Meio Ambiente

Mata Atlântica é preservada e reflorestada na região Uma parceria entre a AMAJF, o IEF e um banco alemão está possibilitando o reflorestamento das áreas de Mata Atlântica na região

Priscila Magalhães
Repórter
Madalena Fernandes
Revisão
22/10/2008

O Programa de Proteção da Mata Atlântica (Promata) está reflorestando áreas degradadas e preservando a mata nativa em Santos Dumont, Juiz de Fora e Matias Barbosa.

O programa faz parte da cooperação financeira Brasil-Alemanha, firmada entre um banco alemão e o Instituto Estadual de Florestas (IEF). O Promata chegou à Zona da Mata neste ano, através da Associação pelo Meio Ambiente de Juiz de Fora (AMAJF).

O objetivo é trabalhar reflorestando e preservando uma área de 600 hectares de Mata Atlântica nas três cidades da região, até o meio do ano que vem. Inicialmente, elas foram escolhidas por estarem mais degradadas. Se a meta for cumprida, a intenção é triplicar a área, o que pode resultar em ampliação do programa para outras cidades.

A prioridade é dada a áreas próximas a rios, córregos e suas nascentes. Segundo o presidente da AMAJF, Theodoro Guerra, o objetivo é preservar a água e a mata ciliar. O trabalho é feito junto aos produtores rurais. Por isso, além da área de 600 hectares, a ONG também tem a meta de atingir 90 propriedades. Atualmente, o saldo está em 450 hectares trabalhados e 50 produtores atingidos.

Os produtores que quiserem participar do Programa vão receber mudas e insumos, como adubo, cercas, arames, formicidas e recursos financeiros. Este último pode ser usado pelo proprietário como ele bem entender. "É um incentivo para que ele refloreste e preserve a área onde plantou", explica Guerra. O incentivo financeiro vai de R$ 150 a R$ 300 por hectare trabalhado e é pago anualmente.

Foto de área a ser recuperada Foto de área a ser recuperada

As mudas são enviadas pelo IEF e distribuídas aos produtores, de acordo com as características de cada propriedade. São mudas de jatobá, ipê, jacarandá, angico, quaresmeira e paineira, entre outras. A AMAJF também está produzindo mudas para atender a um possível aumento na demanda no ano que vem.

O benefício financeiro é visto com bons olhos pelo presidente da AMAJF, pois há uma dificuldade grande em convencer as pessoas a preservar usando somente a legislação. "É obrigatório que essas áreas sejam protegidas, mas nem todos fazem." Sobre a fiscalização, na região de Juiz de Fora, assim como em todo o país, o número de fiscais é pequeno diante das áreas de floresta. Como a ONG não tem o poder de polícia, o que ela faz é passar um relatório para o órgão estadual.

Foto de área a ser recuperada Foto de área a ser recuperada

Com o Promata, a AMAJF quer criar um corredor ecológico entre as três cidades, ligando os resquícios de vegetação existentes em cada uma. Com isso, o benefício se estende à fauna. "Vai haver um aumento da visitação da fauna. diante do aumento da oferta de alimentos e do espaço, animais como aves, peixes e micos vão se reproduzir mais".

Situação de desmatamento é crítica na região

Em todo o país restam somente 8% da vegetação nativa de Mata Atlântica, segundo Guerra. Na Zona da Mata, a situação não é diferente. "O cuidado com a área verde está muito precário." Entretanto, ele comenta que a situação já esteve pior. "Hoje já há um equilíbrio entre reflorestamento e desmatamento."

Entre as principais causas do desmatamento está a expansão urbana, que pressiona as áreas remanescentes. "Em Juiz de Fora, através de uma observação aérea, percebemos os fragmentos que precisam ser preservados."

O interesse internacional na preservação das matas brasileiras é um fato curioso. Guerra diz que essa é uma tendência. "Os países mais ricos atuam dessa maneira em locais onde ainda há reserva natural, pois nesses locais é possível preservar e ampliar. Lá, além do desmatamento antigo que impede o reflorestamento, há uma noção de que as áreas de mata tropical precisam de atuação, por estarem sendo pressionadas", explica.