preciso haver investimento do poder público para que sejam oferecidas atividades regulares em espaços como o Parque da Lajinha e o Parque Halfeld, por exemplo", afirma Botti.
Instituições e serviços
Entre as instituições e os serviços mais bem avaliados estão os Correios e a UFJF, seguidos pela imprensa. No final da lista, ou seja, os que obtiveram menores percentuais de avaliação em uma escala de zero a dez, estão os políticos, a saúde pública, a Câmara Municipal e a Prefeitura.
Comércio
A pesquisa analisou também o comércio da cidade. Neste quesito, foi verificado que, embora a população sinta-se bem no comércio dos bairros, as compras são realizadas na região central. Para Botti, isso pode ser explicado pelo fato de grandes lojas estarem concentradas no Centro, mesmo que a região seja de difícil circulação. "O investimento ocorre na área central, fazendo com que os compradores se desloquem, justamente por haver mais opções."
Os textos são revisados por Thaísa Hosken
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