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    Quarta-feira, 12 de julho de 2017, atualizada às 16h16

    Morre o fundador do Museu de Arqueologia e Etnologia Americana

    Da redação

    Um dos principais pesquisadores da história da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), o professor Franz Joseph Hochleitner morreu na noite da última terça-feira, dia 11, aos 101 anos. Ele estava internado no Hospital São Vicente de Paulo (antigo HTO) desde o dia 7, com insuficiência respiratória, e não resistiu. O velório está sendo realizado na Capela do Cemitério da Paróquia de São Pedro, e o enterro será às 14h.

    Austríaco naturalizado brasileiro, Franz Hochleitner criou o Setor de Arqueoastronomia da UFJF, que deu origem ao Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (Maea). No último dia 3 de julho, foi homenageado por suas contribuições à pesquisa acadêmica na Universidade com a abertura da Sala de Arqueoastronomia que leva seu nome no Centro de Ciências.

    Devido a uma inflamação na garganta e às baixas temperaturas dos últimos dias em Juiz de Fora, o professor Franz, como era conhecido, não pôde comparecer à inauguração na UFJF, mas estava ciente da homenagem e viu as fotos da Sala, que reúne parte do acervo do Maea: “O reconhecimento do Museu sempre foi uma luta. Acredito que ele sentiu como uma missão cumprida. Isso foi muito importante. Ele estava muito feliz”, relata Luciane Monteiro Oliveira, pesquisadora e colaboradora do Maea, que começou em 1992, como bolsista de Franz Hochleitner.

    “Estamos desolados, mas felizes por termos valorizado o Maea com a inauguração da Sala de Arqueoastronomia no Centro de Ciências”, afirmou a pró-reitora de Cultura, Valéria Faria, uma entusiasta do Museu, hoje vinculado à Procult. A Sala dá visibilidade a esse que é um dos acervos de maior valor cultural e de pesquisa da Universidade. Segundo Valéria Faria, é uma oportunidade de apresentar o que há de mais relevante no Maea e de destacar o principal trabalho do professor Franz Hochleitner – a decodificação da Porta do Sol, um antigo monumento existente na Bolívia.

    Especialidade

    A arqueoastronomia foi a especialidade que introduziu Franz Hochleitner no universo acadêmico. Formado em Ciências Aplicadas, trabalhou na área de comunicação militar, desenvolvendo e aperfeiçoando métodos avançados de radiocomunicação para a Força Aérea Alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Esse conhecimento especializado culminou em seu interesse pela interpretação de códigos, ideogramas e hieróglifos de culturas antigas, como os dos maias e astecas, e particularmente pelos enigmas da Porta do Sol, quando já morava no Brasil.

    Em função de seu crescente interesse pela área, decidiu ingressar no curso de História da Faculdade de Filosofia e Letras (Fafile) – uma das escolas superiores que estão na origem da UFJF –, e, simultaneamente, atuou nela como professor de História da América, graças aos conhecimentos acumulados na prática. Em 1964, recebeu uma bolsa da Fundação Alexander von Humboldt para formação em Arqueologia e Etnologia na Universidade de Bonn, Alemanha.

    Já em 1986, com a doação de seu acervo, Hochleitner propõe a instituição do Setor de Arqueoastronomia na UFJF, que mais tarde veio a se constituir como Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (Maea). Até 1999, Franz Joseph Hochleitner, mesmo aposentado, dedicou-se diariamente ao setor. Vinha a pé de sua casa, no bairro São Pedro, para se ocupar do acervo no Campus, que só deixou de acompanhar após sofrer um AVC.

    Biografia

    Natural de Salzburg, Franz Joseph Hochleitner nasceu em 30 de abril de 1916. Formado em Ciências Aplicadas, ingressou em 1936 na Theresian Military Academy, Wiener Neustadt, no curso de Informação e Comunicação Militar. Em 1938, com a anexação da Áustria ao Terceiro Reich, foi incorporado como oficial no regimento especial da Luftwaffe, Força Aérea alemã, com o intuito de criar, treinar e aperfeiçoar métodos avançados de radiocomunicação.

    Ao final da guerra, ferido e devastado pela experiência, vislumbrou a perspectiva de uma nova vida, ao aceitar o convite feito pelo amigo Hermann Görgen, então residente no Brasil, para dirigir a Indústrias Técnicas Ltda. (Intec) em Juiz de Fora.

    Com espírito investigativo suscitado pela leitura da obra de Edmund Kiss sobre a cosmogonia glacial, de Hans Hörbiger, publica, em 1957, o artigo “A Porta do Sol de Tiahuanaco: Ensaio de Decifração de seus Ideogramas” no jornal “Diário Mercantil” de Juiz de Fora.

    Oportunamente, foi indicado pela Organização Internacional de Trabalho (OIT) de Genebra, Suíça, para atuar no projeto de constituição da Escola de Aprendizagem para Jovens Aymara, na localidade de Pillapi, região do Lago Titicaca, Bolívia, durante os anos de 1959 e 1960. Na ocasião, apresentou seu artigo sobre a Porta do Sol de Tiwanaku ao arqueólogo Carlos Ponce Sanginés, então Ministro da Cultura do governo boliviano, que o convidou a participar das pesquisas arqueológicas.

    Tais eventos o levaram a ingressar na Fafile, como estudante de História e, simultaneamente, professor de História da América. Em 1964, recebeu uma bolsa da Fundação Alexander von Humboldt, para formação em Völkerkunde (Arqueologia e Etnologia) sob orientação do professor doutor Hermann Trimborn, da Universidade de Bonn, Alemanha.

    Em 1986, propõe a instituição do Setor de Arqueoastronomia, que mais tarde, com a ampliação das atividades veio a se constituir o Museu de Arqueologia e Etnologia Americana (Maea).


    Com informações da UFJF

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