Cidade
Quinta-feira, 25 de outubro de 2012, atualizada às 17h41

Morre, aos 67 anos, o radialista Márcio Augusto

Aline Furtado
Editora Geral e
Jorge Júnior
Subeditor
Márcio Augusto

O radialista Márcio Augusto de Oliveira, 67 anos, morreu às 13h desta quinta-feira, 25 de outubro, na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora. O comunicador estava internado na unidade coronariana do hospital desde o dia 15 de outubro. A morte foi decorrente de insuficiência respiratória aguda.

O corpo será velado das 20h desta quinta-feira às 8h de sexta, dia 26, no saguão da Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF). De acordo com o desejo do próprio radialista, segundo familiares, será realização a cremação no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.

Natural de Juiz de Fora, Márcio Augusto nasceu em janeiro de 1945. Advogado por formação e radialista por devoção, é lembrado como um dos mais carismáticos e talentosos comunicadores da região, tendo passado pelas rádios Solar, Globo, Panorama e Energia. Torcedor do Fluminense e do Sport Juiz de Fora, sempre foi destaque em programas de entrevistas, prestação de serviço, utilidade pública e entretenimento. Márcio Augusto era divorciado, deixa três filhos e netos.

"Polêmico, irreverente, engraçado e excelente comunicador, Márcio Augusto deixou sua marca na história do rádio de Juiz de Fora por meio da defesa dos oprimidos e uma veia cômica irremediável. Sempre verdadeiro aos seus sentimentos, era impossível não se encantar por sua voz e gargalhar com suas tiradas. Foi um parceiro de rádio generoso com quem começava a carreira e implacável com aquilo que não concordava", destaca a jornalista e amiga do radialista, Cláudia Figueiredo.

Por meio de uma rede social, um dos filhos de Márcio Augusto, Sandro Augusto, evidenciou o legado deixado pelo pai. "A cidade se despede de seu Cidadão Honorário [título recebido em 2006], Comendador [título recebido em 2009] e Benemérito [título recebido em 2010], um advogado de profissão e um comunicador talentoso que nos encantava com sua voz marcante, sua disposição com a verdade esclarecedora, que não se calava diante de uma administração ímproba, da mentira e da injustiça. Sempre comunicada com responsabilidade jornalística e com seu peculiar humor que nos divertia e informava. (...)."

Quem também destaca a admiração pelo radialista é a jornalista e professora universitária Renata Vargas. "Trabalhei na Solar, em dois momentos, por quase dois anos e meio. Na segunda vez em que atuei na emissora, tive o prazer de trabalhar diretamente com ele: no jornalismo e, depois, na unidade móvel. Como repórter de rua, participava com as reportagens que faziam parte do programa Rádio Vivo, conduzido por ele com enorme talento. Entrar ao vivo no programa era sinônimo de aventura. Ele sempre nos surpreendia com uma criatividade que era única. Eu sempre dizia: "coisas do Márcio Augusto". Isso divertia os ouvintes, conferia a identidade ao programa e transformava nosso trabalho em um desafio diário. Improviso do início ao fim! Cresci profissionalmente com ele, aprendi a admirá-lo e a ter um carinho profundo pelo comunicador que, diariamente, se dirigia com enorme afeição às donas de casa. Juiz de Fora perde um dos ícones da radiodifusão local. Jamais me esquecerei da vinheta que anunciava sua presença. Quando a ouvia, pensava: agora vem diversão! Sentirei enormemente sua falta!"

Quem também lamentou a morte de Márcio Augusto foi a jornalista e professora Gilze Bara. “Pra mim, o maior nome do rádio juiz-forano em todos os tempos. Como era gostoso trabalhar com ele. Que aprendizado. Que homem espirituoso. Que comunicador nato. Sempre com comentários certeiros e surpreendentes. Só quem conviveu com ele pode saber. Márcio Augusto estará pra sempre na minha memória e no meu coração.”

 

Formado em direito, Márcio Augusto tomou-se radialista há 14 anos, como advogado correu o mundo e como radialista conquistou a fama.

        Dono de uma voz de tom forte e firme. Márcio Augusto decidiu deixar o Rio de
Janeiro e retomar para Juiz de Fora depois que seu casamento terminou. Pai de 3 filhos, Sandro, Marcelo e Fernanda, ele afirma que começou em rádio "para brincar, mas a brincadeira acabou ficando séria". O nome Márcio Augusto ficou fora da cidade em 2002 e 2003. A oportunidade para reencontrar seu público aconteceu na RÁDIO PANORAMA. Seu retomo ao rádio local foi bastante festejado por um exército fiel de audiência. MÁRCIO AUGUSTO apresenta, na Rádio Panorama, o MÁRCIO AUGUSTO SHOW, de segunda à sexta, de 7:30 às 12:00. O programa já conquistou a liderança entre as emissoras AMS e FMS da cidade e da região. Diariamente o radialista recebe ligações de outras cidades. Sua voz é ouvida não só no estado de Minas Gerais, como também do
Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

        Embora sua marca seja a polêmica, muitos ouvintes são cativados pela faceta cómica do apresentador. Márcio Augusto utiliza com inteligência de uma veia cômica, que parece brotar assim meio que sem querer. Aos 61 anos de idade, nessas horas de descontração, afloram brincadeiras que mais fazem lembrar o menino Márcio Augusto, recém-saído do seminário, que se apaixonou por uma gaúcha.

        É impossível permanecer sério ouvindo uma risada de Márcio Augusto. Ao lado de sua partner Claudia Figueiredo responsável pelas fofocas e pela receita do dia, Márcio Augusto arranca gargalhadas de seu público, reinventando terminologias e frases de duplo sentido. "A maldade está na cabeça das pessoas", diz. Deste modo salsinha picada, vira calcinha picadinha, um tempero a mais no dia-a-dia, às vezes, tão sofrido de seus ouvintes. Tricolor doente. Márcio Augusto não se esquece do famoso gol de barriga de Renato Gaúcho.

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