Cidade

Gil Horta foge do padrão das ruas do centro Espremida entre as duas maiores avenidas da cidade, a Gil Horta foge do padrão das ruas do centro por conservar a cordialidade entre vizinhos


Marinella Souza
*Colaboração
09/06/2008

Bem ali, entre as avenidas Independência e Rio Branco está a rua Doutor Gil Horta. Uma rua pequena, com apenas três estabelecimentos comerciais e cara de rua de bairro, a Gil Horta é quase protegida pelo movimento intenso das duas avenidas.

Comerciantes e moradores ali instalados há décadas não conseguem enxergar um ponto negativo e são unânimes: a grande vantagem da rua é mesmo a vizinhança. Paola Corrêa Barbosa de Oliveira passou a vida toda morando na Gil Horta e é uma apaixonada confessa pelo local.

"Para mim, é a melhor rua da cidade. Estamos no centro, temos os pontos de ônibus da Independência e da Rio Branco bem pertinho e ainda assim moramos numa rua calma", diz. A moça relembra que, quando era bem criança, ainda era possível reunir os amigos na rua e não tinha discriminação.

Foto da rua Gil Horta Foto da rua  Gil Horta Foto da rua  Gil Horta

"Brincava todo mundo: desde o filho da empregada até o filho de um dos empresários mais ricos da cidade, era muito legal. Ao lado da loja de flores tinha o salão de um cabeleireiro famoso que era o ponto de encontro de todo mundo", recorda.

Trabalhando no logradouro há 20 anos, o comerciante José Roberto Costa faz coro com Paola e não consegue pensar em algo que desvalorize a rua. José Roberto conta que a Gil Horta é uma rua muito boa de trabalhar, "é um lugar tranquilo. a vizinhança é muito boa". Para ele, o melhor mesmo são os fregueses: "temos uma convivência agradável, eles nos ensinam muito", ressalta.

A cordialidade, aliás, também chama a atenção de Paola. "A gente pode não conhecer todos os vizinhos pelo nome, mas sempre nos reconhecemos na rua e nos cumprimentamos. Isso é muito legal porque não vemos esse tipo de situação em outras ruas do centro", orgulha-se.

Foto da rua  Gil Horta Foto da rua  Gil Horta Foto da rua  Gil Horta

A comerciante Thaís Pinto Villela Loures passou toda a infância entre a rua Gil Horta e a fazenda da família. Já crescida, ela voltou ao lugar para instalar a sua pequena empresa e sente feliz com o retorno. "Foi uma decisão comercial, eu fiz uma pesquisa para ver aonde seria o melhor ponto para o meu negócio e a Gil Horta foi perfeita".

Foto da rua  Gil Horta vista do alto Foto da rua  Gil Horta vista do alto Foto da rua  Gil Horta vista do alto

Ela admite que voltar ao local de sua infância foi uma excelente experiência. Tão boa que Thaís está instalada na rua há 15 anos. "Sempre gostei daqui porque me lembra um ambiente de roça, que eu adoro, além da vizinhança que é muito boa".

O lado ruim

Nem tudo são flores no "reino da Gil Horta" e há algumas reclamações. Ao contrário de Paola e José Roberto, Thaís lamenta a intolerância de alguns moradores em relação ao pequeno comércio da rua. "Existem apenas três estabelecimentos comerciais aqui e tem gente que reclama, acha que estamos querendo dominar a rua. Isso não é verdade".

A moça explica que, em virtude desses estabelecimentos e também da proximidade de um supermercado, muitas vezes as vagas são ocupadas para carga e descarga, desagradando alguns moradores. "Ele acham que a rua tem que ser só residencial, não vêem os benefícios que trazemos para eles próprios e para a rua, de modo geral".

Foto da rua  Gil Horta Foto da rua  Gil Horta Foto da rua  Gil Horta

A queixa de Thaís procede. Porteiro do mesmo prédio há 11 anos, Celso Ribeiro da Silva já ouviu muito morador reclamar dessa movimentação comercial. "O pessoal reclama muito da carga e descarga que o supermercado faz. Eles acham que isso atrapalha a rotina da rua", diz.

Foto da rua Gil Horta Foto da rua  Gil Horta Foto da rua  Gil Horta

Celso conta que não dá para observar muito as coisas no período em que trabalha, mas consegue fazer uma comparação dos tempos em que trabalhava à noite. "Agora está mais tranqüila, mas quando eu trabalhava à noite tinha muita incidência de drogas aqui. Não sei se melhorou. O pessoal pediu mais policiamento e talvez tenha diminuído", espera.

Quem leva o nome da rua?

O médico cirurgião e ginecologista, Gil Horta, nasceu no interior de Minas Gerais, bem perto de Juiz de Fora, em Rio Pomba. Filho de Arthur Vieira Horta e casado com Ione Dutra de Morais Horta, o médico trabalhou na Santa Casa de Misericórdia.

Fonte: site da PJF

*Marinella Souza é estudante de Comunicação Social da UFJF.