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    Sindicato dos Marceneiros de Ubá registra cinco casos de amputação neste ano

    Em 2016, foram seis mutilações em trabalhadores homens. Ministério do Trabalho diz que números são maiores

    Angeliza Lopes
    Repórter
    26/04/2017

    O movimento de greve dos trabalhadores de fábricas do polo moveleiro de Ubá, desde o início de abril, tem despertado discussões não só em relação às tentativas de negociação salarial, mas também para as condições trabalhistas precárias, que tem resultado em doenças e acidentes graves no trabalho. Em todo o ano de 2016, foram atendidos seis marceneiros com amputação de dedos, já este ano, em apenas três meses, foram cinco notificações, todas relacionadas à função de operador de máquinas de serra circular, serra disco e tupia. Para piorar a situação, o Sindicato dos Marceneiros de Ubá acredita que os números sejam maiores, devido às subnotificações, já que nenhum dos casos de 2017 foram notificados pela empresa ao órgão representativo.

    Para alertar à população da real situação vivenciada pelos funcionários, o setor de saúde e segurança do Sindicato iniciou campanha, com panfletagem que divulga os números alarmantes. A ação também lembra o Dia Mundial em Memória às Vítimas de Acidentes do Trabalho e Dia Mundial de Segurança e Saúde no Trabalho, que será na próxima sexta-feira, 28 de abril. O sindicato também pretende fazer um seminário em junho para apresentar os dados compilados pelo setor ao Ministério Público do Trabalho e outros órgãos. O evento seria realizado, inicialmente, no próximo dia 28, mas devido o movimento de greve, precisou ser adiado.

    Segundo o coordenador do setor de saúde, Maxmiliano Camilo Batista, o índice de doenças ocupacionais no setor de produção de móveis de Ubá é muito alto, mas, além disso, o que chama a atenção são os quantitativos de mulheres adoecidas. “Apesar delas representarem menos de 20% do total de trabalhadores na área, foram atendidas no ano passado 146 com problemas de saúde, já no primeiro trimestre deste ano já foram 36 notificações do sexo feminino. Em sua maioria, são diagnósticos de tendinites em punho e ombro, desencadeadas com as funções de lixação manual e costura”, detalha Batista.

    O coordenador avalia que as empresas preferem mulheres para estes setores, para pagarem salários menores. “Existe ainda casos de empregadores pagarem a funcionária em casa, para não gerar notificação. Tivemos o caso de uma empresa que estava com oito mulheres afastadas, todas operadas na mesma mão, algumas pela segunda vez. O tipo de trabalho que executam é arcaico e exigem pausas programadas, devido o movimento repetitivo, mas que não é cumprido”.

    Amputações e mutilações

    Em relação as amputações e mutilações, exclusivamente em homens, os principais fatores que os ocasionam são desvio de função, máquinas sem proteção coletiva, falta de treinamento – 90% trabalham sem treinamento prévio, e sobrecarga. “Registramos o caso de um homem de 65 anos que tinha se aposentado há 15 dias e sofreu amputação dos dedos. Outro, o acidente aconteceu enquanto o trabalhava sem bater cartão. Ele já tinha feito toda a carga horária da semana e atuava apenas um dia com máquina”, relata o coordenador.

    De acordo com o coordenado do Sindicato dos Marceneiros, há três anos eram registrados 1,5 casos de mutilação por mês em Ubá, o que correspondia a quase 16 por ano. Na época, foi feita uma denúncia ao Ministério Público e do Trabalho. “Houve audiência pública, quando todas as empresas foram chamadas e notificadas. De lá para cá, o número de mutilações chegou a quase zero em 2015. Em 2016 já tivemos seis, e este ano, cinco. Parece que as precauções estão caindo no esquecimento e estamos voltando ao que era em 2014”, explica, lembrando que todos os casos são encaminhados para o Ministério do Trabalho.

    Ministério do Trabalho

    O auditor fiscal Wladimir Poletti Jorge explica que o Ministério do Trabalho esteve junto no projeto de redução de acidentes realizado em 2014, quando houve melhoria significativa na qualidade de segurança e continuou, nos anos seguintes, os serviços de fiscalização, autuação das empresas infratoras e interdição de máquinas. “Mas, com contingente pequeno, temos dificuldade de fazer enfrentamento direto e constante. A equipe de segurança é composta por dois médicos e seis auditores de segurança externa para atender 88 cidade Só em Ubá são 500 fábricas do polo moveleiro”, destaca.

    O auditor complementa que outro fator agravante no último ano, foram os números de acidentes de trabalho, que totalizaram 1.700 em todos os setores trabalhistas na região atendida. “Não dá para colocar todo efetivo em um único setor. Vamos equilibrando o planejamento conforme orientado por Brasília. Além disso, infelizmente, sabemos que os números do sindicato são menores que a realidade registrada no ano passado. Por isso, temos parceria ainda com Ministério Público do Trabalho, que recebe relato dos casos notificados”.

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