Livro resgata história de Juiz de Fora
Com o objetivo de popularizar a história da cidade, álbum de
Albino de Oliveira Esteves, de
1915, é relançado
Repórter
14/08/2008
A primeira edição do Álbum do Município de Juiz de Fora, do jornalista Albino de Oliveira Esteves, foi lançada em 1915 e é considerado um importante documento histórico para a cidade. Agora, uma nova edição, vai estar a disposição dos juizforanos após 93 anos de sua primeira publicação.
Nas 536 páginas do livro, os pesquisadores, estudantes e curiosos vão ter acesso a mais de 550 imagens e a textos que trazem a história da população, comércio, indústria, importação e exportação, geografia, arquitetura, agricultura, política, imprensa, entre outras informações sobre a cidade no início do século XX.
A reedição foi uma iniciativa do fotógrafo e restaurador
Sérgio de Almeida Neumann. O trabalho começou há dois anos, quando o projeto
foi aprovado pela Lei Murilo Mendes de Incentivo à Cultura. O objetivo da reedição é
dar, à população em geral, acesso à obra. "É um trabalho de grande importância para
a cidade. Foi muito gratificante por causa da falta de material de pesquisa sobre a história
da cidade"
, diz ele.
A idéia surgiu depois que Sérgio teve dificuldades em ter acesso à obra para a reprodução de imagens.
"Encontrei em três instituições, mas havia restrições para a reprodução"
.
Segundo ele, existem três exemplares disponíveis em locais públicos da cidade.
A partir daí, Neumann soube de três pessoas que tinham as duas primeiras edições
e as cederam para a reedição. "São pessoas comprometidas com a cultura e abraçaram o projeto"
.
Apesar de fazer referência ao ano de 1915, Neumann acredita que em 1904 o jornalista e autor do livro já estaria trabalhando nele. Além da primeira edição, uma segunda foi publicada em 1989. Para o projeto, ele utilizou as imagens da primeira e os textos da segunda. O desafio maior era recuperar informações nas fotos e nos textos, faltosos em algumas páginas.
Como foi o trabalho
A idéia inicial de Neumann era revolucionar, mas o fotógrafo optou por manter algumas características da
obra original. "É uma obra clássica"
, explica. O trabalho foi feito com o
escaneamento das páginas e com o uso de máquina fotográfica para se chegar à qualidade
das imagens. Os livros da primeira e segunda edições foram descosturados e remontados.
O texto não foi redigitado e as letras borradas e faltosas foram redesenhadas no computador.
Segundo ele, o livro é composto de mais de dois mil tipos. "É claro que não foram todos
os refeitos, mas uma boa parte"
, completa. Entretanto, um cuidado foi tomado
para preservar a obra original. "As letras só foram reconstituídas quando havia a certeza do que estava escrito
naquela parte"
.
Durante a reedição, ele se deparou com mais um desafio. "A reprodução tinha que ser econômica"
.
O recurso necessário para todo o projeto, com impressão de mil exemplares, era de R$ 25 mil.
Entretanto, o recurso liberado foi de 80% desse valor e o número de exemplares caiu para
cerca de 700. Deste total, 600 vão ser distribuídos para bibliotecas, escolas e universidades
da cidade. O restante vai ser vendido a um valor de R$ 120.
Alterações
Houve a opção de Neumann por preservar o estilo clássico da obra, porém alguns detalhes foram
modificados, como as linhas que separam as margens superiores do texto e as que separam as colunas.
"Algumas dessas linhas estavam tortas"
, justifica ele.
Outra modificação foi a retirada da foto panorâmica da cidade (foto abaixo à direita).
Ela foi recortada em três
e passou a ilustrar a primeira página de cada capítulo, que, na primeira edição,
só trazia o título. "Manter essa foto iria encarecer
o trabalho"
, diz.
As margens também foram reduzidas, principalmente as laterais. "Isso foi necessário para
adequar o novo livro aos padrões de papel existentes atualmente. Se o padrão fosse mantido,
ficaria mais caro"
, explica.
O Álbum do Município de Juiz de Fora vai ser relançado nesta sexta-feira, 15 de agosto, no Museu de Arte Moderna Murilo Mendes (MAMM - rua Benjamim Constant, 790) a partir de 19h, onde os exemplares vão ser vendidos. As edições usadas para reeditar a obra vão estar expostas.
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