Rua Braz Bernardino Comércio intenso, grande fluxo de pessoas, segurança e um certo clima provinciano são a cara dessa rua
*Colaboração
21/02/2008
Interatividade:
Pessoas andando para lá e para cá, buzina anunciando um trânsito confuso, salões de cabeleireiro espalhados por toda a rua, estacionamentos, um shopping center, prédios residenciais, um curso de inglês, um órgão acadêmico e toda a sorte de comércio, de frutas e verduras a vestidos de noiva e roupas de festa passando por lanchonetes e lojas de roupas íntimas.
Esse cenário parece caótico, não é mesmo? Mas não é. Acredite ou não, a rua Braz Bernardino é um lugar seguro e tranqüilo de se viver e trabalhar. Pelo menos é o que asseguram os comerciantes e moradores que compõem esse visual moderno, barulhento e com certo toque de provincianismo.
Trabalhando na rua há 35 anos, Hernandes Raimundo da Gama garante que a Braz é uma excelente localização comercial. Segundo o comerciante, com o tempo a rua só fez melhorar.
"Hoje a rua é muito mais movimentada do que quando cheguei aqui, isso é muito
melhor para o comércio. E apesar de ter aumentado o fluxo de pessoas, em termos de
segurança, continua do mesmo jeito. O local é muito tranqüilo"
, comenta.
Para o presidente da Sociedade de Medicina, Jairo Antônio
Silvério, o comércio no entorno do estabelecimento que
administra são o ponto forte da Braz Bernardino.
"Os restaurantes, os estacionamentos, tudo favorece porque realizamos uma série
de eventos aqui"
, conta.
Morando há seis anos na Braz, o jornalista Gildo Jr. não vê muitos
aspectos negativos na rua. "Quando eu vim para cá queria um local de
fácil acesso, que fosse próximo a faculdade, ao trabalho, onde eu pudesse resolver
tudo sem precisar de automóvel. A Braz responde a tudo isso e tem um caráter provinciano,
as pessoas se conhecem, se respeitam. Isso é bem legal"
, comenta.
Segundo o comerciante Ronald Santhiago, a rua é um excelente ponto
para o comércio. "Isso aqui é um verdadeiro shopping a céu aberto, é um enorme
complexo de lojas"
, acredita.
Santhiago é proprietário de uma loja no shopping na rua há 15 anos e conta que apostou
no local pelas facilidades que a rua oferece. "O estacionamento, a tranqüilidade
e o grande fluxo de pessoas são ótimos para o negócio"
.
Mudança no trânsito
Há uma polêmica em torno da mudança no trânsito da região. Há alguns anos mudou-se a direção da rua, que agora sai na rua Batista de Oliveira. Para alguns, a mudança foi positiva, para outros, nem tanto.
Hernandes, por exemplo, acredita que a alteração provocou um aumento muito grande
do fluxo de veículos e isso acaba prejudicando um pouco. "É complicado, a rua
fica tumultuada, muito barulho"
.
Para Gildo, o barulho do trânsito também é considerado inconveniente.
"Se você quiser dormir até mais tarde num fim de semana, por exemplo,
fica impossível com o buzinaço provocado pelos engarrafamentos"
, lamenta.
Apesar disso, Gildo vê na segurança o grande atrativo do logradouro. "Todos os
prédios têm porteiros 24 horas e a equipe de segurança do shopping também é muito
boa. Já aconteceu de uma pessoa ser assaltada no início da rua e o ladrão não chegar
ao fim dela sem ser pego. O próprio comércio se auto-defende"
, diz.
Jairo acredita que o fluxo de carros prejudica, mas não vê nisso um grande problema.
"Realmente o trânsito fica difícil às vezes, mas é o progresso e temos que
respeitar isso"
.
Ronald vê na alteração um ponto forte para o seu negócio. "Desde
que mudou a mão do trânsito o comércio, de forma geral, sentiu uma melhoria muito
grande. Mais trânsito são mais pessoas circulando"
, defende.
A polêmica do colégio Magister
Tradicional na cidade, o Colégio Magister era uma ponto de referência da Braz Bernardino. Depois de longo processo, a escola foi demolida deixando saudade para moradores e ex-alunos. Mas, nem todo mundo sente saudade.
Santhiago acredita que a demolição do colégio trouxe mais tranqüilidade para os
comerciantes. "É chato falar isso, mas os adolescentes saíam da aula e vinham
para cá fazer bagunça, era desagradável porque esse não é o público alvo do shopping"
.
Além disso, o comerciante acredita que o novo empreendimento a ser instalado no
terreno só trará benefícios para o comércio local. "Novos empreendimentos atraem
mais pessoas e quanto mais pessoas, melhor para a gente"
.
Para Gildo, a situação é um pouco diferente. Ex-aluno da escola, o rapaz não tem grandes vínculos emocionais em relação ao espaço físico, mas considera uma grande perda o fato de o colégio ter saído da rua.
"Eu acompanhei todo o processo de perto, lutei para que o colégio permanecesse
no prédio porque era tradicional. Não teve nenhum impacto emocional, não. As pessoas
sentem falta do colégio, das árvores etc., mas é uma questão de adaptação. Juiz de
Fora está passando por uma transformação muito grande"
Quem leva o nome da rua?
Braz Bernardino Loureiro Tavares era uma advogado sergipano. Foi Juiz de Direito da 1ª Vara entre 1894 a 1921, quando se aposentou e foi para o Rio de Janeiro, falecendo no mesmo ano. Entre 1987 e 1919, Braz Bernardino foi provedor da Santa Casa de Misericórdia.
*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF.
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